Bahia

Entenda o sincretismo religioso entre Senhor do Bonfim e Oxalá

Primeiramente, é preciso explicar quem é Oxalá e quem é Senhor do Bonfim dentro das religiões

Isadora Sodré (isadora.sodre@redebahia.com.br)
- Atualizada em

O sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé está presente na vida dos baianos e fica ainda mais evidente nas tradicionais e centenárias festas de largo de Salvador. Os festejos do Senhor do Bonfim que acontecem sempre em janeiro na capital baiana, assim como a festa de Santa Bárbara, são um exemplo dessa união. Neste caso, o santo católico é associado com o orixá Oxalá. Mas, qual é a origem dessa ligação religiosa?

Em entrevista ao portal iBahia, o antropólogo e professor da Universidade Federal da Bahia, Vilson Caetano, disse que, primeiramente, é preciso explicar quem é Oxalá e quem é Senhor do Bonfim dentro das religiões.

Foto: Bruno Concha/Divulgação/Prefeitura de Salvador
"De acordo com a cultura Iorubá, Oxalá é o criador dos seres vivos, representa os primeiros grupos humanos que saíram para a povoar a terra. Este orixá também possui o título de 'pai da montanha', o que constituiu uma ligação com africanos que habitavam regiões montanhosas. Esse culto de reverenciar Oxalá, o orixá da criação, possibilitou esse encontro com o Senhor do Bonfim", explicou.

"Já Senhor do Bonfim é uma figura emblemática de Salvador, tanto que muitas pessoas não sabem que é o próprio Jesus de Nazaré. Ele também tem ligação com o salvamento, com a criação e foi colocado no alto de um monte para o pagamento de um promessa (feita por capitão português caso sobrevivesse de uma tempestade no mar)", detalhou o antropólogo.
Oxalá por Tarcio Vasconcelos (@tarciov)
Desta forma, estes elementos semelhantes entre o Oxalá e Senhor do Bonfim possibilitam explicar o sincretismo religioso entre eles na Bahia.

"Tanto Oxalá quanto Senhor do Bonfim são cultuados nas montanhas, nas alturas. Ambos são ligados à criação, à origem dos seres humanos, são aqueles que realizam os sonhos. Por este motivo que os africanos foram capazes de estabelecer esse diálogo profundo e criativo entre essas duas figuras religiosas", pontuou Vilson Caetano que também é autor o do livro "Orixás, santos e festas: encontros e desencontros do sincretismo afro-católico na cidade de Salvador".

Desta forma, o sincretismo religioso entre Oxalá e Senhor do Bonfim pode ser estabelecido pela semelhança da origem do orixá, que é adorado nas alturas e é considerado o criador dos seres vivos, com a figura de Jesus, que é cultuado nas colinas e também é reconhecido como criador do universo.