Na Bahia, o perfil do Transtorno do Espectro Autista (TEA) revela uma predominância masculina: seis em cada dez pessoas diagnosticadas são homens. De acordo com os dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado contabiliza 86.126 homens com autismo, o que representa 59,4% dos casos. Em contrapartida, as mulheres somam 58.802 registros (40,6%).

No total, a Bahia possui 144.928 pessoas com diagnóstico de TEA, ocupando o posto de quarto estado com a maior população autista do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No entanto, proporcionalmente, o índice baiano de 1% empata com o do Tocantins como o mais baixo do país, abaixo da média nacional de 1,2%.
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A divulgação desses dados coincide com o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado na última quinta-feira (2). A data, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), busca difundir informações e reduzir o preconceito, já que, além do desafio do diagnóstico, essa população ainda enfrenta inúmeras barreiras sociais e estruturais.
Desafios na educação e desigualdade escolar
O levantamento do IBGE destaca que o autismo na Bahia é jovem: 34,4% dos diagnosticados têm até 14 anos. Essa faixa etária evidencia gargalos no sistema educacional. Enquanto 98,4% das crianças baianas em geral estão na escola, entre os estudantes com TEA, o índice cai para 93,1%.
Essa exclusão se acentua na adolescência. Na faixa entre 15 e 17 anos, a frequência escolar de jovens com autismo é de apenas 71,9%, contra 85,8% da população geral. Esse abandono ou dificuldade de permanência reflete diretamente na vida adulta, onde 60,2% dos autistas com mais de 25 anos não possuem instrução ou não concluíram o ensino fundamental.

Distribuição nas cidades da Bahia
O TEA está presente nos 417 municípios da Bahia. Em números absolutos, a capital Salvador lidera o ranking com 28.915 diagnósticos (1,2% de sua população), seguida por Feira de Santana (6.555) e Vitória da Conquista (3.686).
Curiosamente, as maiores concentrações proporcionais não estão nos grandes centros, mas em cidades menores. O município de Mirante registra o maior percentual proporcional do estado, com 2,6% de sua população diagnosticada, seguido por Capim Grosso (2,2%) e Morpará (1,9%).
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