Doze pessoas foram presas nesta quarta-feira (11) durante uma operação que investiga um grupo suspeito de comercializar irregularmente canetas emagrecedoras na Bahia.

As equipes realizaram três prisões em flagrante e outras nove por mandados de prisão temporária em bairros de Salvador - como Valéria, Cajazeiras, Canabrava, Ondina, Barra, Pituba, Caminho das Árvores e Costa Azul - além das cidades de Lauro de Freitas, Camaçari e Feira de Santana.
Leia também:
Ao todo, também foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão nessas regiões e na capital paulista. Em Salvador, os agentes estiveram em uma loja localizada em um empresarial no Caminho das Árvores, em uma farmácia em Ondina e em uma clínica instalada dentro de um hospital no mesmo bairro.
Um dentista, cuja identidade não foi divulgada, foi conduzido à delegacia após ser localizado em um prédio na região da Ladeira da Barra. No apartamento dele, os policiais encontraram diversas canetas emagrecedoras e outros materiais.
Segundo o delegado Thomas Galdino, diretor do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), o profissional é apontado como o principal alvo da operação. "Lá foram encontradas diversas canetas emagrecedoras, diversas substâncias proibidas que são utilizadas para a produção e comercialização dessas canetas. Todo material foi apreendido, assim como o nosso alvo e a esposa foram conduzidos para mediadas judiciais cabíveis", disse ao g1.
O delegado Thiago Costa, titular da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), explicou que o suspeito possui uma farmácia e uma clínica. "Ele importa dos Estados Unidos, da Itália, traz de São Paulo, pega receita da esposa para conseguir esse material em clínicas de manipulação em São Paulo, e por isso nós demos mandados de busca e apreensão em uma clínica que já tinha sido alvo de uma operação da Polícia Federal, em São Paulo, em novembro de 2025", afirmou ao portal.
Durante a operação, foram apreendidos diversos medicamentos, entre eles a substância “Retatrutide”, proibida no Brasil e utilizada no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade.
Entre os alvos das medidas judiciais estão dois hospitais, sete clínicas de estética, uma loja de cosméticos, uma farmácia e vários imóveis residenciais ligados a profissionais da área da saúde e estética.
Em Feira de Santana, duas mulheres também foram presas. Elas foram levadas para o Complexo de Delegacias do bairro Sobradinho, onde prestarão depoimento. "Elas vão passar por audiência de custódia em breve e estão sendo interrogadas para sabermos quem são os os fornecedores e com quem elas adquiriram esse material. A gente vai tentar aprofundar essas investigações", disse o delegado José Marcos Rios.
Como funcionava o esquema
A Operação Peptídeos apura a atuação de uma rede organizada voltada à venda clandestina de substâncias usadas no tratamento de diabetes tipo 2. No entanto, os produtos estariam sendo amplamente divulgados e comercializados para fins estéticos e de emagrecimento, muitas vezes sem prescrição médica e fora das normas sanitárias exigidas pela legislação.
Segundo a polícia, as investigações apontam que os produtos eram vendidos principalmente por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens.
Os agentes também identificaram indícios de transporte e armazenamento sem controle sanitário adequado, além da comercialização sem comunicação aos órgãos de vigilância sanitária.
A operação mobilizou mais de 200 policiais civis, além de equipes do Departamento de Polícia Técnica (DPT), da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), da Vigilância Sanitária Municipal de Salvador (Dvis), das Coordenações de Polícia Interestadual (Polinter) e de Operações de Polícia Judiciária (COPJ), da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core) e da Polícia Militar da Bahia (PM-BA).
Participe do canal
no Whatsapp e receba notícias em primeira mão!

