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Jovens preocupam-se mais com conquistas pessoais do que com vida em sociedade

Universitários de cinco continentes estão mais preocupados com seu progresso pessoal do que em contribuir com a vida em sociedade. Este é o resultado inicial de uma pesquisa sobre o perfil de estudantes de instituições de ensino superior católicas. Foram entrevistados 17 mil jovens (de 34 países) com idades entre 16 e 30 anos.

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28/07/2012 às 9:00 • Atualizada em 07/09/2022 às 19:26 - há XX semanas
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Foram entrevistados 17 mil jovens com idades entre 16 e 30 anos de 34 países. Foto: ruireb

Por Agência Brasil

Universitários de cinco continentes estão mais preocupados com seu progresso pessoal do que em contribuir com a vida em sociedade. Este é o resultado inicial de uma pesquisa sobre o perfil de estudantes de instituições de ensino superior católicas. Foram entrevistados 17 mil jovens (de 34 países) com idades entre 16 e 30 anos. A análise foi divulgada na quinta-feira, 26 de julho, durante encontro da Federação Internacional de Universidades Católicas (Fiuc).

Os dados socioeconômicos reunidos pelo trabalho apontam que as mulheres são maioria nas universidades católicas do mundo, com 64% dos entrevistados. De acordo com a socióloga responsável pela pesquisa e professora do Instituto Universitário Ortega y Gasset, da Espanha, Rosa Aparicio Gómez, essa proporção só se altera nos países africanos, quando a presença feminina não alcança 47% do total. Na avaliação das classes sociais, os estudantes da classe média representam 73%, sendo que 42% são de classe média alta. Os universitários da classe alta são 16% e os da classe baixa somam 11%.

Inicialmente, dá impressão que significa uma insatisfação com a vida”
Rosa Aparicio Gómez, socióloga

“Os países mais desenvolvidos são os que menos têm interesse pelo social. Os africanos expressam mais essa preocupação, já os europeus menos. [Os estudantes da] América do Sul estão em um meio termo. Devemos aprofundar a análise, mas essa é uma das primeiras impressões”, analisou Rosa.

Razões

Dentre as principais razões apontadas pelos pesquisados para ingressar na universidade, 91% escolheram a necessidade de conquistar um trabalho. Os outros itens mais citados foram: gosto pelo estudo (43%) e vontade de obter uma melhor posição social (25%). Apenas 18% citaram a necessidade de ser útil à sociedade.

Quando questionados sobre quais os cinco aspectos mais importantes em suas vidas, o mais citado, com 94%, foi a família. Também foram apontados estudos (44%), amigos (43%), parceiro (33%) e futuro (27%). Os cinco menos escolhidos foram: religião (21%), trabalho (19%), lazer (6%), país (5%) e política (1%).

Outra questão que aponta certo grau de individualismo, na avaliação da pesquisadora, trata sobre os projetos que os universitários gostariam de conquistar nos próximos 15 anos. Ter um bom trabalho (62%), formar uma família (45%), fazer pós-graduação (41%) e ganhar dinheiro (30%) são os mais escolhidos. Os menos citados são: trabalhar para uma sociedade mais justa (8%), envolver-se em projeto social (5%), participar de grupo religioso (3%) e atuar em grupo político (2%).

Perfil brasileiro

O estudo mostra, ainda, que o perfil dos universitários brasileiros está mais próximo ao dos estudantes de países emergentes do que ao dos latino-americanos. Para a pesquisadora, isso pode estar relacionado ao momento econômico vivido pelo país. “É uma época de certa bonança. As pessoas estão vivendo outras coisas, estão avançando pessoalmente”, avaliou. Rosa acredita que o Brasil está mais próximo de países do Sul da Ásia, como a Índia.

Em relação aos papel das instituições, os estudantes mostraram-se céticos ao pontuar a maioria delas. O item que recebeu maior nota, de zero a seis, foi o das instituições educacionais, com 4,1. Em seguida, aparecem as instituições religiosas, com média 3,7, empatada com as organizações não governamentais e bancos. As três piores notas foram dadas para a polícia (2,8), para os governos (2,3) e para os políticos (1,9).

O uso da internet também foi enfocado na pesquisa. As redes sociais estão presentes na vida de 94% dos entrevistados. Eles passam mais tempo na internet do que com amigos. São cerca de duas a quatro horas por dia no computador. O ambiente virtual que simula a vida real, conhecido como Second Life, não é muito utilizado na maior parte do mundo, mas na Ásia o percentual de jovens que constroem personagens virtuais chega a 50%. “É um dado que precisamos interpretar. Inicialmente, dá impressão que significa uma insatisfação com a vida”, ponderou Rosa.

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