Festival Fala! abre evento com debate sobre jornalismo inclusivo e equidade racial


Foto: Fernanda Maia

Na noite de quinta-feira (26), o “Fala! Festival de Comunicação, Culturas e Jornalismo de Causas”, deu inicio ao primeiro dia de evento gratuito, que segue até sábado (27), no Teatro Gregório de Mattos, em Salvador. [Confira a programação completa ao final da matéria]

Nesta edição, as mesas debaterão sobre o futuro da comunicação e o crescimento do que chamamos de jornalismo comunitário. A expectativa da produção é reunir diversos tipo de público, incluindo estudantes e artistas.

Assim como Marcos Costa, de 39 anos, grafiteiro e idealizador do “Spray Cabuloso”. O artista conta que marca sua presença no primeiro dia de evento buscando inspiração para novos projetos. “Trabalho com artes visuais e acho que esse festival aqui ele pode trazer informações pensamentos que podem me servir de inspiração para minhas criações nas ruas”, explica o artista.

Foto: Fernanda Maia

Pensamento muito parecido com o de Maria Tereza, estudante de Bacharelado Interdisciplinar em Saúde, que veio ao evento por indicação de um professor e pretende ficar para os próximos dias. “Apesar de não ser da área, os assuntos me interessam, principalmente pelo debate sobre a cultura negra, eu estou ansiosa para saber como vão abordar.”

Com a casa cheia, a primeira noite foi conduzida por Cristiane da Silva Guterres, que mediou a mesa de abertura, “O lugar da utopia em um Mundo Distópico”. Emocionada, contou ao iBahia sobre a responsabilidade de abrir o festival e a importância da fala.

Foto: Isla Carvalho/ iBahia

“Eu estou muito emocionada, porque eu vou abrir esse festival. E o quão é importante a fala, em todas as lutas de liberdade que as pessoas vêm buscando, pleiteando, ao longo de tantos anos, tantos séculos aqui no Brasil.“, afirmou.

Com a presença de Hélio Santos, doutor em administração, e Cíntia Guedes, doutora em comunicação foram colocadas em pauta discussões sobre ideais necessários para a criação de uma sociedade igualitária e democrática.

Durante o debate, quem estava presente acompanhou a discussão sobre como é possível impulsionar e criar uma agenda política que seja oposta ao autoritarismo, o preconceito e a violência.

O co-fundador do projeto FALA, Rosenildo Ferreira, idealizador fundador do Site de Notícias 1 papo reto, destacou também a importância do projeto para o comunicador independente da capital e prometeu surpresas no último dia de evento.

Foto: Isla Carvalho/ iBahia

Resenildo explica que o projeto serve de apoio aos comunicadores que atuam dentro das comunidades, principalmente no cenário da capital baiana. “Nós não estamos aqui para resolver a questão de financiamento e acesso à tecnologia da mídia independente, nós somos parte disso, mas nós queremos fortalecer redes e fazer com que os portais cresçam.

Na escolha daqueles que compõe as mesas de debate, o idealizador explica que o processo buscou selecionar personalidades de cada região do país. “Trouxemos vozes locais, escolhermos numa perspectiva norte e sul, sem excluir ninguém.”, explica.

O comunicador ainda explica sobre a relevância do jornalismo comunitário no contexto de Salvador. “Ele tem a credibilidade por ser conhecido no local. Nos grandes jornais dos grandes veículos onde a gente trabalhou ninguém sabe quem é o dono, nesse caso é diferente. Mas se a informação for errada a comunidade vai brigar com ele.”, brinca Rosenildo.

Foto: Fernanda Maia

Programação completa:

A programação conta com atividades diárias e diferentes assuntos a cada dia de evento.

No dia 25 de agosto, às 19h30, a mesa de abertura intitulada “O lugar da utopia em um mundo distópico” traz discussões sobre como os ideais de uma sociedade igualitária e verdadeiramente democrática podem impulsionar uma agenda política de oposição ao avanço do autoritarismo, do preconceito e da violência.

A mediação do debate será realizada por Cristiane da Silva Guterres, jornalista, apresentadora e redatora, comparticipação de Helio Santos, doutor em administração e fundador do IBD (Instituto Brasileiro de Diversidade), e Cíntia Guedes, doutora em comunicação pela UFRJ, com ênfase em relações raciais, colonialidade do poder e produção de subjetividade.

Já no segundo dia, a partir das 10h15, o painel “Entre redes e ruas: Que democracia é essa?” apresenta uma discussão sobre a qualidade da democracia no Brasil a partir de um debate público promovido nas redes sociais e na vivência das ruas.

Mediada por Rosane Borges, doutora em ciência da comunicação pela ECA-USP, a mesa também recebe Michel Silva, graduado em jornalismo pela PUC-RJ, é co-fundador do jornal Fala Roça; Midiã Noelle, jornalista e mestra em cultura pela UFBA; e Célia Tupinambá, líder indígena, professora, intelectual e
artista da aldeia Serra do Padeiro.

Na sequência, às 15h00, “Novas resistências para velhas violações” é o tema apresentado por Valéria Lima, do Instituto Mídia Étnica e do Portal Correio Nagô, que discorre sobre o papel da comunicação na construção de caminhos contra a barbárie.

Para integrar a mesa, participam Guilherme Soares, jornalista, consultor em diversidade e criador do Guia Negro; Denise Mota, jornalista dos veículos Agence France-Press, No Toquen Nada e Folha de S. Paulo e Claudia Wanano, comunicadora da Rede Wayuri, de São Gabriel da Cachoeira (AM).

Para finalizar os debates deste dia, a mesa “Uma cidade para todas as histórias”, mediada pela jornalista Mônica Santos, às 18h45, discute a ocupação de artistas, movimentos sociais e comunicadores em espaços gentrificados das grandes metrópoles. A artista visual e muralista Luna Barros, o coordenador do Centro Cultural Que Ladeira É Essa, Marcelo Teles, e a comunicadora e mestranda em educação pela USP Ana Flor, são os participantes convidados para o painel.

Iniciando a programação do último dia do Festival FALA!, a co-fundadora do portal Nós, Mulheres da Periferia Semayat Oliveira apresenta a mesa “Novas formas de ver e contar o mundo” às 10h30, trazendo linguagens e narrativas que provocam o pensamento crítico misturando arte, cultura e jornalismo. Ao seu lado nesta discussão estão: Fabiana Lima, do Slam das Minas; Darwiz Bagdeve, professor universitário e escritor da história em quadrinhos Guerreiro Fantasma, e Yane Mendes, cineasta periférica e parte do time de coordenadores da Rede Tumulto, em Recife.

Às 15h00, acontece o penúltimo painel do festival: “Nós por nós”. Identidade, cultura ancestral e combate ao silenciamento. Nele participam Naira Santa Rita, profissional da área de direitos humanos e sustentabilidade; Erisvan Guajajara, jornalista, defensor dos direitos indígenas, fundador e coordenador da Mídia Índia; Joyce Cursino, jornalista, produtora e cineasta; e Natureza França, educadora, mestra em dança e produtora cultural, integrante do Quilombo Aldeia Tubarão e da Rede ao Redor.

O grupo vai debater a organização das redes e a produção de informações como instrumento de resistência, luta, memória e identidade de grupos silenciados pela grande mídia.

Fechando os três dias de discussões e aprendizado sobre comunicação, cultura e democracia, às 18h00, os grupos Alma Preta, Marco Zero Conteúdo, Ponte Jornalismo e 1 Papo Reto encerram o festival com o painel “O jornalismo posicionado e suas subjetividades”, que apresenta e defende a comunicação posicionada que dialoga com a arte e a cultura.

Oficinais e worshops

Além dos painéis, a programação do festival promove oficinas presenciais, que acontecem no Espaço Cultural Boca de Brasa a fim de desenvolver atividades práticas sobre arte, cultura, pesquisa e comunicação.

As primeiras oficinas “Arte e Cultura: a gente não quer só comida” e “Pesquisa em Jornalismo: Vamos conversar? O diálogo entre prática e pesquisa em Jornalismo acontecem no dia 26 de agosto, às 13h30, ministradas, respectivamente, pelos escritores Marcelino Freire e Miriam Alves; e por Fabiana Moraes, jornalista, professora e pesquisadora do núcleo de design e comunicação da UFPE e Denis de Oliveira, jornalista e professor da ECA-USP.

Os workshops previstos para o dia 27 de agosto acontecem também às 13h30, abordando os temas: “Direito à Comunicação”, “Porque não me calo: o debate interditado sobre o direito à comunicação”, por Charô Nunes, da organização Blogueiras Negras, e Daiane Mendes, do Repórteres Sem Fronteiras, e Pluralidade: representatividade e empoderamento no centro do debate, promovido por Aline Midlej, jornalista da Globo News, Joyce Ribeiro, jornalista da TV Cultura e Valéria Almeida, jornalista do Programa Encontro.

Entre os debates e oficinas, também ocorrerão intervenções artísticas das musicistas Amanda Costa, Iane Gonzaga e Áurea Semiséria; declamação de poesias por Rilton Júnior e pelo grupo Slam das Minas; performance e dança de Diego Mamba Negra e Mano Sabota, além da apresentação do conjunto
Pradarrum, que trabalha a preservação e valorização da musicalidade dos terreiros de candomblé.

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