Alice Wegmann festeja protagonista popular em ‘Rensga Hits’, que deu a ela também um grande amor: ‘Vontade de partilhar’


Foto: Divulgalção

No dia em que “Rensga hits” foi ao ar, Alice Wegmann passou boas horas na terapia. Ansiosa, ela tem pavor de estreia. Se pudesse, guardava o que faz num acervo, e, num dia, sem grandes alardes, estaria ela lá cumprindo seu ofício. Ou seu ritual. Ela tem alguns deles. Num novo trabalho, precisa se conectar ao que vem e se reconectar com o que foi. Não é difícil vê-la falando, a cada personagem que interpreta, que aquele é o melhor momento da vida ou que se redescobriu ou está em outra fase.

Esta entrevista aconteceu menos de 24 horas depois de Raissa Medeiros, sua personagem, criar uma identificação imediata com o público. Com quem ama ou não o gênero sertanejo, sofre ou já sofreu (ou vai sofrer) por amor, com quem torce genuinamente pela mocinha. Porque Raissa é uma heroína pela qual a gente torce desde o início. Alice se identifica com a moça em vários aspectos. “Talvez seja a personagem que mais pareça comigo. Ela tem coragem, é doce, mas ao mesmo tempo forte, vai atrás do que quer, não desanima”, descreve.

De fato, Alice tem um não sei que de destemor, embora pareça frágil. Quando a pandemia dava uma trégua e ela pensava no que viria pela frente, não imaginava que seria a série sobre o feminejo. Após o longo período de isolamento, como o resto do mundo, decidiu ir para a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, respirar. Estando lá, recebeu o convite para um teste. Tinha que cantar e tocar violão. “Eu tocava pouco, seis acordes só. O Francisco (Francisco Gil), que é meu melhor amigo, estava me incentivando a voltar a tocar e me deu um violão de aniversário; Tudo sincronizou. Nunca me imaginei cantando, nem sabia qual era a minha voz”, recorda.

Quem mostrou sua potência vocal foi o produtor Dudu Borges. Mas este é um outro capítulo dessa “trama” que bifurca entre ficção e realidade. Quando chegou a Goiânia para o início das gravações, ao acordar, no hotel, e abrir a janela, deu de cara com um pássaro incomum ao local em que estava. “Era um carcará. No 18º andar de um hotel, no centro da cidade! Encarei como um sinal aquilo. Depois, olho o violão e naquele buraco no meio tinha uma águia. Poxa… Vai dizer que não tem alguma coisa aí”, conta, empolgada.

A fé no que desconhece e até no que pode parecer sobrenatural movem a atriz. Assim como ela acredita que moveria Raíssa também. “Tenho muita fé, tenho meus amuletinhos, rezo… Achei que ela deveria ter essa característica também, afinal largou o noivo no altar, entrou num carro e seguiu seu sonho sem nenhuma garantia. Só a crença de que ia dar certo. Pedi um amuleto para ela. E aí chegou o colarzinho com um pingente da pombinha, mais um sinal. Quando acabamos de gravar, pedi para levar comigo essa lembrança”, relata.

Não parece que o acessório vai permanecer fora de cena por muito tempo. Uma segunda temporada, ao menos, está programada. “Eu também quero saber como vai ficar a vida dessa mulher! Natural que o público queira também”, opina Alice, que desconversa sobre a possibilidade de “Rensga” se tornar uma novela, como as redes sociais pediram: “O brasileiro agora está acostumado com esse formato de série e é importante que a gente faça coisas de qualidade para ter cada vez mais”.

Com 15 anos de carreira, pela primeira vez Alice está vivendo uma personagem completamente popular. Em algum momento, ela foi colocada numa caixinha de atriz cult sem que tivesse focado nisso. “Acho que muitas vezes têm necessidade de rotular, e eu sempre quis ter liberdade para fazer as coisas. Não me sinto assim, mas tenho que concordar que esta é a personagem mais próxima do público e fazer o popular é difícil para caramba, porque é buscar no simples”, observa.

Foi também na simplicidade que Alice redescobriu o amor. Focada no trabalho e vindo de algumas relações, digamos, mais passageiras, ela tinha perdido a esperança. “Eu vinha de uma fase descrente mesmo, de achar que a minha geração não é aquela que vai ter longevidade nos relacionamentos, que não quer algo a longo prazo como os meus pais, que são casados até hoje. Então, deixei isso pra lá“, justifica.

Mas foi só pisar “no Goiás” que todo esse discurso conformista, por pouco, não vira música. Ao conhecer Dudu Borges, o produtor que criou a trilha bem-sucedida da série, Alice uniu letra e melodia. Ele já contou que ela deu o primeiro passo. Dali para o primeiro beijo… “Foi um encontro realmente. Não pensava em nada, meu foco era total trabalho e, de repente, estávamos namorando”, conta ela, que está “morando” na ponte aérea: “A gente está meio morando juntos assim. Ele passa um tempo comigo no Rio, eu fico com ele lá em São Paulo, tem sido de boa”.

Os planos são de uma moda de viola com final feliz. “Pela primeira vez, sinto que encontrei um lugar, um ponto de partida. Tive outros relacionamentos de companheirismo, de amor, mas sinto que agora é para além. Tem uma tranquilidade, um amadurecimento, a vontade de partilhar a vida, formar uma família. Dudu tem três filhos, sou louca por eles, nos damos superbem. E consigo ver um futuro para esse amor todo”. Como canta Raíssa em sua sofrência chiclete: “A estrada ensina”.

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