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Coação eleitoral

MP aciona PF após Rico Melquíades ameaçar demitir funcionária petista

Órgão acionou a Polícia Federal após ex-pré-candidato gravar vídeo associando demissão à escolha partidária de colaboradora

Naiana Ribeiro

Naiana Ribeiro

- há XX semanas
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O Ministério Público Eleitoral (MPE) em Alagoas solicitou que a Polícia Federal (PF) investigue um vídeo publicado pelo influenciador Rico Melquiades, no qual ele questiona funcionárias sobre as preferências políticas e declara a demissão de uma delas após associá-la ao Partido dos Trabalhadores (PT).


					MP aciona PF após Rico Melquíades ameaçar demitir funcionária petista
O influencer Rico Melquiades. Foto: TV Senado/Reprodução

Rico lançou neste ano uma pré-candidatura a deputado federal por Alagoas pelo PSDB. Filiado à sigla em abril, ele desistiu da disputa em julho, justificando compromissos profissionais e um contrato com uma emissora de televisão que seria incompatível com a campanha.

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No material que motivou a atuação do órgão, o influenciador surge ao lado de funcionárias e indaga quem é o responsável pelo pagamento dos salários delas. Diante da resposta de que ele próprio paga, o influenciador afirma que não deseja apoiadores do PT trabalhando no local.

Em seguida, o criador de conteúdo passa a interrogar as trabalhadoras sobre suas posições políticas. Uma delas relata ter apoiado o partido no passado, mas que mudou de ideia. Ao interpelar outra colaboradora, o influenciador a vincula à legenda e decreta o desligamento.

"Não quero petista aqui dentro [de casa] também. Você vai ser PT, Manuela? [...] Tá demitida. Tá demitida. [...] Traga sua carteira, já demitida. [...] E quem paga ele não é o PT. Vai para o PT. Vai para a rua", disse o influenciador no vídeo.

Manuela responde aos questionamentos apenas com um “aham”. Outra funcionária, que não teve a identidade divulgada na gravação, relatou que já foi petista, mas que acabou desistindo de apoiar candidatos da legenda devido ao trabalho.

Investigação por coação eleitoral


					MP aciona PF após Rico Melquíades ameaçar demitir funcionária petista
Rico Melquiades. ​Foto: Reprodução/Instagram

Segundo informações do g1, o episódio é avaliado pelo MPE com amparo no artigo 301 do Código Eleitoral, que tipifica como crime o uso de violência ou grave ameaça para forçar alguém a votar, ou deixar de votar, em determinado candidato ou partido, independentemente de a pressão surtir o efeito desejado. A pena estipulada é de até quatro anos de reclusão, somada ao pagamento de multa.

O procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, pontuou que o cenário demanda apuração devido à possibilidade de emprego da relação de trabalho como instrumento de interferência na escolha política das funcionárias. Para o órgão, a condição de empregador e o poder econômico não devem servir como mecanismos de coação sobre o eleitorado.

O MPE frisou também que uma eventual justificativa de que a gravação tratava-se de uma brincadeira não descarta a necessidade de investigação, visto que a ameaça de desemprego por motivação política pode configurar constrangimento à liberdade de voto.

Desdobramentos na Justiça Eleitoral

Além do envio do caso para a investigação criminal conduzida pela PF, o Ministério Público Eleitoral comunicou a intenção de submeter o episódio à Justiça Eleitoral para requerer providências voltadas a barrar a continuidade ou a reincidência de condutas equivalentes.

O órgão reforçou que o voto é sigiloso e que os trabalhadores estão desobrigados de revelar preferências partidárias ou de candidatos aos seus empregadores, reiterando que o vínculo empregatício não pode servir de interferência na autonomia política do cidadão.

Assista ao "De Hoje a Oito", podcast de entretenimento do Ibahia:

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