Aila Menezes e Dai sobem ao palco do Salvador Fest com A Dama e destacam a necessidade da valorização das mulheres no pagode baiano


Foto: Isla Carvalho / iBahia

As cantoras Aila Menezes e Daiana Leone, mais conhecida como Dai, se apresentaram no Salvador Fest 2022 ao lado da banda A Dama. As artistas evidenciaram a importância da valorização das mulheres dentro do ritmo musical e também refletiram sobre o fato de Alanna Sarah ser a primeira cantora de pagode baiano no palco do evento.

“É uma oportunidade incrível. É também ultrapassar uma barreira. Acho que hoje a gente escreve uma nova história no pagode feminino da Bahia e do Brasil. É uma emoção indescritível. Eu comecei em 2007 e estar aqui hoje nesse momento feito por uma mulher preta, periférica, bissexual, incrível e que ocupa todos os espaços, sendo convidada por essa representatividade que é Allana, é muito emocionante“, disse Aila.

“Hoje é um dia histórico, hoje é um momento histórico, estou muito feliz estar aqui ao lado de Alanna. Eu que estive com ela lá no trio quando a música dela estourou ‘Ai pai, pirraça” e hoje tô aqui nesse momento depois de quinze anos, com a primeira banda de mulher a se apresentar no Salvador Fest, junto com Aila Menezes que foi a percussora, é felicidade imensa”, completou Dai.

Em entrevista a repórter Bianca Andrade, do iBahia, as artistas falaram ainda sobre desconstruir a imagem da mulher como objeto sexual e de como isso é algo impresíndivel para a evolução do gênero musical.

“O pagode sempre foi um espaço majoritariamente masculino, machista e que as mulheres não conseguiam protagonizar suas vozes, seus cérebros. A grande maioria eram bundas e nossas bundas são realmente lindas, mas hoje a gente tem muito mais coisa pra contar. Hoje já chegou um momento que a gente não volta mais pra cozinha, né? E que a gente já pode fazer todos os protagonismos: a fala, o canto, a dança, a bunda, a perna e principalmente o cérebro”, pontuou a cantora Aila que tem se apresentado mensalmente no Pelourinho, com o ‘Baile de Todas as Cores’.

Foto: Isla Carvalho / iBahia

“Eu acho que ainda tem muita coisa pra lutar. Mas, acho que o caminho é esse, da gente se unir, da gente realmente conseguir um espaço e leva a outra, porque sem união a gente realmente não consegue levar pra frente“, disse Dai.

Representatividade

Além da representatividade que o show de A Dama trouxe neste domingo (18) para o evento, ambas cantoras fizeram questão de destacar os desafios que elas – mulheres – vivenciam no mercado musical. Para a dupla, acreditar na força do ritmo sendo cantado por vozes femininas ainda é algo que precisa ser intensificado.

“Acho que a maior dificuldade que a gente encontra são os grandes empresários acreditarem que mulheres pagodeiras podem sim trazer público, podem sim encher um festival”, declarou Dai.

“Eu espero que tenha mais Aila, mais Alana, mais Dai, mais Rai Ferreira, mais Nêssa, mais tantas outras mulheres em todos os lugares. Porque fazer mais movimentos que incentivem mulheres dentro desse lugar do pagode é cultura; e o pagode é cultura e cultura é tudo aquilo que tá intrínseco na memória cultural de um povo“, finalizou Aila

Leia mais sobre Entretenimento em iBahia.com e siga o portal no Google Notícias

Veja também: