Emissões de carbono batem recorde mundial em 2010, segundo agência internacional


AIE (Agência Internacional de Energia) divulgou na segunda-feira, 30 de maio, o número de emissões de CO2 lançados na atmosfera em 2010. Foram 30,6 gigatoneladas emitidas, o que marcou um recorde mundial de emissões em um só ano.

O registro feito pelo órgão representou um acréscimo de 1,6 gigatoneladas em relação a 2009. Segundo a agência, se este número se manter em 2011, a meta proposta na COP-16 ( Conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas) de não aumentar a temperatura global em 2 graus Celsius, quantidade considerada limite para danos irreversíveis no aquecimento global, não será cumprida.

“O mundo chegou incrivelmente perto do limite de emissões que não deveriam ser alcançadas até 2020 para a meta de 2 graus ser atingida. Dada a redução do espaço para manobras até 2020, ao menos que decisões fortes e decisivas sejam tomadas logo, será extremamente difícil conseguir alcançar a meta global acertada em Cancún”, afirmou Faith Birol, economista-chefe da AIE e responsável pelo relatório anual da entidade World Energy Outlook.

A estimativa feita pela AIE previu que até 2020 as emissões globais não deveriam ultrapassar as 32 gigatoneladas.

Futuro

De acordo com o relatório desenvolvido pela AIE, as perspectivas de futuro para a diminuição das emissões não são boas. O recorde, 5% maior do que o recorde anterior de 2008, veio juntamente com outro problema em relação ao futuro: segundo a AIE, 80% das emissões projetadas para 2020 já estão comprometidas pelas empresas de energia elétrica.

Para Birol, o recorde associado ao comprometimento das emissões pelo setor energético “representam um grave revés para nossas esperanças de limitar o aumento global da temperatura para não mais de 2 graus Celsius”. A queda dos números em 2009 motivada pela crise financeira mundial não conseguiu se manter em 2010, quando as indústrias e a energia voltaram ascender no mundo.

Emissão nos países

Em países desenvolvidos, as emissões de 2010 chegaram a 40% do total, numa participação de apenas 25% no crescimento global de dióxido de carbono, principal gás estufa.

Os países em desenvolvimento foram os maiores responsáveis. Segundo a AIE, China e Índia foram as grandes causadoras do aumento, pelo crescimento econômico acelerado destas nações.

A China, inclusive, perdeu quase 90% do volume do lago de água doce Poyang, em função da pior seca no meio século do país, segundo informou o jornal “South China Morning Post” na segunda-feira, 30 de maio. O lago agora está coberto por uma planície de barro ou erva, maltratando a população local que vive da água para regar seus cultivos.

Mas, segundo a AIE, quando trata-se de emissões per capita de CO2, China e Índia continuam atrás dos países desenvolvidos. Enquanto China tem 5,8 toneladas e Índia 1,5 toneladas de emissão, o países desenvolvidos ainda possuem 10 toneladas per capita.