Da roça de algaroba para o BaVi: zaga do Leão tem Ednei e mais um
Zagueiro terá a companhia de Saimon no jogo de domingo, no Barradão. Kadu cumprirá suspensão após ter sido expulso

Do nada, ele apareceu na Toca em julho do ano passado. De início, apenas para aprimorar a forma física. Sem esperança de permanecer, o desconhecido Ednei acabou chamado pelo então técnico Jorginho para participar de um jogo-treino contra a seleção de Santo Amaro. Agradou, recebeu elogios, mas em seguida, ainda sem contrato, pediu pra sair após convite do Fortaleza. Convencido pelo ex-coordenador de futebol João Paulo a ficar, o zagueiro assinou contrato um mês depois, já renovou até dezembro de 2017 e hoje é titular absoluto do Vitória.
Domingo, o baiano do povoado de Medrado, em Andorinha, no Norte do estado, vai viver a emoção do seu primeiro Ba-Vi. E ao final dos 90 minutos Barradão, espera ver a cena que marcou sua infância: todos felizes com a pescaria.
Brincadeira à parte, vara e anzol são sinônimos de seriedade para Ednei, 24 anos, que começou a trabalhar ainda menino catando entulho no lixão e, aos 12 anos, já pescava e dava duro na roça, onde colhia algaroba para vender a criadores de animais - as duas atividades rendiam R$ 100 mensais.
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"Mesmo na roça, nunca deixei de pegar meus babinhas. Quando dava quatro da tarde, eu partia pra jogar bola. O sonho foi ficando mais longe, estava se apagando. E depois de muito andar no futebol, aqui estou. Muito contente e com muita vontade de estrear no Ba-Vi pra sentir o que muitos jogadores que aqui passaram sentiram. Entrar pra história com um gol, uma bola afastada em cima da linha... Quero fazer história no Ba-Vi. Quero ser lembrado como campeão", conta Ednei.
Vontade de menino, o zagueiro chega ao seu primeiro clássico baiano tranquilo, apesar da desconfiança de alguns sobre seu futebol e sobre a defesa do Leão. "Por eu não ter jogado aqui, muitos não me conhecem. Eu tenho condições de jogar no Vitória. sei que não vou agradar a todos, mas o que me importa é a avaliação da comissão técnica e vou permanecer como titular por muito tempo aqui. Só vai depender de mim", comenta.
Arreio de ouro - Apesar de novo, a carreira de Ednei é extensa. Praticamente sem base, surgiu para o futebol na conquista do Intermunicipal de 2007 por Senhor do Bonfim. Visto na ocasião por Carlão, atual diretor da base do Leão, acabou encaminhado ao Votoraty-SP e rodou por Uberaba-MG, Comercial-SP, Barueri, CRB, Catanduvense-SP, Atlético-GO, Audax-SP, Botafogo-SP e Astra, da Romênia. Rodagem que não fez o filho de dona Evaneide deixar o jeito de "bicho do mato", como era chamado no CRB. Amante da vida caseira, da vaquejada e fã da banda Arreio de Ouro, ele não frequenta a casa dos novos amigos da Toca e pouco usufrui do que Salvador oferece em diversão.
Com perfil de cabra do interior, o beque esbanja conteúdo musical. Além do forró, curte hip hop e é fã do ex-rapper americano Tupac Shakur, morto em 1996 com quatro tiros. "Ele tem uma história que vai embolando a sua mente, muito boa de se ler. Ele cantava grandes ideias", avalia o zagueiro, que terá a companhia de Saimon no clássico porque Kadu está suspenso. Luiz Gustavo ainda não está regularizado.
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