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Patchwork de sucesso

Meninos Rei: Conheça a história da marca baiana que conquistou o país

Júnior e Céu Rocha encontraram nas estampas ultra coloridas e no tecido africano o poder de encantar as pessoas

Lucas Sales • 22/04/2023 às 9:30 • Atualizada em 23/04/2023 às 12:45 - há XX semanas

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					Meninos Rei: Conheça a história da marca baiana que conquistou o país
Fotos: Reprodução / Redes sociais

Sonhos podem sim se tornar realidade. Júnior Rocha, de 43 anos, e Céu Rocha, 41, são provas vivas de que a persistência e a fé podem levar as pessoas para caminhos extraordinários, desafiadores, e que valem a pena. Movidos pela arte que pulsava nas veias e também na ancestralidade, os irmãos nascidos e criados no Subúrbio Ferroviário de Salvador, lançaram a marca baiana Meninos Rei.

Com oito anos de existência, o que antes era para ser apenas uma simples marca de camisas, se tornou algo grandioso, ganhou projeção nacional, e atualmente é uma realidade para a cultura e mercado não só baiano, mas brasileiro. Manter os pés no chão foi um quesito mais que necessário para que tudo acontecesse de forma progressiva e natural.

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A vestimenta dos sacerdotes e ialorixás do candomblé, religião de matriz africana, foi a principal fonte dos artistas por traz da marca. No entanto, eles precisavam de um diferencial que chamasse a atenção do mundo e encontraram esse poder nos tecidos africanos e nas estampas ultra coloridas que carregam vibração positiva. Um verdadeiro patchwork (técnica que une tecidos com uma infinidade de formatos variados) de sucesso.


				
					Meninos Rei: Conheça a história da marca baiana que conquistou o país
Fotos: Reprodução / Redes sociais

Todo o menino é um rei

Júnior, Céu e Eduardo Rocha começaram a desbravar o mundo do afroempreendorismo em 2015. Enquanto os dois primeiros cuidam de toda a parte da moda, criação e vendas, Du, o terceiro irmão, fica responsável com o setor burocrático. O desejo de entrar para o mercado nasceu após eles sentirem falta de looks masculinos que trouxesse impacto. Mas o chamado para a arte aconteceu ainda na infância.

"Desde criança tivemos um olhar muito sedento para comprar os nossos próprios tecidos para fazer nossas roupas, lá em casa meu pai é desenhista técnico, a arte foi muito presente nas nossas vidas. Minhas tias, minha avó foi costureira, a gente sempre teve liberdade de quando saíamos com a nossa mãe a gente escolhia o tecido e pedia para a costureira fazer. A arte sempre esteve permeando em nossas vidas", contou Júnior ao Preta Bahia da semana.

Afroafeto e respeito foram palavras chaves da participação dos pais e familiares no apoio aos meninos e na construção de quem eles deveriam ser. Ensinamentos e princípios que os tornaram verdadeiros reis. "O amor dos nossos pais, os ensinamentos que eles nos passaram, o respeito ao próximo [...] o nosso trabalho é muito pautado nisso, essa questão afroafetiva, são elementos que estão sempre presente no nosso trabalho", pontuou Céu.

O Meninos Rei conta com um fornecedor que traz tecidos diretamente da Guiné-Bissau. Os panos, então, são modificados a partir do patchwork e também dos cortes e modelagens em estilos como alfaiataria ou streetwear.

"Existe um estudo de modelagem muito criterioso, inicialmente as pessoas se encantam com o colorido e toda a vivacidade das estampas, depois elas querem saber dos nossos processos, de como a gente constrói essas roupas, como a gente desenvolve, mas a intenção é que todo esse colorido seja uma isca para que aí a gente possa falar um pouco da nossa história, contar sobre o tecido africano, então a gente tem sempre esse olhar para o que está acontecendo em volta do mundo, mas a gente é muito enraizado nas nossas origens, é tudo muito feito com o pensamento preto, de brasileiro, mas também cosmopolita, que ligado no que está acontecendo ao redor do mundo", explicou Céu.

Realeza de Celebridades

Todos os reis têm uma realeza e para além de pessoas anônimas que vestem, gostam e incentivam a dupla, os baianos contam com a admiração de nomes importantes da música e também da televisão brasileira. Artistas como Gilberto Gil Carlinhos Brown, Maju Coutinho, Mariene de Castro, Lázaro Ramos, Tia Má, Deborah Secco, Margareth Menezes, IZA e Jojo Todynho são alguns deles.

"Você ter o seu trabalho em um artista tão grandioso só fortalece e impulsiona a continuar a luta. Eu lembro que um dos primeiros artistas a nos usarem foi Gilberto Gil, mandamos uma peça para ele e ele se apaixonou. Isso só fortalece. Se esse artista tem essa visibilidade, porque não usar uma marca autoral", refletiu Jr.


				
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Fotos: Reprodução / Redes sociais

Com um look exclusivo e que causou impacto, Taís Araújo prendeu a atenção dos telespectadores na final da terceira temporada do "The Masked Singer Brasil" (TV Globo), exibida no dia 9 de abril. "É a arte que transborda. Não é só uma roupa", destacou Júnior.


				
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Fotos: Reprodução / Redes sociais

São Paulo Fashion Week 2023

Promover um desfile na principal semana de moda da América Latina não é tarefa fácil. Em mais uma oportunidade, os baianos vão levar toda a originalidade da marca para 54ª edição da São Paulo Fashion Week. Para isso, eles necessitam de um valor que gira em torno de R$ 200 mil reais. Jr. e Céu destacaram que têm buscado estratégias para levantar o montante e que retornos positivos de reuniões tem trazido otimismo para a situação.

"Tivemos algumas reuniões muito positivas, estamos esperando algumas respostas. Você levar a cultura da Bahia para fora e não ter o apoio aqui de Salvador, é uma coisa muito triste. Você está falando da sua terra e eu não quero ter o reconhecimento fora daqui, eu quero ser reconhecido na minha cidade, quero ter apoio da galera daqui [da capital baiana]. Se construir um desfile é um custo muito alto. Você tem modelo, maquiagem, passadoria, beleza, cabelo, passagem, hospedagem... é uma estrutura muito grande, com fé em Deus vai dar tudo certo", afirmou Júnior.


				
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Tia Má e o filho Aladê no desfile sa SPFW 2022 Fotos: Reprodução / Redes sociais

Presença importante na passarela da SPFW, a dupla leva para o evento todo o protagonismo negro, além de modelos com corpos reais, aqueles que fogem do padrões estereotipados pela sociedade. Foram eles, inclusive, que abriram espaço para que o primeiro modelo paraplégico de toda a história do evento pudesse desfilar.

"As barreiras a gente quebra até hoje. Uma das maiores foi provar para esse mercado e para as pessoas que muito insistem em nos invisibilizar, que saímos do Subúrbio Ferroviário e estamos no SPFW, na maior semana de moda da américa latina, falando sobre ancestralidade, fé, candomblé, que é o nosso lugar", disse Céu.

Os meninos ainda aproveitaram a oportunidade para revelarem um pequeno spoiler do desfile que vão propor na 4ª edição do evento nacional. Para Céu, participar do SPFW significa mais que um desfile.

"A ancestralidade continua sendo a nossa maior fonte de inspiração, a gente vai falar desse legado que nos foi deixado. Vai ter ancestralidade sim. Quando a gente pisa naquele lugar, a gente tá pisando em todos os nãos que ouvimos, nas portas fechadas, em tudo o que o sistema quer nos invisibilizar, a nossa raça, o nosso povo preto".

Ambicionar por mais é necessário

Júnior e Céu chegaram longe, mas ainda não o bastante. Eles sabem do real poder da marca e do tamanho dela e por esse motivo planejam galgar um local ainda maior.

"Estamos alcançando esses lugares que nos sempre foram negados. no baile da vogue, Deborah Secco vestiu Meninos rei e foi uma das mais bem vestidas do baile e ela estava completamente de tecido africano. tem espaços que a gente chega com o pé na porta e a gente mostra que a gente pode chegar e alcançar todos os espaços", Júnior.


				
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Fotos: Reprodução / Redes sociais

Sem coitadismos, os dois carregam mais do que si próprios. Eles sabem da responsabilidade da Meninos Rei e de toda a sua potência e é por isso que tentam a todo momento desbravar as raízes como ferramenta de transformação social e empoderamento.

"Eu penso que daqui há cinco anos a marca seja mais estabilizada, o trabalho alcançando outros espaços, outros mundos, eu penso que daqui há alguns anos estaremos com a nossa loja física [...] sempre com união, que é a base de tudo, e é uma coisa que eu prezo muito. O que move a nossa família é o amor, o respeito e a verdade. Eu penso muito nesse coletivo, só crescimento, axé e abundância", pontuou Júnior.

"Eu vislumbro a Meninos Rei como uma ferramenta de transformação contra a desigualdade social. A moda, infelizmente, ainda compartilha de alguns seguimentos que segregam muito. A gente já consegue contar a nossa história, a gente já fala de pautas importantes para nós, falamos sobre um coletivo. Eu vislumbro a Meninos Rei palestrando no mundo inteiro, falando para as meninas e meninos pretos da favela que é possível sim você alcançar esses espaços. É uma marca que deixa um legado para todas essas gerações que estão vindo, que elas olhem para a marca como possibilidade e como realização de um sonho" Céu Rocha
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