Entenda o caso do youtuber Júlio Cocielo e a repercussão


No último sábado (30), após o jogo entre França e Argentina, o youtuber Júlio Cocielo foi ao seu Twitter para fazer um comentário que dividiu a internet. Segundo ele, o atacante francês Mbappé "conseguiria fazer uns arrastões top na praia". Apesar de ter bloqueado diversos tweets antigos – mais de oitenta mil -, ele não foi rápido o suficiente para a internet: em questão de horas, outros prints de publicações anteriores surgiram, onde o influencer comentava sobre negros, mulheres e minorias. Confira alguns deles:

Alguns amigos do jovem, por um lado, saíram em sua defesa. O youtuber Felipe Castanhari, do canal Nostalgia, chegou a comentar que "quem te conhece sabe do seu coração". Muca "Muriçoca", da sessão de games do YouTube, também falou que vai ficar ao lado do amigo "neste momento difícil". Outros artistas condenaram a atitude do jovem. Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, pais da pequena Titi, de 5 anos, foram às redes para repudiar o ato. "Ainda fico chocada como podem existir pensamentos como desse tipo de pessoa", disse a atriz em uma das postagens, compartilhada de uma postagem da atriz Samara Felipo.

Segunda do dia!!! Odeio ter que postar coisas tão repugnantes e tristes como essa…mas é necessário!!! Ainda fico chocada como podem existir pensamentos como desse tipo de pessoa…isso NÃO EH UMA BRINCADEIRA E NUNCA FOI!!! Isso é RACISMO! ???? #Repost @sfelippo ・・・ Vamos lá… próximo do dia: Nessa era de youtubers eu já disse aqui o pânico que tenho da influência que nossas crianças e adolescentes sofrem. Esse @cocielo eu nunca segui, talvez por isso nunca chegou a mim os milhares de tweets racistas, machistas, misógenos que ele escreveu. Alimentando o ódio contra as minorias, alimenta preconceito, faz piadas com crianças negras e ainda é “influenciador digital”. Medo, muito medo do nosso caminho pensando nesses “influencers” que sequer conseguem enxergar a sociedade que vivem. O que eu desejo @cocielo é que você, assim como essa era de influenciadores digitais tão queridos, reflitam e exerçam esse dom num lugar de sabedoria e bem ao próximo. Pelo futuro de uma geração. Por uma sociedade mais igualitária, menos homofóbica, racista, machista, intolerante. Nos ajude, vc pode!! Eu tenho esperança. Mas é preciso falar!!! A luta é diária para que isso acabe! ✊???? Não é piada!!!!!! Nem “antigamente” era piada!!! Nunca foi e nunca será piada!!

Uma publicação compartilhada por Giovanna Ewbank (@gio_ewbank) em 2 de Jul, 2018 às 4:07 PDT

Fãs tentam justificar as publicações
Alguns seguidores do jovem chegaram a comentar o fato. Um deles, inclusive, chegou a dizer que "a patrulha do mimimi" iria reprimi-lo, ao passo que o vlogger respondeu que eles já estavam reclamando. "Quem nunca errou que atire a primeira pedra", disse outro fã.

Ele chegou a postar um pedido de desculpas em seu Twitter, mas não foi suficiente para estancar o problema. Confira:

Repercussão entre patrocinadores
Por ter o quinto maior canal (em número de inscritos) do YouTube no Brasil, Cocielo atraiu a atenção de grandes anunciantes. A Submarino, loja online do segmento eletrônico, por exemplo, chegou a patrocinar o casamento do jovem com a youtuber Tatá Estanieck (que também já se envolveu em uma polêmica sobre racismo). Agora, após o episódio, a empresa afirmou que vai tomar as medidas cabíveis.

A Coca-Cola, que já estampou publicidades com o influencer, disse que "manifestações preconceituosas não são toleradas" e que "não tem planos para futuras parcerias". O Itaú, que até o dia 30 de junho exibia peças publicitárias com o rapaz, informou que "o youtuber não faz mais parte de qualquer peça de comunicação".

A grife esportiva Adidas, que levou o youtuber para assistir a Copa na Rússia, também confirmou que vai cortar relações comerciais. "A Adidas é uma marca que repudia todo e qualquer tipo de discriminação. Portanto, decidimos suspender a parceria com o youtuber Júlio Cocielo.", afirmaram em nota.

Sobre Júlio Cocielo
O youtuber explodiu em 2015, ano em que atingiu a marca de 1 milhão de inscritos. No final do mesmo ano, o jovem publicou em seu canal o vídeo "Retrospectiva de Favela". Ainda em 2015, ele foi contratado pela Band para integrar a equipe do programa "Pânico na Band".

*Supervisionado pelo editor-chefe Rafael Sena