Salvador

Corvina é a opção mais em conta no Mercado do Peixe

Por conta do preço, o peixe está sendo o mais procurado e sai por R$ 15 o quilo

Nilson Marinho, do Correio 24h
Dezenas de pessoas se aglomeravam, na manhã desta quarta-feira (12), entre os 75 boxes recém-inaugurados do Mercado do Peixe. O amontoado de gente, que se misturava ao fluxo de comerciantes que abasteciam as barracas com peixes e frutos do mar frescos, tinha um motivo: levar para casa, às vésperas da Semana Santa, o prato principal da celebração religiosa cristã. 
Nas barracas, era possível encontrar pescados de todos os tipos, desde sardinha ao mais cobiçado e salgado bacalhau, produto raro no mercado onde a maioria dos peixes são vendidos frescos. Lá, em Água de Meninos, o quilo do bacalhau saía por R$ 35.
Mas, se o bolso estiver apertado, não precisa deixar de seguir a tradição. A solução é colocar na mesa a opção mais em conta, neste caso a Corvina, vendido a R$15 o quilo. O peixe de água doce, segundo os comerciantes, está sendo o mais procurado por lá, e a opção pode ficar ainda mais barata depois da Sexta-feira da Paixão (12), quando é recomendado, segundo as tradições católicas, não consumir carne vermelha. Aí o preço do pescado pode cair para R$12. 
Foto: Betto Jr./ CORREIO
Apegada à religião católica, a aposentada Ana Maria Dantas, 72, pegou um ônibus logo cedo na praça da Piedade, onde participava de um celebração na Igreja Nossa Senhora da Piedade, com destino a Água de Meninos, onde fica o mercado. Ela não consome carne vermelha nas sextas-feiras, desde a quarta-feira de cinzas do carnaval, quando teve início o período da Quaresma.
"Como sou religiosa, estou sem comer carne há bastante tempo. Mas, o dia principal do jejum é na sexta, quando vou preparar uma arraia com bastante pimenta para servir para família", disse ela depois de barganhar o animal fresco por R$ 15 o quilo.
Se a procura aumenta nas barracas pesqueiras, aumenta também a movimentação do boxe 63, onde são vendidos os temperos que dão sabor aos pratos. A movimentação é tão grande que a feirante Soledade França, 62, teve que contratar quatro funcionárias temporárias para ajudar no despacho das ervas e garrafas de dendê.
"Temos amizades com os donos das bancas de peixe, que acabam indicando a nossa barraca aos clientes. Também tem aquele jeitinho todo especial que as meninas têm de tratar dos fregueses, né?", brinca. Cada funcionária chega a receber R$ 150 em um dia de trabalho.
A 200 metros do mais tradicional mercado pesqueiro da capital baiana, peixes são expostos, comercializados e tratados em barraquinhas que se espremem pela calçada. A feira surge todos os anos no período da Páscoa e fornece peixes mais baratos e em condições menos higiênicas, em relação ao Mercado do Peixe.
Segundo o comerciante José Evangelista de Souza, 49, apesar da grande movimentação no local, a procura pelos produtos caiu cerca de 10%, em relação ao ano passado. "Trabalho aqui há cerca de oito anos. Quando passa a Semana Santa, tenho que sair de casa em casa. Espero que até amanhã o movimento possa aumentar", disse.
Segundo a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), o Mercado do Peixe deve funcionar em horário especial neste feriado. Durante esse período, o funcionamento é das 5h às 20h até quinta-feira (13) e, na sexta-feira (14), das 5h às 13h.
Preço doo quilo dos peixes no Mercado do Peixe durante a Semana Santa:
- Corvina R$15
- Badejo R$ 28
- Olho de Boi R$ 25
- Pesacado Amarelo R$ 25
- Arraia R$ 15
- Cavala R$ 20
- Camarão R$ 37 
- Bacalhau R$ 35
Depois da Semana Santa:
- Corvina R$12
- Badejo R$ 25
- Olho de Boi R$ 22
- Pescado Amarelo R$ 20
- Arraia R$ 12
- Cavala R$ 18
- Camarão R$ 35 
- Bacalhau R$ 35