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Perdeu os movimentos

Paciente paraplégico recebe tratamento com polilaminina em Salvador

Procedimento com a enzima foi realizado nesta sexta-feira (6), em um hospital privado, e integra protocolo de pesquisa autorizado pela Anvisa

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Redação iBahia

07/03/2026 às 16:25 - há XX semanas
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O operador de logística Paulo Araújo, de 38 anos, tornou-se o segundo paciente da Bahia a receber tratamento experimental com a enzima polilaminina, considerada pelos pesquisadores uma abordagem promissora para lesões medulares agudas.


					Paciente paraplégico recebe tratamento com polilaminina em Salvador
Paciente baleado recebe tratamento com polilaminina para lesão medular em hospital de Salvador. Foto: Stephanie Venâncio

O procedimento foi realizado no Hospital Mater Dei Salvador, na última sexta-feira (6), e é o primeiro caso conduzido em um hospital privado do estado dentro do protocolo autorizado pela Anvisa.

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Paulo sofreu perfuração por arma de fogo em dezembro de 2025, ao sair do trabalho durante uma tentativa de assalto. O projétil atingiu suas costas, provocando lesão raquimedular completa na vértebra T2, que levou à perda dos movimentos do peito para baixo, deixando-o paraplégico.

Após conhecer o tratamento por reportagem, ele entrou em contato com a farmacêutica responsável pela pesquisa e conseguiu se enquadrar no protocolo experimental autorizado pela Anvisa e pelo laboratório desenvolvedor da enzima.

O procedimento foi conduzido pelo neurocirurgião Marco Aurélio Brás de Lima, do Rio de Janeiro, e pelo cirurgião de coluna do HMDS, Fabrício Guedes, com apoio de equipe multidisciplinar.

Segundo Guedes, a aplicação da enzima foi feita diretamente na medula espinhal. "A aplicação foi feita por meio de agulhas especiais posicionadas na região da lesão. Como o dano medular é extenso, realizamos a aplicação de forma fracionada em diferentes pontos da área afetada, com o objetivo de ampliar a distribuição da substância e favorecer o ambiente de regeneração neural”, explicou o médico ao g1.

Ao portal, Guedes detalhou que o prazo de 72 horas citado em estudos não se refere especificamente à ação da polilaminina, mas ao tempo ideal para descompressão e estabilização da coluna:

"Nesse período, a recomendação é realizar a cirurgia para descomprimir e estabilizar a coluna, o que aumenta as chances de recuperação neurológica. No caso de Paulo, esse procedimento foi feito dentro das primeiras 72 horas após o ferimento. Por isso, ele pôde ser incluído no estudo e receber a aplicação da enzima, que pode ser administrada até 90 dias depois da lesão", disse.

A expectativa é que o paciente passe por reabilitação intensiva com fisioterapia especializada, etapa essencial para estimular possíveis ganhos funcionais. "Trata-se de uma abordagem ainda experimental, indicada especialmente para lesões medulares agudas, nas quais há maior potencial de resposta biológica ao tratamento. A proposta é criar condições mais favoráveis para que o sistema nervoso volte a estabelecer conexões”, afirmou Guedes.

A enzima polilaminina atua degradando componentes da cicatriz formada após a lesão medular, uma barreira biológica que dificulta a regeneração dos neurônios, permitindo maior possibilidade de reconexão das fibras nervosas.

Estudos preliminares indicam que pacientes submetidos à terapia apresentaram melhoras parciais de sensibilidade e movimento, especialmente quando associados a protocolos intensivos de reabilitação.

“Embora ainda não seja possível falar em cura para lesões medulares completas, iniciativas como essa representam avanços importantes na busca por novas alternativas terapêuticas para pacientes com lesões traumáticas recentes, que hoje têm opções muito limitadas de tratamento", destacou o médico.

Para Paulo, participar do estudo representa uma nova possibilidade após meses de incerteza. "Quando fui atingido, perdi os movimentos do peito para baixo e pensei que nunca mais teria esperança de recuperação. Conhecer esse tratamento e conseguir participar do estudo reacendeu minha fé e minha vontade de lutar", contou.

Ele vê no procedimento oportunidade pessoal e também de contribuir para a ciência: "Hoje tenho a oportunidade de ter esperança de voltar a ter movimentos. Creio que Deus está permitindo que novas portas se abram não só para mim, mas para muitas outras pessoas que enfrentam a mesma situação", disse.

Após a aplicação, o paciente seguirá em acompanhamento médico e participará de programa de reabilitação. Os resultados serão monitorados nos próximos meses, período crucial para avaliar possíveis respostas neurológicas ao tratamento.

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