A Polícia Federal (PF) deu continuidade, nesta quinta-feira (18), às diligências da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Entre os alvos das buscas está a sede do Instituto Terra Firme, localizado em Salvador (BA). A entidade tem como um dos fundadores o banqueiro Augusto Lima, figura central nas investigações que apuram um suposto esquema bilionário envolvendo fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça associadas ao Banco Master.
Ao todo, a PF cumpre 18 mandados de busca e apreensão distribuídos entre a Bahia, o Distrito Federal e São Paulo. Na capital baiana, além do instituto, os agentes realizaram diligências no apartamento do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, situado no Corredor da Vitória - área nobre da cidade, conhecida por abrigar residências de luxo e personalidades como Ivete Sangalo e Bell Marques.
Leia também:
Segundo apurou o g1, a investigação busca verificar se o senador utilizou seu cargo para favorecer os interesses de Daniel Vorcaro, ex-sócio de Augusto Lima, supostamente em troca de vantagens indevidas.
O instituto é uma organização sem fins lucrativos voltada ao desenvolvimento de projetos sociais e ambientais. A presidência da entidade é ocupada por Flávia Arruda, cofundadora e esposa de Augusto Lima. Arruda possui histórico na política nacional, tendo atuado como ministra-chefe da Secretaria de Governo (2021-2022) e deputada federal (2019-2023). Até o momento, não foram divulgadas informações sobre possíveis materiais apreendidos no local.
O banqueiro, que também é proprietário do Banco Pleno - instituição liquidada pelo Banco Central em fevereiro deste ano -, já havia sido preso em novembro de 2023 durante etapas anteriores da mesma operação. Caso as acusações sejam confirmadas, os envolvidos podem responder por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva.
Defesa
Em nota ao g1, Augusto Lima classificou as diligências da PF como medidas que "eram desnecessárias". O comunicado ressalta que o banqueiro mantém-se à disposição das autoridades há seis meses para colaborar com os esclarecimentos.
"De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos. Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública", afirma o texto.
A assessoria do senador Jaques Wagner não se pronunciou até o momento.
Participe do canal
no Whatsapp e receba notícias em primeira mão!