Perigo

México registra 12 assassinatos de jornalistas neste ano, o mais letal para a profissão desde 2017

Repórter foi assassinado a tiros ao deixar a casa. A filha do jornalista estava com ele no momento e foi atingida

Agência O Globo
30/06/2022 às 1h00

4 min de leitura
Foto: Jornal Publimetro

A violência contra a imprensa no México fez uma nova vítima: o jornalista mexicano Antonio de la Cruz foi morto a tiros quando saía de sua casa, nesta quarta-feira, na Cidade Victoria, em Tamaulipas.  

No ataque, a filha do jornalista, cuja idade não foi divulgada, também ficou ferida. Segundo o governador de Tamaulipas, Francisco Cabeza de Vaca, os médicos “estão fazendo de tudo” para salvá-la. Já o deputado Gustavo Cárdenas, do minoritário Movimento Cidadão, do qual La Cruz era porta-voz, declarou à televisão Milenio que a mulher do jornalista foi baleada na cabeça.  – Condenamos energicamente seu assassinato; solicitei ao titular da Promotoria o compromisso de esclarecer os fatos, e que este crime covarde não fique impune – disse o governador.  A Promotoria afirmou que investiga o caso como um suposto ataque contra a liberdade de expressão. 

Segundo contagens de organizações que defendem a liberdade de expressão, De la Cruz é o décimo segundo jornalista morto em 2022 no México, considerado um dos países mais perigosos para os comunicadores. O total de mortos torna este ano o mais letal para a imprensa mexicana desde 2017, quando 12 jornalistas também foram assassinados no ano todo.  – Os principais suspeitos estão no governo do estado. Não tenho a menor dúvida de que sobre esses senhores recai uma responsabilidade importante – disse Cárdenas à imprensa. 

O homicídio de De la Cruz, que exercia o jornalismo havia 15 anos, também foi condenado pela Repórteres Sem Fronteira (RSF), que pediu uma “investigação imediata sem descartar” que a motivação foi seu trabalho como repórter. A organização também afirmou que está “documentando os fatos”. 

“Esses crimes não ficarão impunes”, advertiu no Twitter Jesús Ramírez, porta-voz do presidente Andrés Manuel López Obrador. 

De la Cruz, que trabalhava no diário regional Expreso, cobria temas relacionados ao campo e ao clima, mas em sua conta no Twitter costumava denunciar supostos atos de corrupção de políticos. 

“Esta manhã foi assassinado o jornalista Antonio de la Cruz, repórter do jornal Expreso. As primeiras notícias indicam que ele foi agredido em sua casa”, publicou o jornal em seu site. “Diante deste novo ato de violência, o grupo editorial Expreso-La Razón exige que as autoridades em todos os níveis façam justiça”, acrescentou o jornal em sua mensagem. 

Héctor González, que também trabalhou no Expreso, foi assassinado a golpes em 29 de maio de 2018, sete meses antes de uma cabeça humana ter sido abandonada em frente a suas instalações, em dezembro do mesmo ano. Já em maio de 2012, um carro-bomba explodiu na frente da sede do jornal.

Colegas de De la Cruz e o deputado Cárdenas afirmaram não saber se o jornalista havia recebido ameaças. A última nota que publicou foi sobre as altas temperaturas que foram registradas na terça-feira em Tamaulipas. 

Esse estado mexicano é cenário de contínuas ações violentas dos cartéis do narcotráfico, muitas vezes em conluio com autoridades civis e policiais. 

Antes De La Cruz, foram assassinados neste ano Yessenia Mollinedo, Sheila García, Luis Enrique Ramírez, Armando Linares, Juan Carlos Muñiz, Heber López, Lourdes Maldonado, Margarito Martínez, Roberto Toledo, José Luis Gamboa e Jorge Luis Camero.  Já o governo mexicano registrou nove assassinatos neste ano que resultaram em 26 detidos, dos quais nove já estão formalmente acusados.  Segundo a RSF, cerca de 150 jornalistas foram mortos no México desde 2000. A maioria dos caos segue impune.

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