História antiga

Figurinha carimbada no São João, Bell Marques afasta ‘polêmicas’ com presença na festa: ‘Quem conhece minha história não se espanta’

Bell tem mais de três trabalhos dedicados ao forró, juntando CDs da carreira solo e do Chiclete com Banana

Bianca Andrade
21/06/2022 às 7h00

4 min de leitura
Foto: Reprodução/ Instagram

Bell Marques está para o Carnaval, assim como Bell Marques está para o São João. A frase pode causar um estranhamento em quem não acompanha ambas as festas com vigor, mas nada melhor que o próprio cantor para explicar sua relação com uma das datas mais esperadas e festejadas ao redor dos 417 municípios baianos.

A presença do artista, figurinha carimbada na folia de fevereiro, pode ser um tópico sensível para os mais caxias, mas é inegável que Bell Marques conquistou seu espaço na “folia” de junho.

Em entrevista ao iBahia, o veterano, que em 2022 completa 70 anos de vida e 42 de carreira, falou sobre sua história com a festa. Segundo Bell, o São João surgiu para ele de forma natural por ser parte da cultura nordestina, mesmo tendo nascido e sendo criado na capital baiana, onde a tradição junina não tem tanta força como no interior do estado.

“Sempre foi algo muito natural, desde o Chiclete com Banana. O São João faz parte da cultura nordestina, é algo que vivenciamos desde que nascemos e sempre foi uma das minhas datas favoritas. Diferente do Carnaval, existe uma cultura muito ampla por trás dos festejos juninos, que vai além da festa. Tem as decorações, a parte gastronômica, as brincadeiras, muitas tradições. E sempre levei isso comigo”.

Para o artista, toda polêmica criada em torno da sua presença nas grades dos festejos ao redor da Bahia é uma prova de como as pessoas não se interessam em saber da sua história.

Bell, que tem três CDs de forró gravados na carreira solo e um disco inteiro dedicado ao gênero de quando ainda fazia parte do Chiclete com Banana, lembra que a primeira música que gravou em estúdio foi um dos grandes clássicos do ritmo, ‘Riacho do Navio’, de Luiz Gonzaga.

“Gravei um álbum inteiro de forró ainda no Chiclete e depois mais três em carreira solo. Quem conhece minha história não se espanta com meu nome na grade dos eventos. A cultura do São João é algo que todo baiano vivencia e busco respeitar a essência da festa no meu repertório, seja resgatando clássicos do Forró ou adaptando músicas minhas pro ritmo”, afirma.

Questionado sobre qual seria sua escolha para um “hino de São João”, o veterano não conseguiu escolher apenas uma e citou qual faixa se tornou uma das mais pedidas pelo público em seus shows:

“Acho que seria injusto citar só uma. ‘Riacho do Navio’, de Luiz Gonzaga, é um clássico que sempre está no repertório, assim como ‘Foi Deus Quem Fez Você’, de Amelinha. E eu diria que ‘No Lume da Fogueira’, que o Chiclete gravou já em 1986, acabou se tornando um clássico nos meus shows também”.

A relação do artista com a festa vai além de performar no ritmo que rege a temporada. Bell Marques é o idealizador de um dos eventos mais procurados no mês de junho, a festa ‘Forró do Lago’, que nasceu nos anos 2000 nos arredores de sua fazenda, em Cabaceiras do Paraguaçu, a 156 km de Salvador.

Com o crescimento do evento, a festa foi transferida para Santo Antônio de Jesus e neste ano, além do anfitrião, contará com apresentações de Wesley Safadão, Zé Felipe, Limão com Mel e Rafa e Pipo Marques, no dia 25 de junho na Villa Music.

Bell ainda se apresenta no Forró do Bosque, em Cruz das Almas, no dia 23 de junho ao lado de João Gomes, Thiago Aquino, Lara Amélia e Léo Santana.

O público soteropolitano também poderá curtir Bell em sua versão junina, no dia 26 de junho com a apresentação gratuita que o artista fará no Parque de Exposições, junto a Fagner, Jonas Esticado, Elba Ramalho, Israel e Rodolffo, Mano Walter e Zelito Miranda.

E em meio a tanto trabalho, há espaço para curtir o São João deixando de lado a versão Bell Marques dos palcos? Bem humorado, o cantor revelou o que gosta de fazer no período junino: “Amo ficar na fazenda, no friozinho, acender fogueira pras crianças, comer bastante! Só sou ruim de dançar, mas a gente insiste”, brincou.

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