Literatura

Inspirado no filho, Lázaro Ramos lança segundo livro infantil

Lançamento gratuito acontece neste domingo (15), a partir das 14h30, na Livraria Cultura do Salvador Shopping

Redação iBahia
14/05/2016 às 14h31

5 min de leitura
Criança é muito curiosa e busca a todo momento aprender. Não tem medo de pergunta embaraçosa e tem sempre na ponta da língua um ‘por quê’. A rima capenga não é à toa. Ela foi inspirada no livro Caderno de Rimas do João (Pallas/R$ 35/40 páginas), que o ator, diretor e, também, escritor Lázaro Ramos lança amanhã, às 14h30, na Livraria Cultura do Salvador Shopping. A publicação, segunda na carreira do baiano, reúne uma série de verbetes que são traduzidos de forma rimada. A ideia partiu de uma brincadeira que o ator fazia com o filho João Vicente, hoje com 4 anos. “Uma brincadeira de explicar as coisas pra ele em rimas. E eu acabei fazendo um pequeno dicionário que é divertido para as crianças e um auxílio aos pais para explicar coisas do mundo que as crianças ainda não sabem”, explica Lázaro.

O ator, diretor e escritor Lázaro Ramos lança, amanhã, na Livraria Cultura, às 14h30, o seu segundo livro: Caderno de Rimas do João. A publicação traz verbetes que foram traduzidos em textos rimados. A ilustração é de Mauricio Negro

E nesse mundaréu de possibilidades, ele não teve pudor para escolher as temáticas. “Tem coisas simples como amor e a saudade, até as mais complexas como a morte”, dispara. A intenção é contemplar as questões que aparecem no cotidiano dos pequenos. “Eu fui vendo o que meu dia a dia ia inspirando. O que me guiou foi o sentimento do diário, as coisas que eu gostaria de colocar nas conversas com crianças”, afirma.Nesse impulso natural ele fala sobre pai, mãe e avós, sobre segredo, amigo e até sobre sotaque, autoestima, candidatos e sonegação. Teve espaço também para homenagear o ídolo Gilberto Gil. “Eu gosto muito de apresentar aos meus filhos e às crianças que convivem comigo alguns artistas que nem sempre estão na programação infantil deles. Quando eu coloquei Gilberto Gil nesse livro é porque, além de falar de um ídolo, dá para falar também do tropicalismo e colocar isso numa roda de discussão entre pais e filhos”, pondera o ator.Como não existe melhor forma de aproximar um leitor do que representando-o, Lázaro criou o personagem João que reflete todas as crianças em fase de alfabetização. E a ilustração de Mauricio Negro coroou o projeto. “Tem um personagem como esse, que é um personagem negro, porque é baseado no meu filho, e que traz uma representatividade sim para as crianças que forem ler. O herói da nossa história é esse menino encantador e o ponto de vista dele. Então esse ponto de vista tinha que ser ilustrado com o máximo de poesia e com potência”, avalia.Levada infantilPara ele, não haveria desenho melhor para dar a carga de importância que a ilustração desse projeto merecia. “Porque, para além da poesia, dos textos e dos verbetes que são propostos ali, e das provocações que são feitas ali, eu sei e compreendo que é a imagem para as crianças”, aponta. “E o Mauricio trouxe essa potência, então eu acho que as ilustrações são um grande atrativo do livro”, completa o ator.

A leveza de cada rima faz parecer que tem um garotinho ou uma garotinha lendo cada página no inconsciente do leitor. Essa naturalidade para falar a língua dos guris não veio de agora. Além de estar no seu segundo livro infantil, Lázaro também já escreveu peças de teatro voltadas para esse público. “Meu primeiro livro se chama A Menina Edith e a Velha Sentada e a minha primeira peça foi a Paparutas, que eu fiz em Salvador. A segunda peça foi a adaptação de A Menina Edith e a Velha Sentada e a terceira peça se chama Boquinha… E Assim Surgiu o Mundo, que acabou de estrear aqui no Rio”, conta.E ele não para por aí. Já está com outras ideias na manga e uma delas vem, provavelmente, da sua experiência como pai de Maria Antônia, sua caçula de 1 aninho. “ Acho que eu sempre escreverei para o público infantil. Cada dia que passa me envolvo mais. Agora eu tenho pensado muito sobre a questão das princesas e tenho pensado muito sobre a questão da origem do mundo. Enfim, as crianças me inspiram e acho que vai ser um processo contínuo”, conclui.

Correio24horas