O Comitê Integrado de Defesa do Transporte Rodoviário decidiu por manter os ônibus sem entrar no final de linha do bairro da Vale das Pedrinhas após um homem ser morto e uma mulher ficar baleada durante um confronto entre policiais da 40ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) e bandidos, na noite de domingo (9), na localidade conhecida como Casinhas, que fica no bairro.
De acordo com o presidente em exercício do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo, o comitê tinha se reunido e decidido que tudo voltaria ao normal nesta segunda-feira. No entanto, com a morte de Rafael Xavier, durante troca de tiros com a polícia, a situação voltou a ficar insegura. Os ônibus deixaram de entrar no fim de linha na noite da última quinta-feira.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que apontado como um dos chefes do tráfico na região do Vale das Pedrinhas, Rafael, que é conhecido como Chouriço, foi encontrado com uma pistola ponto 40, carregador, munições, 18 pedras de crack e 87 pinos de cocaína.
Ele tinha passagens por tráfico de drogas e também era apontado como braço direito de um traficante de apelido 'Nikão', que atua na área e é integrante da facção Comando da Paz. A polícia também investiga a participação de Chouriço em homicídios na região, um deles registrado em vídeo que chegou a circular nas redes sociais.
"O comitê decidiu que vai reavaliar a possibilidade de retornarmos amanhã, porque estamos nos sentindo inseguro e também para esperar o traficante ser enterrado", diz Primo. Até lá, segundo o presidente do sindicato, eles vão monitorar a situação.
"Em uma situação de morte, traficantes de um modo em geral exigem uma espécie de respeito e luto da comunidade. Por conta disso, nos sentimos inseguros de voltar, especialmente antes dele ser sepultado", explicou o presidente do sindicato.
O final de linha improvisado ficou vazio na manhã desta segunda-feira. Uma moradora do bairro há 30 anos, que preferiu não ser identificada, conta que foi pega de supresa. "Não sabia que os ônibus não voltariam ao final de linha hoje, achei que a situação seria normalizada. Ia para minha formação religiosa, mas depois de esperar durante 1h30 no ponto, desisti de esperar. Não quis andar até a Rua do Canal", disse.
Já o morador Luiz Gonzaga dos Santos, 84 anos, diz que não usa o transporte público com frequência, mas costuma ver o fim de linha cheio de pessoas. "Muita gente pega ônibus aí para ir rabalhar. Faz falta pra muita gente, que sofre com essa situação", lamenta. Na manhã de hoje, o policiamento estava reforçado na área, com duas viaturas.
"A gente também mora na periferia e sabe das dificuldade que o pobre enfrenta. A gente sabe que, infelizmente, apenas 1% da população corresponde a esse crime organizado, mas é 1% que faz um estrago. Só que a maioria acaba pagando por isso", lamenta.
Nesta segunda-feira, integrantes do comitê se reunirão em caráter de urgência para discutir novas ações de combate a crimes contra coletivos. Formado por representantes da segurança pública, sindicatos dos rodoviários, empresas de ônibus, Ministério Público, Defensoria Pública, Tribunal de Justiça, entre outras instituições, na discussão e deliberação sobre ações de prevenção à ataques a ônibus, o comitê foi criado em julho e já apresenta bons resultados
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