Com taça em forma de Elevador, tricolores provocam rubro-negros


Brincadeiras tomaram conta da capital baiana

Dizem que o pior do chifre não é a traição em si. É a chacota. No futebol é a mesma coisa. O pior de perder um clássico decisivo não é ficar sem o título, mas aguentar as gozações. Na segunda-feira, dia internacional de encher o saco do torcedor rival, “os Vitória” sofreram o pão que Marcelo Lomba amassou na mão “dos Baêa”.

Da noite pro dia, após levantarem a taça esperada por 10 anos, os tricolores fizeram pipocar por aí muito mais piadas que uma edição inteira do Zorra Total. Uma delas parece já ter nascido pronta, feita sob medida para a zoação em cima dos rubro-negros. O troféu erguido pelos jogadores, um Elevador Lacerda estilizado de 20 kg, despertou rapidinho a inventividade maldosa dos vencedores.

“Pra o Vitória subir da segunda para a primeira divisão vai ter que pedir permissão pra gente. O elevador agora é do Bahia e ninguém tasca. Nem adianta pedir emprestado”, largou o aposentado Carlos Alberto dos Santos, 66 anos, repetindo o que mais se falava ontem nas redes sociais, no trabalho, nas escolas, enfim, nas ruas.

Bem na frente do Lacerda de verdade, no Comércio, Carlos Alberto e mais dois tricolores pegaram para “Douglas” (vilão do Ba-Vi) o segurança Jairo Santana Rocha, 53 anos, dos poucos rubro-negros a ousar vestir a camisa do Leão. “Você vai ter que dar outro jeito pra subir, porque de elevador você não vai, não”, aconselhou a árbitra de basquete Vitória Régia Lima que, apesar do nome, é Bahia.

Rubro-negro espirituoso, Jairo levou tudo na esportiva. “Rapaz, se não tem o elevador a gente vai de Plano Inclinado”, disse ele, sem esperar nem três segundos para ouvir uma tréplica. “Esse Plano Inclinado só vive quebrado, velho. Vocês vão ter que subir é pela Montanha mesmo. Por lá, deve levar uns 15 anos”, brincou o aposentado Manoel dos Santos, 73 anos, que acabava de voltar da Igreja do Bonfim, onde cumpriu promessa pelo título.

Estabeleceram-se vários duelos de pulhas pela cidade. Tudo em cima do mesmo tema: o elevador. “O avião deles caiu ano passado. Este ano não tem elevador. E agora? Eles vão subir de quê?”, perguntou o taxista Lucas Prata, 22 anos, que tirava um cochilo na fila. “Ontem foi água dura”. Mas os rubro-negros não deixaram de contra-atacar.

“Deram a taça certa para o time certo. O ‘Jahia’ é um sobe e desce da zorra”, provocou a estudante Fabiele da Conceição, 17 anos, outra vestida de Vitória, só que na Piedade. “A gente dá uma camisa do Vitória para o Homem-Aranha escalar o elevador”, emendou o vendedor de água mineral e rubro-negro Antonio dos Santos Silva, 47 anos. “Se eles não ganhassem essa ontem, ia ter um monte de gente tendo enfarte e parada cardíaca”.

Para pôr um fim nas discussões, o também ambulante Carlos Eduardo Santos, 29, apegou-se à superioridade de estaduais conquistados pelo Bahia, que agora soma 44 títulos contra 26 do Vitória. “Agora só quero ser campeão em 2032. Pelos meus cálculos, é o tempo que precisa para eles alcançarem a gente”.

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