2 de Julho

‘Independência da Bahia’ ou ‘Independência do Brasil na Bahia’: existe termo correto? 

De acordo com o historiador Jaime Nascimento, o 2 de Julho é a consolidação da Independência brasileira

Nathalia Amorim
30/06/2022 às 7h00

4 min de leitura
Foto: AHMS/Secult [disponibilizada no portal 2 de Julho]

Historicamente, o 7 de setembro e o 2 de julho marcam um grito de liberdade no Brasil. O primeiro, em 1822, o segundo, em 1823. Mesmo após o “Independência ou Morte” de Dom Pedro às margens do Ipiranga, os portugueses ainda resistiram na Bahia e outras províncias. No início do século XIX, em solo baiano, as revoltas contra o poder colonial tomavam proporções maiores, que resultariam na Independência do Brasil na Bahia. Mas, por quê não, Independência da Bahia? 

De acordo com o historiador Jaime Nascimento, o 2 de Julho é a consolidação da Independência brasileira por causa da importância do período, que, de fato, oficializou a Independência inicialmente proclamada por Dom Pedro em 7 de setembro de 1822. Segundo o especialista, o brado foi apenas um ato político, institucional, enquanto que as batalhas travadas em outras províncias consolidaram a saída total dos portugueses do território nacional. 

“Durante muito tempo se chamou Independência da Bahia, mas, depois de entender a importância do período, passou a ser vista como Independência do Brasil na Bahia”, diz.

O historiador argumenta que a luta não foi só pela Bahia. Por estar em uma posição geográfica, política e militar importantes, ganhar a guerra aqui significava ganhar os outros estados, tanto para os portugueses quanto para os brasileiros. 

“A luta aqui começou primeiro, em fevereiro de 1822, com o assassinato de Joana Angélica no Convento da Lapa, e terminou depois. Havia uma disputa da Corte, e o governo provisório de Portugal mudou todos os comandantes militares das províncias. Saíram brasileiros e entraram portugueses. Houve briga. Sai não sai. Quando Madeira de Melo tomou posse, ele liberou os soldados para ‘tocar o terror’ e assassinou Joana Angélica, sendo o estopim”, conta o historiador. 

Muitos especialistas também defendem que, os fatos ocorridos na Bahia, ressaltam “a ideia de heroísmo contra a tirania e crueldade dos portugueses”, como indica Braz do Amaral no livro “História da Independência na Bahia”, de 1957.

Foi apenas em 2 de Julho de 1823, quase um ano e meio depois do início das batalhas, que o povo, com facões, enxadas e todo tipo de objeto que servisse como defesa, conseguiu, enfim, tomar o território e vencer as tropas portuguesas.

“O povo fez a Independência da Bahia e como consequência a do Brasil”, afirma.

Então é errado chamar “Independência da Bahia”?

Foto: AHMS/Secult [disponibilizada no portal 2 de Julho]

Não, é apenas incompleto. Jaime Nascimento ressalta que adotar somente o termo “Independência da Bahia” resumiria a luta apenas aos baianos, o que não era o caso. Muitos historiadores, como Luís Henrique Tavares, um dos mais influentes pesquisadores sobre o assunto, defende que a Guerra da Independência na Bahia não independe do cenário nacional, e é na verdade uma “costura política”.

Isso passou a ser consenso ao longo anos e o que se clama, hoje, é um reivindicação nacional para o fato.

“Já se tornou acatado, é um ponto pacífico porque você amplia a importância do que aconteceu. O que existe é uma reivindicação para que isso seja reconhecido em nível nacional. Não é só o 7 de setembro. É o 7 de setembro e outras datas”, reflete o historiador Jaime. 

Ele enxerga não como eufemismo, mas um reconhecimento de fato histórico e que mudou a conotação dos acontecimentos. 

“Talvez, se não fosse por essas lutas e essa expulsão dos soldados daqui, talvez a gente estivesse dividido, como foram divididas outras colônias espanholas. Ficavam o Brasil de Dom Pedro no Sudeste e o de Portugal aqui no Nordeste. É um exercício de imaginação. A luta da Bahia foi importante por isso. Manter o domínio dos brasileiros sobre essas regiões”, avalia. 

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