CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Índice de Progresso Social

Salvador é 4ª capital com pior qualidade de vida, aponta estudo

Dados fazem parte do Índice de Progresso Social (IPS) de 2026, divulgado nesta quarta-feira (20)

foto autor

Redação iBahia

20/05/2026 às 10:23 - há XX semanas
Google News iBahia no Google News Google Adicionar como fonte preferida no Google

Salvador (BA) ocupa a quarta posição entre as capitais brasileiras com a pior qualidade de vida, de acordo com o relatório do Índice de Progresso Social (IPS) de 2026, divulgado nesta quarta-feira (20). No ranking das capitais com pior desempenho publicado pelo g1, a capital baiana fica atrás apenas de Porto Velho (RO), Macapá (AP) e Maceió (AL).


					Salvador é 4ª capital com pior qualidade de vida, aponta estudo
Elevador Lacerda, um dos principais pontos turísticos de Salvador. Foto: Valter Pontes / Secom PMS

A pontuação média geral da capital baiana fixou-se em 62,18, ficando abaixo da média nacional de 63,40. O calcanhar de Aquiles do município foi o grupo de Necessidades Humanas Básicas, que avaliou indicadores críticos como: nutrição e cuidados médicos; saneamento básico; moradia; e segurança pessoal.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Leia também:

Em entrevista ao portal g1, os sociólogos Ailton Ferreira (especialista em comunicação, mobilização e cidadania) e Rosival Carvalho (professor de Direito da Universidade Católica do Salvador) debateram as causas do posicionamento negativo da capital. Ambos apontaram a segurança pública como um fator crucial.

Carvalho destacou o avanço das organizações criminosas como o motor da violência urbana. Segundo o professor, esse cenário afeta o cotidiano de forma direta (por meio de confrontos armados e letalidade) e também indireta, ao restringir as opções de lazer da população. "Não existe vida noturna em Salvador, o que é um reflexo natural de uma cidade refém da violência", avaliou.

Ferreira corrobora com a tese de que a sensação de insegurança esvaziou a noite soteropolitana, provocando o fechamento de comércios e prejudicando o turismo. Para o sociólogo, no entanto, a solução não passa apenas pelo aumento do contingente policial nas ruas, mas por um projeto de longo prazo focado em cultura, esporte e lazer. "Não existe lugar violento, existe lugar violentado. Existem lugares em Salvador que são violentados por ausências. Existem bairros que não têm praças, quadras, que não têm lazer".

Veja as capitais com melhor qualidade de vida:

  1. Curitiba (PR): IPS - 71,29;
  2. Brasília (DF): IPS - 70,23;
  3. São Paulo (SP): IPS - 70,64;
  4. Campo Grande (MS): IPS - 69,77;
  5. Belo Horizonte (MG): IPS - 69,66;
  6. Goiânia (GO): IPS - 69,47;
  7. Palmas (TO): IPS - 68,91;
  8. Florianópolis (SC): IPS - 68,73;
  9. João Pessoa (PB): IPS - 67,73;
  10. Cuiabá (MT): IPS - 67,22;
  11. Rio de Janeiro (RJ): IPS - 67,00;
  12. Porto Alegre (RS): IPS - 66,94;
  13. Natal (RN): IPS - 66,82;
  14. Aracaju (SE): IPS - 66,35;
  15. Vitória (ES): IPS - 66,02;
  16. Teresina (PI): IPS - 66,02;
  17. São Luís (MA): IPS - 65,64;
  18. Fortaleza (CE): IPS - 65,15;
  19. Boa Vista (RR): IPS - 64,49;
  20. Manaus (AM): IPS - 63,91;
  21. Belém (PA): IPS - 63,90;
  22. Rio Branco (AC): IPS - 63,44;
  23. Recife (PE): IPS - 63,22;
  24. Salvador (BA): IPS - 62,18;
  25. Maceió (AL): IPS - 61,96;
  26. Macapá (AP): IPS - 59,65;
  27. Porto Velho RO): IPS - 58,59.

Conta que não fecha: custo de vida alto e baixo poder aquisitivo

O fator socioeconômico é outra ferida aberta apontada pelos especialistas. De um lado, o mercado imobiliário da cidade inflacionou: dados do Índice FipeZAP revelam que Salvador registrou a maior alta no preço médio de imóveis residenciais no país em 2025.

Do outro, a vulnerabilidade social impera. Dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) mostraram que, em 2022, 42,7% dos habitantes de Salvador residiam em favelas - a terceira maior proporção entre todas as capitais do Brasil. "O poder aquisitivo da população é baixo e o custo de vida da cidade é elevadíssimo, ou seja, a conta não fecha", analisou Carvalho.

Esse sufoco financeiro somado à crise na segurança pública tem provocado um esvaziamento demográfico. Conforme dados anteriores do IBGE, Salvador chegou a registrar o pior índice de evasão populacional entre as capitais brasileiras.

Como é calculado o Índice de Progresso Social (IPS)?

O IPS monitora e classifica o bem-estar nos 5.570 municípios do Brasil sem focar em variáveis puramente econômicas, como o Produto Interno Bruto (PIB). Para medir a qualidade de vida real da população, o levantamento cruza um total de 57 indicadores específicos, que são divididos em três grandes pilares estruturais.

O primeiro pilar foca nas Necessidades Humanas Básicas, avaliando as condições mais essenciais de sobrevivência e proteção dos cidadãos. É nesta categoria que entram as análises sobre o acesso à alimentação e aos cuidados médicos básicos, além da qualidade da moradia, do saneamento e dos níveis de segurança pessoal.

O segundo grupo analisa os Fundamentos do Bem-Estar, que vão além da sobrevivência para medir o acesso à qualidade de vida. Esse bloco avalia se a população tem acesso à educação básica de qualidade, redes de informação, saúde, longevidade e um ecossistema com natureza preservada.

Por fim, o terceiro pilar mede as Oportunidades disponíveis para os moradores de cada localidade. Os indicadores desta última fase analisam a garantia dos direitos individuais, a liberdade de escolha, a tolerância e a inclusão social, além do nível de acesso ao ensino superior.

O estudo final é desenvolvido de forma colaborativa pelo Instituto IPS, Social Progress Imperative, Imazon, Amazônia 2030, Fundación Avina e o Centro de Empreendedorismo da Amazônia.

Participe do canal
no Whatsapp e receba notícias em primeira mão!

Acesse a comunidade
Acesse nossa comunidade do whatsapp, clique abaixo!

Tags:

Mais em Salvador