A apreensão de 3 toneladas de haxixe em um veleiro, que navegava pela costa baiana, completou dois dias nesta segunda-feira (13) e ainda com algumas questões sem respostas.

A Polícia Federal (PF) não acredita que a droga tinha Salvador como destino final, como afirmaram os 4 tripulantes presos com o material. No entanto, ainda não há pistas sobre quais seriam os outros locais que iriam receber o carregamento.
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"Estamos falando de uma das maiores apreensões de haxixe no Brasil e acreditamos que apenas o mercado da Bahia não poderia ser consumidor dessa droga. Provavelmente uma parte dessa droga ficasse aqui na Bahia e outra parte tivesse como destino outros estados", explicou o delegado Rodrigo Motta de Andrade.
A corporação apura também quem teria contratado o grupo, que é formado por brasileiros, para transportar a droga da Europa para o Brasil. "Acreditamos que isso faz parte de uma grande conexão de tráfico de entorpecentes ligando aí a Brasil e a Europa", afirmou Rodrigo Mota.

Em entrevista à TV Bahia, o delegado Rodrigo Motta de Andrade, que está à frente das investigações, detalhou o que se sabe e o que falta explicar sobre o caso. Confira abaixo:
Trajeto, carga e denúncia
De acordo com as investigações, a embarcação saiu de Portugal, mas, no caminho, passou pelas Ilhas Canárias (arquipélago espanhol que fica no noroeste da África) e depois seguiu em direção a Salvador, até ser apreendida pela Polícia Federal a 363 km da cidade.
Quando deixou Portugal, o veleiro estava sem o haxixe. A droga foi embarcada depois que passou pelas Ilhas Canárias. Uma segunda embarcação se aproximou e transferiu as as 3 toneladas.

De acordo o delgado Rodrigo Motta, a Polícia Federal chegou até a droga depois de receber uma denúncia de que uma embarcação da Europa poderia estar transportando entorpecente para o Brasil.
Com isso, eles esperaram o veleiro se aproximar da Bahia e foram até o local, em alto mar, com uma embarcação disponibilizada pela Marinha. Ao entrarem em contrato com os tripulantes do veleiro, os policiais já perceberam algumas contradições.
"Informaram por rádio que a embarcação era da Polônia e que a bandeira era de Portugal, sendo que na verdade tinham duas bandeiras no mastro: uma da Espanha e outra da Bélgica", contou o delegado.
Ao entrarem no veleiro, os policiais já encontraram o haxixe em caixas, amontoadas na parte de baixo do veleiro. A embarcação estava com registro vencido. Ou seja, é considerada "pirata".
Inicialmente, foi divulgado que o nome da embarcação era "Kiel", porém a informação foi retificada nesta segunda. O veleiro se chama "Thiassi".
Suspeitos
Três dos presos são do Rio de Janeiro e o quarto é natural do Ceará. De acordo com o delegado, o grupo sabia que a droga estava sendo transportada no barco.

"Foram pessoas contratadas apenas para fazer o transporte da droga da Europa para o Brasil. Eles saíram do Brasil há um mês, dois meses, foram de avião para a Europa e de lá retornariam com a função de fazer o transporte desse veleiro até a Bahia", explicou.
Os homens, que não tiveram as identidades divulgadas, passaram por exame de corpo de delito nesta segunda-feira. O delegado informou que apenas um dos homens tem passagem pela polícia. Os outros foram autuados pela primeira vez. Eles não detalharam quanto receberiam pelo crime.
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