'Xixi' rejuvenesce? Conheça os prós e contras na estética


Será que o uso da urina na pele realmente ajuda no rejuvenescimento?

‘Xixi de jacaré’. Foi assim que Cora, personagem de Marjorie Estiano em ‘Império’, explicou seu surpreendente rejuvenescimento – antes a beata era interpretada por Drica Moraes. Ao ouvir o esclarecimento muita gente riu, mas o que pode parecer uma brincadeira de novela é levado a sério por alguns especialistas em estética.

A urinoterapia ou uroterapia é uma terapia alternativa que propõe como tratamento o uso da urina humana para fins medicinais e cosméticos. “A urina libera todos os componentes em excesso que o corpo não absorveu, a exemplo de vitaminas e proteínas, e tem mais de 200 deles que são favoráveis a renovação celular e regeneração dos tecidos”, afirma Maria Aparecida dos Reis, terapeuta de medicina complementar há 25 anos. Ela defende o uso do líquido em tratamentos estéticos: “Várias pessoas utilizam a urina para lavar o rosto pela manhã e vejo que elas têm uma pele fantástica, sem rugas e sem escamação”.

Mas essa técnica estética não é aprovada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A dermatologista Vitoria Regina Rego, membro da SBD e chefe do serviço de dermatologia da UFBA, explica que a pele é um órgão bastante sensível e que aplicar qualquer produto que não seja reconhecido pela Anvisa é extremamente perigoso. “A urina humana tem o PH ácido e pode agir de maneira irritante”, ressalta.

Diversos cosméticos têm ureia na composição


Indústria cosmética
É fato que muitos produtos cosméticos como hidratantes e cremes rejuvenescedores possuem em sua fórmula ureia – composto orgânico eliminado na urina ou pelo suor, mas eles não retiram essa ureia do ‘xixi’. Desde 1828, esse composto orgânico pode ser sintetizado artificialmente em laboratórios. “A urina realmente possui componentes em excesso excretados pelo organismo, mas esses mesmos componentes também estão na natureza de outras formas, podendo assim ser usados na indústria da beleza”, explica Vitoria Regina.

Maria Aparecida critica o fato de a urinoterapia não ser reconhecida na medicina convencional e pela Anvisa: “É triste que um tratamento milenar, utilizado em vários países como Índia e China, não seja admitido no uso estético e medicinal”. Ela complementa que a urinoterapia não é segura, não sendo iniciada de qualquer forma. “Existe uma preparação. O paciente faz uma dieta alimentar de 21 dias sem carne. A alimentação deve ser rica em verduras, legumes, vegetais e frutas”.

Veja também
Criolipolise: tudo sobre o tratamento que elimina as gordurinhas localizadas

‘Prós e contras’
Segundo a terapeuta, a melhor urina para fins estéticos é a da manhã. “É indicado descartar o primeiro jato e colher o restante. Para acne, por exemplo, uma boa dica é misturar a urina com argila”, afirma. Já a dermatologista contesta essa ideia. “A maior parte das pessoas pode não ter nenhum problema, mas se você for alérgico a algum componente e estiver com a pele sensível isso pode gerar consequências graves”, atesta Vitória Regina, que cita a planta aroeira como outro bom exemplo. “Para uns pode ser bom, mas para outros, ruim”, complementa.

A médica explica que é importante ressaltar que produtos ‘naturais’ não são sinônimos de produtos ‘seguros’, principalmente na área da estética: “Não estou invalidando a medicina popular, mas afirmo que as pessoas devem tomar cuidado com o que escolhem para aplicar na pele”. Ela afirma ainda que atualmente a indústria cosmética possui um arsenal de produtos com eficácia comprovada e com testes reconhecidos. “Já que avançamos tanto nessa área, para que fazer uso de uma técnica que não tem nenhuma comprovação científica?”, conclui.