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Júnior fala sobre drama no futebol e de bastidores na dupla BaVi

"Diabo Loiro" admitiu que quase deixou de jogar para se arriscar em oficinas ou restaurantes

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20/03/2014 às 14:23 • Atualizada em 02/09/2022 às 4:16 - há XX semanas
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Júnior Sanabio, Júnior Pipoca ou simplesmente Diabo Loiro. Todo torcedor baiano certamente já ouviu falar em algum destes nomes, independente do time do coração. O atacante marcou o futebol baiano não apenas pelos gols que fez, mas pela irreverência dentro de campo.
"Brocador" no Leão, Júnior ficou famoso por cavar a cova do rival, Bahia, em 2010
Com uma bela passagem pelo Vitória no ano de 2010, o atleta rapidamente conquistou a antipatia da torcida tricolor. Além de ser um "brocador" nato e sagrar-se artilheiro do Leão no estadual, o centroavante mostrou que veste a camisa e se empolga nas quatro linhas. Nas finais do Campeonato Baiano de 2010, Júnior balançou as redes e, na comemoração, ficou marcado por cavar a cova do Bahia em Pituaçu e no Barradão.
Em 2011, quando já havia deixado o Rubro-negro, o Diabo Loiro foi convidado pela diretoria do Bahia para vestir a camisa tricolor e imediatamente aceitou o desafio. O atleta fez as malas e voltou à capital baiana. Seu maior desafio foi driblar a desconfiança dos tricolores, mas em pouco tempo ele conseguiu o seu primeiro feito. Conquistou o carinho dos torcedores do Bahia e, de quebra, se tornou vice-artilheiro da equipe durante a disputa do Baianão de 2012, com 9 gols.
No Bahia, o "Diabo Loiro" driblou a desconfiança da torcida e se tornou vice-artilheiro
A história de Júnior, no entanto, não é construída apenas de alegrias. O atleta viveu um drama na sua trajetória e chegou a pensar em desistir do futebol. O Correio24Horas conversou com o atleta, que contou tudo sobre o seu retorno aos campos. Confira a entrevista na íntegra:
Em 2014, quando enfrentou o Vitória pela primeira vez, Júnior marcou dois gols
Você tinha tudo para ser ídolo no Vitória, mas a relação é estremecida. Ficou alguma mágoa?
Eu não tenho mágoa nenhuma do Vitória, mas não posso dizer que tenho amor. O que eu sinto é respeito. O torcedor não entendeu quando eu deixei o clube e alguns me acusaram de ter trocado o Vitória pelo Bahia, mas não foi nada disso o que aconteceu. Quando deixei o Vitória, ninguém quis negociar ou tentou me manter no clube. Acabei indo para o Ceará, onde não fui bem, estava infeliz. Eu também disse que queria voltar para a Bahia, mas, novamente, ninguém do Vitória me quis, então o Bahia me procurou fazendo boa proposta e eu aceitei. A vida tem que seguir. Não posso dizer que tenho amor porque não é recíproco. Nunca recebi uma homenagem no Vitória por tudo o que eu fiz, nunca aconteceu nada do tipo comigo. Existe carinho pela torcida, tanto do Bahia, quando do Vitória. Mas independente disso tudo, me sinto muito feliz e realizado por tudo o que eu construí no futebol baiano.
E com o Bahia? Existiu algum trauma na sua saída?
A minha saída do Bahia foi prematura. Eu era vice-artilheiro daquele ano, ficando atrás apenas de Souza, e olhe que eu joguei bem menos que ele. Quando o Jorginho chegou, ele mandou alguns jogadores que se dedicavam e vestiam a camisa do clube embora. Ele simplesmente não foi com a minha cara e eu tive que sair. Não digo nunca que fui injustiçado, mas eu poderia ter ajudado muito mais. Sei que muitas vezes a culpa das rescisões são do treinador, e não da diretoria. Ele chega, não vai com a sua cara, e às vezes você sai. É uma pena, fui prejudicado naquele segundo semestre, porque nem me deram a chance de jogar direito.
Você ficou longe dos gramados por seis meses. Por que?
Eu fiquei seis meses sem jogar, cheio de problemas particulares e, em determinado momento, decidi que eu ia abandonar o futebol. Larguei tudo de mão e fiquei apenas frequentando academias, por conta da saúde. Cheguei a tentar abrir um negócio, procurei franquias, oficinas, restaurantes, tudo. Voltar a jogar foi uma prova para mim mesmo de que eu não estou morto. Provei que tenho plenas condições de jogar.
Por que voltou atrás e decidiu retornar ao futebol?
Eu desisti de abandonar o futebol porque percebi que tudo na minha vida está ligado a isso, que é o que eu amo fazer. Eu tive que voltar. Coloquei a minha cabeça no lugar e, graças a Deus, encontrei o parceiro errado. O negócio não chegou a dar certo. Parece que era Deus me dando um puxão de orelha e falando: "ei, rapaz, volte a jogar bola. Você ainda tem muito o que fazer". Desde então me dediquei muito aos treinos na academia e, depois, aceitei o convite da Juazeirense.
Como foi esse reencontro com a bola?
Foi muito bacana. Na noite anterior ao convite da Juazeirense, eu sonhei que estava na Bahia. Pouco depois, recebi um telefonema e aceitei o convite. Estou empolgadíssimo e nem consigo descrever a alegria que eu senti ao voltar para esse universo. Juro que estava morrendo de saudade até das concentrações e, claro, da resenha dos vestiários.
Essa superação toda te emociona muito...
Impossível não ficar emocionado. Não pelos resultados em campo, mas por poder ver que superei a mim mesmo, pela minha realização pessoal. Fazia tempo que eu não passava por uma coisa assim na minha vida. Eu provei para mim mesmo que eu posso, que eu tenho condições. Ao voltar para o futebol eu recarreguei as baterias, recarreguei a alma.
Já existem novas propostas para atuar no Campeonato Brasileiro?
Hoje estou bem, muito feliz e aberto a qualquer negócio. Se me ligarem com uma boa proposta na China, eu vou. Na minha carreira, só joguei Série A até hoje, mas já recebi propostas das séries B e C. Me procuraram desde o ano passado, mas achei melhor segurar, dar um tempo. Quero um clube que me dê uma estrutura bacana e estou analisando as propostas. Sei que centroavante não é tão fácil de achar e não posso me vender barato ou a qualquer preço. Escolhi jogar agora pela Juazeirense porque sabia que a Bahia abriria portas para mim . É aqui que sou feliz. A minha vida estava muito monótona em Fortaleza (risos).
E se tiver proposta da dupla BaVi? Quem escolheria?
Acho muito mais fácil fechar com o Bahia, até porque nós ainda temos pendências. Estou aberto a negociar e seria um prazer voltar a ajudar o clube. Também negociaria com o Vitória, que é uma grande equipe e precisa de jogadores experientes. Eles têm bons jogadores, mas são muito novos. Acho, sinceramente, que o Vitória também precisa de jogadores de peso.
Curiosidades
Durante a entrevista, Júnior revelou ainda algumas curiosidades sobre a sua carreira como jogador de futebol.
Você tem alguma superstição?
Tenho! Na verdade, é uma coincidência. Quando é dia de chuva, eu sempre digo que vou brocar, vou lá e faço gol. Choveu em Salvador, o Diabo Loiro vai brocar. Costumo chamar a chuva de "minha chuva de bênção".
Muita gente diz que você só tem a perna esquerda...
Rapaz, já ouvi muito isso, mas eu dou risada. O carrinho do gol contra o Vitória foi com a direita, até dei risada disso. Mas eu admito que durante o ano inteiro só faço uns dois ou três gols com a direita. De alguma forma eles têm razão. (risos)
Você não gostava do apelido Diabo Loiro, mas virou até seu nome no Twitter...
Eu achava estranho, mas lido com isso há quatro anos já. Eu nem ligo mais, porque encaro como um carinho do torcedor. Acho que o apelido surgiu porque eu infernizo a zaga adversária. Não é algo maligno. O que importa é que para a minha mãe eu continuo sendo chamado de Júnior!
Como foi enfrentar o Vitória pela primeira vez?
Foi ótimo. Fiz logo dois gols e me diverti muito. Em um momento do jogo dei um drible e virei a cara para a torcida. Fui muito xingado, mas aquilo é só a minha forma de mostrar que estou feliz, é a minha forma de demonstrar alegria. Agora, na minha carreira, eu só quero saber de aproveitar cada segundo das partidas. Quero brincar, disputar bola, brigar com jogador e fazer tudo o que eu não fiz no passado. Matéria original: Correio* Entrevista: Júnior fala sobre drama no futebol e revela bastidores na dupla BaVi

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