iBahia entrevista: Martha Gabriel, a renomada especialista brasileira em Marketing Digital


Martha Gabriel ministrará dois cursos
em Salvador neste mês

Poucas especialistas do universo digital poderiam falar com tanta propriedade sobre a evolução da internet e da sua dinâmica no Brasil como a paulista Martha Gabriel. Antes mesmo da internet entrar em funcionamento efetivo no país, em 1994, ela já acompanhava as céleres transformações em todo o mundo. Formada em engenharia civil pela Universidade de Campinas, pós graduada em marketing (ESPM) e design (Belas Artes), mestre e doutoranda em artes (ECA/USP), ela desenvolveu uma trajetória profissional baseada na atualização permanente das novidades do mundo virtual e também da capacitação de pessoas e de empresas com as plataformas mais avançadas.

Para isso, transitou pela América, Ásia e Europa e compartilhando com demais pesquisadores os avanços e principais estudos  na área do marketing digital. Nos Estados Unidos, inclusive, foi premiada por três vezes como melhor palestrante em congressos. Todo este conhecimento vem sendo propagada em cursos e nos livros que escreveu – “Marketing de Otimização de Buscas” (2008), “SEM e SEO – Dominando o Marketing de Busca” (2009), “Marketing na Era Digital” (2010) e “Conversando com Computadores” (2011).

Ela, que ministrará dois cursos em Salvador (“Facebook e Twitter”, nos dias 29 e 31 de março; e “Marketing em Mídias Sociais”, no dia 30) pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), conversou com o iBahia sobre o cenário da era digital, as transformações futuras e a necessidade de capacitação das pessoas para gerenciar e se situar melhor nesse contexto.

Como foi o seu começo nos estudos do marketing digital?

Sempre mexi com informação e tecnologia. Apesar disso, no começo, me dediquei à engenharia civil, trabalhando com barragens. Só que o meu desejo acabou se transformando e queria trabalhar com coisas menos técnicas, números, enfim, da engenharia. Fiz a pós em marketing e quando a internet ficou disponível no Brasil, eu já sabia como funcionava porque estava atenta ao que se passava lá fora, em outras partes do mundo. Inclusive, programava com a HTML. Criei a New Media Developers (NMD), que trabalha com Consultoria e desenvolvimento de soluções internet e Markerting Digital para websites, games, interfaces de voz, SEO, SEM e Marketing de Busca. Daí em diante, não parei mais. Só me atualizando. Fico conectada o tempo todo.

Nesse período de atuação, a concepção que as pessoas tinham sobre a necessidade da internet  para os negócios, para a promoção da marca ou mesmo para uso pessoal mudou bastante ou ainda existe resistência e desconhecimento?

Eu acredito que ninguém mais tem dúvidas de que este saber é importante. A questão é que nem todo sabe como atuar com a internet, com o marketing digital, com as mídias sociais. Nós estamos vivenciando hoje a fase de capacitação. Estamos averiguando as coisas e tentando aprender. Para as pessoas, existe um
desconhecimento generalizado sobre o tema. Mexer com o Facebook e o Twitter não é algo complicado, mas o problema é como gerenciar, administrar, planejar o uso das ferramentas, das plataformas.

Os perfis digitais ainda são muito complexos e não necessariamente dependem do fato da pessoa ter um terceiro grau completo. Tenho amigos que fizeram engenharia e se dedicaram a parte técnica que quase não sabem usar uma ferramenta da web. Enquanto isso, existem jovens ou idosos mesmo que não tiveram acesso à universidade, mas que tem Facebook, que tem Twitter, que tem um smartphone.

Como é o perfil do conhecimento da web dentro das empresas brasileiras?
Nesse caso sim temos um perfil mais claro. Veja só, as grandes empresas do país tem profissionais que sabem utilizar bem todas as possibilidades oferecidas na era digital. A empresa investe nisso e eles são qualificados, dominam outros idiomas, por exemplo. Estamos, inclusive, alinhados com a situação dos países desenvolvidos. Temos saído para falar sobre as nossas experiências aqui.

As empresas de médio porte sabem da necessidade, reconhecem a importância e estão se esforçando ao máximo para correr atrás e se inserir no mercado. Encontram dificuldades, claro, mas continuam buscando melhorias. Já nas de pequeno porte, ainda está difícil e estamos muito abaixo dos Estados Unidos e da Europa.

Nossa cultura digital ainda precisa ser consolidada?
Olha, eu gosto de pensar que nós, o povo brasileiro, temos uma capacidade impressionante de abraçar o novo e de ir atrás. De se incorporar mesmo. Tudo tem sido rápido e, às vezes, nós mesmo não nos damos conta dos avanços todos. Muita gente já se esqueceu, mas não faz muito tempo que usávamos a internet discada e era um horror. Mesmo com todas as dificuldades, nós não desistíamos de usar. Aí veio a banda larga e fez uma revolução. Um divisor de águas mesmo.

Estamos nesse processo de incorporação das novidades. Uma das desvantagens do país é que, de uma maneira geral, nos falta ainda infraestrutura e baixa produção tecnológica.

Atualmente, qual o curso da área da web mais procurada pelo público?

Redes sociais, sem dúvidas,  é o mais procurado. Sempre, em todo o país, as turmas lotam. Embora, eu acredite que não seja o mais importante. É mais importante, por exemplo, aprender sobre inovação em crowd surf e grandes tendências ou marketing estratégico, que também é essencial.

Em mídias sociais, o mais buscado é o curso sobre o Facebook. É o que tem mais anúncio, o que tem mais gente e, como muda sempre, querem aprender mais. Aí temos quem não sabe nada ainda, quem não sabe criar uma página da empresa e cria um perfil, e muitos profissionais que não atuam mesmo na área.

Tentamos mostrar, com os cursos, a necessidade de usar a plataforma, de aprender a estratégia de marketing e de comunicação. Porque o Facebook ou Twitter é mais uma ferramenta, tem os seus comandos. Não é só isso que vai fazer a diferença. O modo como se faz uma estratégia é o que interfere. Isso é mais difícil de conseguir.

Pensar numa estratégia de comunicação exige muitos profissionais qualificados. O mercado ainda é incipiente?

Existem poucos profissionais, mas já existe demanda de mercado. Ter que saber fazer estratégias não é das tarefas mais simples. Exige estudo, conhecimento. O que vejo hoje é um intercâmbio de áreas. Engenheiros fazendo curso de marketing e profissionais da comunicação aprendendo a parte mais técnica. Tem que avançar e se dedicar com persistência.

No caso das pequenas empresas, como arcar com os custos desse profissional?
Mesmo com dificuldades, elas conseguem. Geralmente, as pequenas empresas tem um núcleo familiar. Então, pega uma pessoa e capacita na área. Em dois meses, os avanços já são notórios. O que não pode é deixar de investir nas pessoas nessa área. O marketing digital errado não é um folheto que não deu certo. É uma ação que pode reverter um canhão contra a própria empresa. Então, é preciso cuidado.

E sobre as perspectivas para a área do marketing digital?
Na segunda edição do meu último livro, eu trato bastante sobre a necessidade crescente de não mais somente ser bem referenciado nos sites de busca. É preciso hoje traçar uma estratégia completa para a empresa. Não é só colocar a tag, é ter destaque no google maps, é conhecer os links, usar as palavras completas, ter bons tweets, enfim, atuar de forma ampla para ser visível, para existir. É isso que vai ser trabalhado com mais força daqui em diante.

Quem deseja manter contato com Martha Gabriel e acompanhar o seu trabalho, deve ficar atento ao site e ao Twitter pessoal.