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Musicalidade

Do Ijexá ao Samba-reggae: ritmos que fazem a identidade de Salvador

Ritmos foram historicamente tocados, ensinados e mantidos por comunidades negras e são a base da identidade da música em Salvador

Iamany Santos • 27/03/2024 às 16:48 • Atualizada em 28/03/2024 às 0:26 - há XX semanas

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"Os grandes guardiões da música da Bahia são os terreiros e a cidade de Salvador guarda uma cultura de altíssimo nível", reflete o Maestro Ubiratan Marques, músico, arranjador e criador da Orquestra Afrosinfônica da Bahia, sobre a diversidade de ritmos na capital baiana e em todo o estado. Entre o Ijexá, o Samba-reggae e o Axé, a musicalidade de Salvador transpira no dia a dia, a identidade do povo soteropolitano e reside na resistência de negros e indígenas.


				
					Do Ijexá ao Samba-reggae: ritmos que fazem a identidade de Salvador
Em entrevista ao iBahia, Maestro Ubiratan falou sobre os ritmos historicamente tocados pelo povo soteropolitano. Foto: Divulgação

A complexidade dessa história torna difícil elencar quais os ritmos que "definitivamente" formaram a natureza musical de Salvador. Apesar disso, a popularização do Axé, do Samba-reggae e do Ijexá por meio de artistas como banda Reflexu's e Neguinho do Samba, ajudam a traçar a história da música feita na cidade.

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Esses ritmos são herança e foram historicamente tocados, ensinados e mantidos pelo povo negro através dos terreiros. Essa musicalidade resistiu ao apagamento por meio desses espaços.

Através do cotidiano e das vivências do povo soteropolitano, esses ritmos se espalharam e hoje são base para música feita em Salvador, famosa em todo o Brasil.


				
					Do Ijexá ao Samba-reggae: ritmos que fazem a identidade de Salvador
Do Ijexá ao Samba-reggae: ritmos que fazem a identidade de Salvador. Foto: Divulgação

"A música é como chuva, onde cai ela toma forma. O Samba-reggae, o Ijexá, por exemplo, são pedaços de um todo e tudo isso é vivência. Essas variações são vivência. No Ilê Aiyê, você tem um um samba afro, muito ligado ao Samba-reggae, no Olodum são outras variações e [o mesmo vale] para o Malê Debalê e para o Cortejo Afro", pontua Ubiratan, em entrevista ao iBahia, enfatizando a importância dos Afoxés na manutenção destes ritmos.

Ritmos dançam entre a tradição e a atualidade

Apesar das interferências do racismo e questões mercadológicas, o movimento de resgate e a manutenção destes ritmos tradicionais ainda acontece em Salvador. Entre ir e vir, esses ritmos atravessam gerações e, por meio da valorização da herança afro-indígena, se mantém firme.

"Gosto muito da cara da Bahia de hoje. Com Luedji Luna, Baco Exu do Blues, Xênia, Larissa Luz, BaianaSystem, são artistas que fazem música com toda essa ligação com a ancestralidade e outra coisa: uma cara preta! Essa é a cara linda da Bahia", enfatiza Ubiratan.


				
					Do Ijexá ao Samba-reggae: ritmos que fazem a identidade de Salvador
Nova geração de artista têm valorizado a ancestralidade e mantido ritmos tradicionais vivos. Divulgação/ Lucas Cordeiro @cordeiro

O maestro contextualiza que, por muito tempo, a indústria preferiu investir em artistas brancos, que cantavam ritmos criados, nascidos e mantidos em comunidades negras. Dessa forma, o aspecto mercadológico da música, que opera dentro de uma lógica racista, transformou a "cara da Bahia".

"Aconteceram muitas questões de apropriação cultural no passado. Eles viam pessoas brancas que eram esteticamente interessantes para eles e foram fabricando uma série de bandas com uma cara que não era tão representativa, não era a cara da Bahia", diz.

'Faça música brasileira'

A manutenção do Ijexá, do Axé, do Samba-reggae e todas as suas variações é também uma forma de manter a música brasileira. Complexa, rica e ligada as comunidades tradicionais, seriam precisos mil anos para entender completamente a música feita no Brasil. Diante disso, porque não se dedicar a essa missão enquanto músico?


				
					Do Ijexá ao Samba-reggae: ritmos que fazem a identidade de Salvador
Do Ijexá ao Samba-reggae: ritmos que fazem a identidade de Salvador. Foto: Canva Fotos

"Você pode tocar a música que você quiser. Já que se pode fazer isso, [risos] então vamos fazer música brasileira. Já tem muitos alemães fazendo música alemã, muitos franceses fazendo música francesa e a gente precisa entender que cultura é cultivar", aconselha Ubiratan.

"E ninguém está querendo aniquilar nada. Eu ouço música do mundo inteiro, mas sou brasileiro, então valorizo e coloco a música do Brasil em primeiro lugar", finaliza ele.

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