Cerimônia de Homenagem ao Cadáver: doadores de corpo para estudos são lembrados e agradecidos durante evento em Salvador


Foto: Alan Oliveira/iBahia

Doadores de corpo para estudos foram homenageados na noite desta terça-feira (29), durante uma emocionante cerimônia realizada no campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador.

Batizado de Cerimônia de Homenagem ao Cadáver, o evento reuniu professores e estudantes da área de saúde da instituição, além de familiares de doadores e pessoas que declararam a vontade de ceder os corpos para o propósito na universidade.

Para formar a mesa de discussão, estavam presentes ainda um pastor da igreja Adventista do Sétimo Dia, um líder espírita, que também aluno da Ufba, e a dona de uma funerária que faz a doação do translado dos corpos para a instituição.

Esta foi a segunda vez que a cerimônia foi realizada. A primeira aconteceu em 2019, dois anos após a implantação do Programa de Doação de Corpo (PDC) Transcendendo Além da Vida, do Departamento de Biomorfologia da Ufba.

Seguindo o propósito de ser realizado uma vez por ano, no mês de novembro, em referência ao Dia de Finados, o evento deveria ter ocorrido novamente em 2020 e 2021, contudo as homenagens foram suspensas por causa do período mais critico da pandemia de Covid-19.

Foto: Alan Oliveira/iBahia

Ao longo da celebração desta terça-feira, alunos apresentaram poemas, uma oração e músicas dedicadas aos doadores. Flores também foram entregues. Já os integrantes da mesa discursaram e abordaram, de diferentes pontos de vista, sobre a vida, a morte e a importância da doação para a ciência.

“É um agradecimento a esse gesto tão altruísta. É um gesto muito nobre deles de se doar para a melhoria da ciência”, disse a professora Telma Sumie Masuko, que é coordenadora do PDC, organizadora do evento e também doadora.

Em entrevista ao iBahia, a professora contou que anualmente a Ufba recebe até dois corpos, contudo, as ações também foram suspensas no período da pandemia. “A está recebendo um a dois corpos por ano. Essa é a média antes da pandemia. Aí parou. Era um medo total. Todo mundo tinha medo”, disse.

A retomada das doações aconteceu em agosto deste ano. Neste período, o departamento recebeu o corpo da esposa de Carlos Fiúza. Ele foi um dos familiares que estava presente na cerimônia e discursou para os demais convidados.

Fiúza detalhou que a companheira nunca gostou da ideia de passar por um processo de velório e enterro, e a doação do corpo surgiu como uma saída para evitar um momento triste para a família e ainda ajudar uma causa.

“Ela sempre teve na cabeça dela que enterro, velório, eram coisas muito deprimentes, e ela sempre buscou alternativas de não passar por isso e nem fazer com que nós, familiares, passássemos por isso”, contou Fiúza.

Foto: Alan Oliveira/iBahia

“A vida dela sempre foi fazer o bem. Ela sempre gostou de doação. Quando ela comprava uma coisa, ela dava outra. E beneficiar o próximo, e sempre estar ajudando alguém, e quando ela soube dessa oportunidade de continuar, mesmo não estando aqui, ajudando quem está estudando, à humanidade em si, ela não pensou duas vezes”, completou.

Os corpos que chegam na instituição são usados nas aulas de anatomia dos cursos de saúde, como medicina, odontologia e fisioterapia. Eles passam por técnicas de conservação e são mantidos em um setor da instituição onde os estudos acontecem.

Sem as doações, a instituição depende de corpos não reclamados ou os estudantes usam um material sintético ou virtual. Fato que dificulta a aprendizagem da matéria e inviabiliza estudos mais avançados, como explicou a professora Telma. Ela detalhou ainda que o ideal seria um corpo para cada dez estudantes.

“Como que um aluno vai conseguir reconhecer um corpo humano, se ele não aprender com um corpo humano?

“Como que um aluno vai conseguir reconhecer um corpo humano, se ele não aprender com um corpo humano? Então, é muito importante para o aprendizado. Quanto mais infraestrutura a gente tiver, mais captação a gente tem”.

Foto: Alan Oliveira/iBahia

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