'Educadores podem ser os primeiros a perceber sinais de sofrimento emocional em alunos', alerta professora Fernanda Barboza
No Setembro Amarelo, especialista em educação reforça que professores não devem assumir o papel de psicólogos, mas podem ajudar a identificar mudanças

Durante grande parte do dia, crianças e adolescentes convivem com professores dentro do ambiente escolar. Essa proximidade faz com que educadores estejam, muitas vezes, entre as primeiras pessoas capazes de perceber mudanças de comportamento. No Setembro Amarelo, a professora Fernanda Barboza chama atenção para a importância desse olhar, sem confundir acolhimento com a clínica de profissionais da saúde mental.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada pelo IBGE, mostram que uma parcela significativa dos adolescentes brasileiros relata sentimentos frequentes de tristeza e problemas relacionados à saúde mental. Para Fernanda, números como esses reforçam a necessidade de que a escola esteja preparada para reconhecer que mudanças comportamentais também podem ser formas silenciosas de comunicação.
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“O professor não precisa, e nem deve, assumir o papel de psicólogo. Não cabe ao educador diagnosticar ou encontrar sozinho uma solução para o sofrimento de um aluno. Mas existe algo que faz parte da nossa rotina: observar. Muitas vezes percebemos quando um estudante que era participativo se torna silencioso, quando alguém começa a se isolar ou apresenta uma mudança repentina de comportamento. São sinais que merecem atenção e que podem ajudar a acionar a rede de apoio”, afirma Fernanda Barboza.
A educadora ressalta que identificar uma mudança não significa tirar conclusões precipitadas. O papel do professor está justamente em criar um ambiente de escuta e comunicar responsáveis e profissionais preparados quando necessário. A escola, segundo ela, pode funcionar como uma importante ponte entre o aluno e sua rede de apoio.
O debate ganha ainda mais relevância em um momento em que questões relacionadas à saúde emocional de crianças e adolescentes ocupam cada vez mais espaço dentro e fora das salas de aula. Para Fernanda Barboza, falar de saúde mental na escola também exige compreender os limites de cada profissional e abandonar a ideia de que o professor precisa ter todas as respostas.
“Às vezes, o mais importante não é saber exatamente o que dizer, mas demonstrar que você percebeu que aquele aluno não está bem. Um olhar atento pode abrir espaço para uma conversa e, principalmente, para que essa criança ou adolescente não se sinta invisível. O professor não substitui nenhum profissional da saúde, mas pode ser uma ponte importante para que o pedido de ajuda seja percebido.”

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