Artistas visuais negros do recôncavo da Bahia ganham destaque em projeto com lançamento em agosto


Foto: Reprodução

Um livro cartográfico vai contar a vida e a obra de artistas negros das cidades que margeiam as águas douradas do Rio Paraguaçu. Intitulado “Traço Negro – Negres Nas Artes Visuais do Recôncavo da Bahia”, o livro da conterrânea é multiartista Tina Melo é escrito em dois tempos e será lançado no dia 13 de agosto, em formato e-book, no youtube do projeto.

Também será lançado um documentário e exposição online, de título homônimo. Os três produtos estarão disponíveis no site oficial do projeto.

Como lançamento oficial, no dia 13 de agosto, a partir das 16h, um evento totalmente gratuito contará com os artistas e equipe técnica do projeto. O público poderá assistir a primeira exibição do filme e realizar uma visita guiada à galeria virtual, além de bater um papo com a autora e os convidados.

O projeto é resultado do Mestrado em História da África, Diáspora e dos Povos Indígenas de Tina Melo na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. O projeto visa refletir sobre a invisibilização de artistas visuais negros em Cachoeira e São Felix, apresentando possibilidades de afirmação dessas histórias de vida e de produção.

O livro, o documentário e a exposição mergulham na trajetória desses homens e mulheres. A idéia é que cada produto do projeto possa apresentar um aspecto diferente da trajetória de vida e da arte dessas pessoas, de maneira poética e afirmativa. No livro, que ficará disponível para download por tempo indeterminado no site Traço Negro, traz uma linguagem poética que flui numa abordagem de inspiração biográfica, sem pretensões descritivas, que constrói imagens de vida e trabalho, em narrativas espiralares.

O projeto

O documentário, um filme de depoimentos escreviventes, com falas em primeira pessoa, apresenta traços, caminhos e memórias desses artistas, suas inspirações, anseios, motivações e percepções do território, do fazer artístico, da vida e do olhar para o mundo. Um retrato descritivo a partir do lugar de e com a fala. Poderá ser assistido até 20 de agosto no Youtube e site do Traço Negro.

Já a exposição virtual, também disponível para visitação por tempo indeterminado, apresenta um pequeno recorte dessa vasta produção, que busca mais do que determinar um estilo ou tipificação de conceitos, apresentar a diversidade e complexidade de formas e ideias propostas por cada artista, em suas variadas linguagens.

Pluralidade

Aletícia Bertosa, Áydano Jr., Billy Oliveira, Biro, Diego Araújo, Deisiane Barbosa, Florisvaldo Ribeiro (Flor do Barro), Carlos Alberto do Nascimento (Fory), Gilberto Filho, Renato Kiguera, Celestino Gama (Louco Filho), Almir Oliveira ( Mimo) e seu filho Ronald Oliveira, Eraldo Souza Jr. (Pirulito), Rita de Cássia, Jonilson Rodrigues (Sininho) e Tina Melo. São estes us artistes de Traço Negro, que levam no olhar, no toque, na voz e no corpo, a memória viva de antepassados atlânticos.

Ao todo, 17 artistas compõem este primeiro mapeamento do Traço Negro. Há um décimo oitavo. No procesos criativo desse traço visual recôncavo, num mergulho nas águas negras e douradas, em 2017, J. Cardoso, o Doidão, fez sua passagem para o plano ancestral. O grande escultor cachoeirano deixou um imenso legado, contribuição inquestionável para a produção escultórica da Bahia e do Brasil. Hoje, uma lembrança alegre, um nome a ser guardado e ao qual o projeto rende uma homenagem

Em tempo, todo o material foi desenvolvido a partir de encontros, conversas, diálogos e trocas com us artistes, “processo intenso e fecundo, que alimenta a alma, o imaginário e as ideias”.

As primeiras entrevistas que deram origem ao livro foram feitas entre 2016 e 2017 em Cachoeira, quando visitou o ateliê ou residência de cada artista e gravava o áudio da conversa, a fim de investigar um pouco sobre suas trajetórias e processos criativos.

Confira o site do projeto para mais informações.

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