Pai solo de quatro adolescentes, baiano comemora primeiro Dia dos Pais com a família completa: ‘O que prevalece é o amor’


Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Por muito tempo, ser pai estava ligado a levar o sustento para a casa e prover a família. Porém, essa relação passou por mudanças ao longo do tempo e alterou as configurações de famílias, bem como a conexão entre pais e filhos.

A família monoparental é um exemplo disso. Formada por apenas um dos pais, ou seus descendentes, essa configuração têm se tornado cada vez mais popular, seja pelo grande número de crianças disponíveis para adoção, ou por motivos que fogem ao planejamento original.

De acordo com o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, existem 4.057 mil crianças disponíveis para adoção no Brasil. A maioria desse número, cerca de 2.032 mil, são maiores de 12 anos, o que torna a adoção mais difícil.

O que alguns podem achar um ponto de dificuldade, foi visto com os olhos do amor pelo fonoaudiólogo Marcus Carvalho, de 39 anos. O baiano, natural de Salvador, adotou quatro adolescentes e realizou o sonho de se tornar pai solo.

“Me tornei pai solo pela via da adoção, sempre esteve no meu coração a adoção, na minha família a gente tem outros casos e eu sempre estudei bastante sobre o tema, mas imaginava, sempre pensava ‘ah, quando estiver mais velho’, mas acabou que eu já estava mais velho então decidi entrar com todo o processo e assim me tornei pai”, explicou em entrevista ao iBahia.

Adoção

Dois deles foram adotados a três anos, enquanto os outros dois iniciaram o processo em setembro de 2021. Este será o primeiro Dia dos Pais comemorado por Marcus com os quatro filhos.

O pai de Anderson, de 17 anos, Gabriel, de 17, Alisson, de 16 e Gustavo, de 15, deixa claro que, na verdade, quem foi adotado pela família foi ele.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

“Não precisei explicar para os meus filhos exatamente porque eles já vieram maiores, eles já sabiam que viriam para uma casa que teria apenas um pai e sempre foi tudo muito claro assim, nas nossas histórias. Eles me adotaram na verdade, né. Porque eles eram uma família e a minha pessoa acrescentou e hoje somos pai e filhos”, explicou.

Desafios

Também preparador vocal, Marcus enxerga como um desafio conciliar o trabalho com a criação de quatro filhos.

“É realmente um desafio conciliar o trabalho e o cuidado com, no meu caso, os filhos. Eu tenho quatro filhos adolescentes e o mais difícil na verdade é entender a demanda de cada um, a partir da personalidade de cada um e conseguir atender quatro pessoas diferentes em meio a essa rotina grande de trabalho que tenho”, conta.

“Enquanto fonoaudiólogo e preparador vocal eu atendo o dia inteiro e daí preciso deixar tudo pronto em casa, sair de casa, alguns vão para a escola pela manhã, outros vão pela tarde e eu tenho uma tia minha que me dá um suporte em casa e isso facilita muito as coisas”, finaliza.

Porém, mais difícil do que conciliar a vida de pai solo com a profissional é lidar com o desconhecimento acerca das novas configurações de família.

“Eu nunca sofri um preconceito, pelo menos claramente, mas eu tive algumas dificuldade, por exemplo. Ao matricular os meus filhos só tinha a opção no sistema de ter a mãe, somente, só se matriculava com a mãe. Eu tive que ingressar com uma solicitação junto a ouvidoria para conseguir colocar lá que a filiação dos meus filhos é somente um pai e ainda assim eu não consegui”, explicou.

“Então meu nome está lá como se fosse mãe e agora, por exemplo, estou precisando revalidar o cartão de meia passagem* de um dos meus filhos e eu não consigo porque nesse site precisa que tenha o nome da mãe, somente o nome da mãe”, completou.

Amor de pai

Pronto para as comemorações do primeiro Dia dos Pais com os quatro filhos reunidos, Marcus reflete sobre sobre o crescimento dos jovens e o vínculo da família.

“A melhor parte de ser pai pra mim é poder saber que em meio a tantas dificuldades que a vida traz, existem pessoas ali que me ama e que recebem meu amor e que por mais que tenham essas dificuldades o que prevalece é o amor, é a construção dessa família e desses vínculos que a cada dia a gente vem aumentando e formando essa parentalidade”, diz.

“Então, poder ver nos olhos deles e a partir das mudanças de posturas que eles tem hoje, por ter um pai, isso me deixa muito feliz e orgulhoso dos homens que esses quatro guris tem se tornado”, finaliza.

*Em contato com o iBahia sobre a dificuldade de revalidação do cartão de meia passagem, a assessoria da Integra (Associação das Empresas de Transporte de Salvador), disse que, atendem ” jovens de orfanatos que muitas vezes não têm nem pai e nem mãe” e que ao encontrar algum obstáculo “se dirigir ao Posto SalvadorCARD do Shopping da Gente e procurar pela Supervisão”.

“Lembramos que o aluno, para ter direito ao cartão de meia passagem, deve ter seu nome enviado pela escola ao SalvadorCARD, comprovando que está matriculado”, finaliza o posicionamento.

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