Saúde

‘Estão morrendo porque não completaram vacinação’, alerta cientista Jaqueline Goes sobre alta de números da Covid-19 na Bahia

Último boletim da doença aponta 28 mortes e mais de 4,5 mil novos casos em 24h. Quase 5 mil pessoas ainda não tomaram a dose de reforço da vacina. Pesquisadora relaciona os fatos

Alan Oliveira
15/07/2022 às 8h56

6 min de leitura
Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF

O aumento de mortes por Covid-19 atrelado à crescente dos casos novos e ativos da doença e a baixa procura por vacinação na Bahia têm preocupado especialistas no estado e fora dele. Isso porque, além de serem complicados separadamente, os fatos estão diretamente relacionados, de acordo com o que alerta a pesquisadora baiana Jaqueline Goes.

Em entrevista ao iBahia, a cientista, que integrou a equipe responsável por mapear os primeiros genomas do novo coronavírus no Brasil, explicou que o crescimento nos números da Covid-19 no estado são consequência da falta de vacinação adequada, já que muitas pessoas não retornaram aos postos para se imunizar com a dose de reforço da vacina que protege contra a doença.

No boletim da Covid-19 mais recente, publicado na quinta-feira (14), somente nas últimas 24h a Bahia havia registrado 28 mortes e 4.607 novos casos da doença. Além disso, um total de 20.499 pacientes estão com o vírus em atividade no organismo. Há um mês, o número era de 2.940 casos ativos – quase 18 mil a menos – e 2 mortes. Fato que levou o Governo a ampliar o número de leitos em Salvador e mais seis cidades baianas.

Em todo estado, ainda conforme os dados, 11.634.206 pessoas se vacinaram com a primeira dose da vacina contra a Covid-19, 10.723.084 com a segunda dose ou dose única, 6.504.117 com a dose de reforço e 1.039.484 com o segundo reforço. Ou seja, quase 5 milhões de pessoas ainda não tomaram nem a primeira dose de reforço na Bahia.

“Isso é muito. A gente está voltando a ter pessoas que estão morrendo por causa da Covid-19 e pessoas que estão morrendo porque não completaram o esquema de vacinação. O esquema vacinal, nesse momento, é a melhor opção que nós temos para evitar casos mais graves. É importante completar o esquema”, alerta a pesquisadora.

Foto: Reprodução/Instagram

Segundo Jaqueline Goes, apesar das vacinas terem sido criadas para combater a primeira forma do vírus, que já ganhou novas cepas ao longo dos mais de 2 anos que vem circulando na sociedade, a imunização ainda é a melhor alternativa porque ajuda o organismo a criar anticorpos e se proteger da doença ou, no mínimo, evitar a gravidade dos sintomas.

“Ela oferece um pouco mais de proteção, porque você induz o organismo cada vez mais a responder melhor. Então, mesmo que elas não sejam específicas para as novas variantes, no momento em que o indivíduo faz uma dose de reforço, ele vai aumentando as chances do organismo combater uma infecção pelas variantes mais novas”, explica.

No entanto, ainda conforme a pesquisadora, os estudos para a atualização dessas vacinas seguem em avanço. “Algumas farmacêuticas já estão atualizando o repertório da vacina de Covid. Muito em breve, a gente vai ter vacinas atualizadas. Já existem estudos sendo realizados para que as vacinas da gripe e a vacina da Covid-19 sejam administradas em uma dose única, e possam oferecer para a população essa proteção de sazonalidade”, contou.

A cientista alerta para a importância de se manter outras medidas que impedem a contaminação com o vírus, como o uso de máscaras, a higienização das mãos com frequência e o distanciamento social. Coisas que podem ter sido esquecidas durante as festas juninas deste ano – fato que, segundo Jaqueline Goes, contribuíram para uma maior disseminação da doença.

“A gente teve muitas festas com aglomerações. Mesmo que ao ar livre, são aglomerações. Então, a gente não pode deixar de esquecer que o vírus está ali, naquele espaço. Se tinha pessoas infectadas, aquilo foi sendo transmitido para as pessoas que estavam nas proximidades, mesmo com a circulação de ar”, conta.

Foto: Reprodução/Instagram

Jaqueline citou também a importância dos cuidados na proteção não só de quem tem acesso à imunização, mas também e, principalmente, das pessoas que não podem se vacinar contra a doença por causa de outros problemas de saúde.

“A gente tem a questão também de que a vacinação, além de proteger o próprio indivíduo, ela está protegendo aquelas pessoas que não podem se vacinar. Enquanto eu não penso no meu coletivo, eu acabo trazendo malefícios para a sociedade como um todo”, ressalta a cientista.

De acordo com a pesquisadora, ainda é e sempre será importante manter o isolamento de outras pessoas quando se está com a doença, para evitar que ela seja transmitida. Jaqueline aponta que essa precaução deve durar entre 7 e 14 dias, de acordo com a persistência dos sintomas.

“Se em 5 dias a pessoa não tem mais sintomas e já testou negativo, ela pode voltar [a ter contato com outras pessoas] no sétimo dia. Caso ela continue testando positivo, ela precisa se isolar por mais tempo, até completar 14 dias, para conseguir resolver a infecção”, disse.

E, para além do período de isolamento, é importante aguardar para tomar a vacina após ter Covid-19, pois, segundo a cientista, o paciente pode acabar sobrecarregando o organismo com o vírus, ainda que ele esteja inativo na vacina.

“É melhor aguardar um pouco para poder fazer uma nova dose, se for o caso. Precisa aguardar pelo menos um mês após o final dos sintomas”.

Atualmente, além de seguir pesquisando sobre a doença, a biomédica também atua em um projeto das Organizações das Nações Unidades (ONU) chamado Equipe Halo, que reúne cientistas no combate às fake news sobre a Covid-19.

“A gente trabalha trazendo informações confiáveis sobre vacinas contra Covid-19, mas também em relação a ciência, a forma como a ciência tem sido feita, principalmente na pandemia”, explica.

Leia mais sobre Bahia no iBahia.com e siga o portal no Google Notícias