‘Não passou pela minha cabeça parar de fazer shows’, diz Bell Marques ao completar 70 anos


Foto: Victor Mascarenhas

A música baiana tem motivos de sobra para comemorar nesta segunda-feira. A data, 5 de setembro, marca o aniversário de 70 anos de Washington Bell Marques da Silva, um dos maiores ícones da Axé Music.

E para celebrar a data, o iBahia traz uma entrevista especial com o setentista, que há alguns bons anos dá ao Carnaval de Salvador uma cara única, além de levar a energia da folia para outros cantos do Brasil e do mundo.

Ao site, o artista falou sobre a possibilidade de aposentadoria dos palcos e desconsiderou a pausa na carreira para os próximos anos. Segundo Bell, seus planos são de continuar cantando, seja em cima do caminhão, no palco ou em alto mar.

O veterano também revelou quais os planos para o Carnaval de 2023 e confirmou que segue como o único artista a se apresentar durante os seis dias de festa. Além de falar sobre os projetos que estão por vir para os próximos meses.

O iBahia ainda conseguiu arrancar algumas curiosidades sobre Bell Marques, como por exemplo o que toca na playlist do artista e se ele tinha planos de seguir em outra carreira antes de se tornar um dos maiores representantes da Axé Music no país. Confira:

Bell, você vem no sentido contrário aos artistas que chegam à sua idade. Enquanto alguns pensam em pausar a carreira, você traz ainda mais novidades para seu público. Como é continuar se reinventando na música?

Pra mim, é algo muito natural e faz parte de mim seguir cantando. Não passou pela minha cabeça ainda parar de fazer shows nem diminuir o ritmo, porque é, acima de tudo, um grande prazer pra mim. A música é uma das minhas maiores alegrias e não faria sentido eu parar só por causa de um número. Me sinto muito bem nos palcos e a saúde está em dia. Sobre reinvenção, não sei se é bem o termo. Me sinto mais jovem também por conta de Rafa e Pipo, que sempre me mantiveram atualizado e atento ao mercado atual, mas acredito que o segredo, pelo menos da minha carreira longa, é exatamente não se render a tudo que é passageiro, mas manter minha essência.

Foto: Reprodução/ Instagram

Os 70 anos chegam com um gostinho ainda mais especial com a confirmação do Carnaval em 2023, após dois anos sem a realização da festa. O que você prepara para os foliões no ano que vem?

Caramba, estou muito feliz e ansioso com o Carnaval em 2023 e com ele no formato que sentimos falta. Vai ser um grande presente pra Salvador. Já tenho os blocos confirmados, o Camaleão, o Vumbora e o Bloco da Quinta, que vai sair pela primeira vez. Com certeza, estarei em alguns camarotes, estamos avaliando alguns shows fora de Salvador também, mas nada muda e meus fãs podem ficar tranquilos, que sigo sendo o único artista a tocar todos os dias de festa.

Como manter a energia para aguentar o pique nos 6 dias de folia?

Eu levo um estilo de vida muito saudável. Acho que sempre foi um dos principais motivos da minha disposição. Além, claro, de fazer o que amo, com uma equipe que me deixa tranquilo e com os fãs que eu tenho a sorte de ainda conquistar. É uma energia que não se explica e dá forças pra fazer o percurso tantos dias seguidos e ainda tocar nos camarotes ou fora.

Foto: Alfredo Filho/ Secom

Recentemente um encontro seu com Claudia Leitte nos bastidores de um show viralizou na web. Nele, ela falava sobre você ser uma das inspirações dela no Axé. Como você se sente sendo referência para a música?

É uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma honra saber que sigo inspirando. Significa que algo estou fazendo certo! (Risos)

Como você descreveria seu momento da carreira atualmente?

Revigorante, eu diria! Depois de tanto tempo recluso, poder voltar a fazer o que mais amo, nos palcos, com público, com a energia única dos fãs, me sinto vivo, revigorado.

Foto: Reprodução/ Instagram

Para além do Carnaval, o que você prepara para a carreira em 2023? Vai ter CD com músicas inéditas? Vumbora Pro Mar?

Acabei de disponibilizar no Spotify um álbum ao vivo do último Fortal, que traz uma música muito gostosa e interessante. A letra é de Beto Garrido e Alexandre Peixe, que já tinham escrito juntos outras canções pra mim. E o engraçado é que ela nasceu de um texto que postei no Dia dos Namorados, para minha mulher, Aninha. Eles transformaram minhas palavras na música “Amore”, que tem sido um sucesso nos shows. Então, continuo trazendo novidades pro público, é o que me mantem animado.

Além das músicas, estou bem animado com a segunda edição do Vumbora Pro Mar, esse projeto do transatlântico que deu super certo ano passado. Fazer um Carnaval em alto-mar não é fácil, mas é muito especial contar com tantos amigos juntos de novo e com algumas novidades, como participações de Margareth e Tuca. E outas surpresas que vamos anunciar em breve.

Curiosidades sobre Bell Marques

Bell, se você não seguisse na música, qual carreira você gostaria de ter?

Estou há tantos anos na música, mais de 40 anos já, que não consigo me dissociar do que faço. Não me vejo fora desse cenário, longe dos palcos e dos trios. É difícil até imaginar no que mais eu teria interesse, lá atrás, se não tivesse dado certo.

O que toca na playlist de Bell Marques?

Toca muita coisa, principalmente World Music, muita produção africana, que é um continente riquíssimo e que me inspira muito nas batidas. E gosto muito de ouvir Rock, que foi o gênero em que comecei como artista e que adoro até hoje.

Foto: Reprodução/ Instagram

Qual o seu hobby?

Estar com minha família, sair de barco na Baía de Todos os Santos, viajar, tomar um vinho legal com pessoas que admiro…

Qual a maior loucura que você tem conhecimento que um fã fez por você?

Acho muito engraçado e corajoso quem faz tatuagem com minha cara. Se eu ainda fosse um cara bonito… (Risos).

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