Número de votos inválidos diminuiu 82% com urnas eletrônicas, aponta estudo


Urna eletrônica
Foto: Pedro Sampaio/Ascom TRE-BA

Um artigo publicado pelo professor Marcus André Melo, da Universidade Federal de Pernambuco e ex-professor visitante do MIT e da Universidade Yale (EUA), aponta que o uso de urnas eletrônicas nas eleições no Brasil reduziu o número de votos inválidos.

A informação foi divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (9). Segundo o estudo, os votos inválidos eram comuns na época em que as pessoas votavam por meio de cédula de papel, porque ocorriam erros ou rasuras, que impediam a contagem.

Implantada gradualmente a partir das eleições municipais de 1996, a urna eletrônica chegou a todas as seções eleitorais do país quatro anos depois, nas eleições municipais de 2000.

Além de encerrar de vez a era da votação em cédula de papel, o equipamento foi responsável, ao longo desses 26 anos de implantação, por um fenômeno que repercutiu profundamente no exercício do voto das eleitoras e eleitores analfabetos ou com baixa escolaridade.

Recuo drástico

Na publicação, Marcus André Melo mostra que, em 2000 – justamente o ano em que eleitoras e eleitores passaram a votar integralmente na urna eletrônica –, os votos inválidos recuaram de 41% para 7,6%, o que representa a diminuição dos 82%.

Essa redução ocorreu por ser mais fácil digitar a numeração de candidata ou candidato preferido no teclado da urna eletrônica do que marcá-la em papel, antes de depositar o voto em uma antiga urna de lona.

Segundo o TSE, é por essa razão que o professor sustenta que o ataque às urnas eletrônicas representa um ataque  ao  voto dos mais pobres: eram os analfabetos ou o eleitorado com baixa alfabetização que mais erravam na hora de preencher os formulários de votação.

Campeão de votos inválidos  

O autor do artigo ressalta ainda que, entre 1980 e 2000, o Brasil ostentava o título do campeão de votos inválidos na América Latina e que o surgimento da urna eletrônica teve um “impacto avassalador”, para melhor, no voto do analfabeto.

Marcus André Melo afirma também que a Emenda Constitucional nº 25/1985, que garantiu o voto dos analfabetos, teria sido simbólica, uma vez que foi a urna eletrônica o equipamento que emancipou  ‘de  fato’ o eleitorado pobre e analfabeto para o exercício regular do voto.

Ao tornar o ato de votar mais simples, sem a necessidade da escrita, mas somente de digitação, a urna eletrônica ampliou, portanto, a cidadania e acabou contribuindo para o aumento significativo do número de votos válidos, o que favoreceu uma democracia mais inclusiva e participativa.

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