Mãe Loira pede revisão judicial após prisão e detalha agressões do ex-marido: 'Roleta-russa'
O processo e as denúncias estão documentados; saiba o que diz a defesa do nome forte do funk

Na tarde desta sexta-feira (25), a ex-vereadora e ex-apresentadora do Furacão 2000, Verônica Costa, presa na noite desta quinta-feira (24), adicionou nova informação e documento oficial em projeto de defesa. Após trocar a antiga advogada pela profissional criminalista Maíra Fernandes, Mãe Loira pediu pela revisão criminal no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

O pedido realça a existência de um boletim de ocorrência realizado em 2010, onde prova que na época, Verônica afirmou a polícia ter sofrido episódios constantes de violências cometidos por Márcio Costa. Agressão física e psicológica, ameaças com armas de fogo e até "roleta-russa" foram denunciados pela "Mãe Loira do Funk".
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Além dos episódios que supostamente atentaram contra a vida de Verônica, no documento também relatava uma suposta retirada do dinheiro que era destinado à campanha eleitoral da ex-vereadora.
Na situação, segundo a defesa e a filha de Verônica, ela teria ido até a delegacia e solicitado uma medida protetiva de urgência contra Márcio, negado, segundo o apresentado pela defesa da mulher. Meses depois outra caso contra a ex-esposa teria sido cometido, quando ele supostamente roubou e agrediu Verônica. A atitude teria gerado a revolta de amigos e familiares da ex-Furacão 2000 que sequestraram e torturaram o homem.

A defesa ainda afirma que não considera a reação dos entes queridos da ex-vereadora como forma adequada de resolução de conflito, mas pede para que a justiça analise o crime a partir das denúncias feitas em 2010, pedido de medida protetiva negado e das condições referentes a segurança da mulher no período.
"Hoje, uma mulher que relata agressões, violência patrimonial e ameaças com arma encontra uma legislação mais detalhada e mecanismos de proteção que foram fortalecidos ao longo de 16 anos. Não podemos analisar o que aconteceu em 2010 como se toda a estrutura existente hoje estivesse disponível naquela época. [...] O processo precisa ser analisado a partir de toda a história, e não apenas do episódio final. Meses antes, ela havia procurado o Estado, registrado as agressões e solicitado proteção”, relatou Maíra Fernandes.
A defesa de Márcio, quando procurada pelo G1, negou que ele tenha cometido qualquer violência ou crime contra a ex-mulher.

Saiba mais sobre Verônica
Verônica Chaves de Carvalho Costa nasceu em 1974, no Rio de Janeiro. Cresceu em uma comunidade da Zona Norte, perto do Morro do Juramento. Aos 16 anos, conheceu o empresário Rômulo Costa, com quem teve dois filhos, Jonathan e Jennifer. O casal se separou em 2001.
Ela ganhou projeção ao apresentar programas e bailes da Furacão 2000, tradicional holding do funk carioca. Por defender as demandas do público do gênero e atuar por sua valorização, ganhou o apelido de "Mãe Loira do Funk". Depois de deixar a Furacão, fundou o selo Glamourosa. Mais tarde, casou-se com Márcio Costa.
Em fevereiro de 2011, Márcio procurou a delegacia e acusou Verônica, então sua mulher, e quatro parentes dela de agredi-lo por mais de 20 horas na casa do casal, no Recreio dos Bandeirantes.
Segundo a investigação, o irmão, a irmã, o cunhado e o padrasto da parlamentar, por ordem dela, o amarraram no banheiro. Márcio contou que teve pulsos e pés presos com correntes e corda, que jogaram um produto químico em seu corpo e que ameaçaram atear fogo.
Em primeira instância, Verônica recebeu pena de cinco anos e dez meses. O Ministério Público recorreu, e a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça elevou a pena, por unanimidade, para dez anos e oito meses. Ao longo de todo o processo, a ex-vereadora negou ter torturado o ex-marido.
Até ontem ela era considerada foragida da Justiça. Levando em consideração que a Polícia Civil do Rio tentou cumprir o mandado de prisão na quarta-feira (23), mas não a encontrou em casa. Agentes da Divisão de Capturas também foram a outros endereços, sem sucesso.
Na noite desta quinta-feira (24), Verônica foi presa em Petrópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro.
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