Músico que teria começado incêndio em boate nega responsabilidade


O músico suspeito de dar início ao incêndio que matou 231 pessoas em uma boate na cidade gaúcha de Santa Maria negou ser o responsável pela tragédia em depoimento nesta segunda-feira (28). O nome do artista não foi divulgado pela Polícia Civil.

O delegado Marcelo Arigony disse que o músico “não assumiu a culpa em suas declarações” e negou ter responsabilidade pelo incêndio. A informação é do portal UOL.

“Ninguém assumiu ter soltado o sinalizador. (Nos depoimentos, uma pessoa) falou (quem acendeu o artefato), mas nós não vamos adiantar isso ainda. Se temos quatro pessoas segregadas, é porque temos algum fundamento para isso”, disse o delegado.

O delegado ressaltou que existem dois tipos de sinalizadores, sendo um deles, o de fogo frio, que pode ser usado em ambientes fechados. “Se esse fato, que nos parece temerário, de ter jogado um sinalizador dentro de uma boate, que nos parece absurdo, pode ser um elemento desse de fogo frio e a nossa ideia preliminar de que a pessoa tinha agido de forma temerária, pode ser desmontada”.

Segundo relato de testemunhas, sobreviventes do incêndio, o fogo começou quando um dos músicos da banda Gurizada Fandangueira usou um efeito pirotécnico com um sinalizador e as faíscas acabaram atingido a espuma que servia de isolante acústico no teto da boate.

Dois músicos foram presos preventivamente, assim como dois donos da boate, para que não interfiram nas investigações.

O chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, Ranolfo Vieira Júnior, disse que todas as possibilidades serão investigadas, inclusive as declarações de que seguranças teriam fechado as portas para evitar a saída do público sem pagar, em um primeiro momento do incêndio, Vieira Júnior disse ter “absoluta certeza” de que tudo vai ficar esclarecido.

“A investigação vai passo a passo e não queremos trabalhar com prazos”, acrescentou.  Ele disse que só este trabalho investigativo vai comprovar se o efeito pirotécnico foi o que realmente causou o incêndio e se o local não tinha saídas de emergência.

A Defensoria Pública do Rio Grande do Sul também pediu no início da noite de hoje o bloqueio de bens dos donos da boate Kiss. O pedido ainda abrange bens registrados em nome da boate como pessoa jurídica.   “A Defensoria está pedindo a indisponibilização dos bens para garantir indenizações futuras, em razão da gravidade do fato, do número de envolvidos e temendo que os donos se desfaçam do patrimônio”, afirmou o defensor público geral do Estado, Nilton Leonel Maria.

Enterros
Mais de 100 enterros de vítimas do incêndio na boate aconteceram hoje no Cemitério Ecumênico Municipal de Santa Maria.

O governador do Estado, Tarso Genro (PT), e senadores do Rio Grande do Sul visitaram as famílias durante o velório, defendendo mudanças nas regras para liberação de alvarás para casas noturnas, além de melhorias na fiscalização municipal.

Entenda a tragédiaNa madrugada do dia 27 de janeiro, centenas de jovens participavam de uma festa na boate Kiss, no Centro de Santa Maria. O fogo começou durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira. Por volta de 2h30m, um dos integrantes do grupo utilizou um sinalizador luminoso, cujas fagulhas atingiram a espuma de isolamento acústico da casa noturna, provocando o incêndio.

As vítimas buscaram rotas de fuga, no entanto, segundo relato de sobreviventes, um grupo de seguranças bloqueou a única saída da boate para evitar que os clientes saíssem sem pagar. Sem conseguir sair do estabelecimento mais de 200 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. A maioria dos mortos foi vítima de intoxicação pela fumaça. Os bombeiros encontraram dezenas de corpos empilhados nos banheiros, onde muitos ainda tentaram se proteger, e em frente à porta da boate. O incêndio, que teve repercussão internacional, é considerado o segundo maior da História do país e a maior tragédia do Rio Grande do Sul.

Com 262 mil habitantes, Santa Maria é uma cidade universitária que fica na região central do estado. A festa, chamada de “Agromerados“, reunia estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFMS). A maior parte deles tinha entre 16 e 20 anos. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o plano de prevenção contra incêndios da boate Kiss estava vencido desde agosto de 2012.

Localizada na Rua Andradas, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes — além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15.

Matéria original: Correio 24h
Músico que teria começado incêndio em boate nega responsabilidade em depoimento