Medalhista em Sydney, baiano Edvaldo Valério lembra conquista


As braçadas mudaram de ambiente. As piscinas de 50 metros deram lugar à imensidão do oceano. O objetivo também mudou. Antes, a luta era contra o cronômetro. Agora, a velocidade deu lugar à paciência e ao prazer de ensinar. O ex-nadador Edvaldo ‘Bala’ Valério é professor do Instituto AraKetu em Periperi. Na praia, o medalhista olímpico dá aulas de natação e vôlei a jovens de até 17 anos.

“Estou há dois anos e meio me dedicando a projetos sociais e estou encantado. Damos oportunidade a 700 crianças”, conta. Medalha de bronze no revezamento 4x100m em Sydney 2000, Valério está ansioso para ver o desempenho brasileiro em Londres. “Uma expectativa muito bacana, já que o Brasil tem alguns representantes com potencial na natação. É uma pena que a gente aqui da Bahia não vai levar nenhum representante”, cutuca.

Aos 22 anos, Edvaldo conquistou o bronze em sua única participação em Olimpíadas. Entrou pra história. “A minha carreira não foi fácil. Acordava cinco da manhã e saía de Itapuã pra antiga Fonte Nova para nadar. Foi uma realização de muitos anos, muitas braçadas, já que comecei com 3 anos. Foi muita ralação e abdicação. Deus apontou o dedo e disse que aquele era o meu momento”, lembra.

Nos dias que passou em Sydney, o baiano recorda do encontro marcante com o nadador russo Alexander Popov, dono de quatro ouros olímpicos. “Na época, a natação mundial reverenciava o Popov. Ele era referência, muito quieto e reservado”, contou. Quem também chamou a atenção do nadador foi Guga. Diferente de Popov, o tenista era só alegria na Vila Olímpica. “Gustavo Kuerten era um atleta muito acessível. Foi muito bacana da parte dele, acompanhar a nossa prova no Parque Aquático”.

No susto – No dia 16 de agosto de 2000, Edvaldo Bala pulou na piscina do Centro Aquático de Sydney para fechar o revezamento 4x100m para o Brasil. Mas a programação inicial não era essa. A responsabilidade na final foi dada por ninguém menos que Gustavo Borges e Fernando Scherer, o Xuxa. “O Gustavo Borges sempre fechava os revezamentos, mas na final mudamos a estratégia. Ele e Xuxa acharam por bem os dois mais experientes abrirem e deixar os mais novos para brigar ali no bolo”, explicou.

Edvaldo não tinha noção exata da conquista até os 25 metros finais. “Quando caí, sabia só que primeiro e segundo estavam distantes. Virei nos 50 metros e vi que estava entre quarto e quinto. Quando passei dos 25 finais, vi que dava e pensei: ‘Não perco mais. Essa medalha é nossa'”. A chegada também foi emocionante. “Quando bati na borda em terceiro, Xuxa estava ajoelhado e chorando muito e me agradecendo por ter alcançado aquele grande feito”.

Decepção – Edvaldo largou a piscina em 2010, aos 32 anos. Antes, passou quatro anos nadando em Belo Horizonte e Porto Alegre. Isso por falta de apoio local. “Dois anos depois de Sydney, eu perdi praticamente todos os meus patrocinadores e tive que ir para outros estados. A realidade da natação baiana é cruel”.

Medalhista em Sydney, baiano Edvaldo Valério lembra conquista