Nem tudo acaba quando termina
O Setembro Amarelo termina, a campanha eleitoral também, mas o cuidado e a responsabilidade continuam

Falamos durante todo o mês sobre saúde emocional, prevenção ao suicídio, sofrimento e a importância de pedir ajuda, ao mesmo tempo, estamos vivendo um período em que as emoções ficam especialmente mobilizadas pela disputa política.
Uma coisa não precisa ser separada da outra.
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Cuidar da saúde emocional não significa se afastar da realidade ou permanecer indiferente às injustiças, significa conseguir permanecer em contato com aquilo que defendemos sem permitir que o ódio, o medo ou a exaustão determinem todas as nossas ações.
A política mobiliza afetos porque fala sobre aquilo que desejamos para o futuro, sobre o que tememos perder e sobre aquilo que consideramos injusto, por isso, não é estranho que uma eleição atravesse nossas relações, provoque discussões e até revele diferenças que estavam escondidas no cotidiano.

O problema começa quando a disputa deixa de ser sobre ideias e passa a definir o valor das pessoas.
Podemos discordar profundamente de alguém e ainda reconhecer que existe uma pessoa ali, com uma história, experiências e contradições próprias. Isso não significa relativizar aquilo que consideramos inaceitável, nem abrir mão de defender direitos e valores, significa apenas não permitir que a política transforme toda relação humana em uma guerra.
Na minha vida profissional, vejo como os conflitos se tornam mais difíceis quando deixamos de discutir aquilo que o outro pensa e passamos a reduzir o outro inteiro àquilo que ele pensa. Uma das tarefas mais difíceis é justamente sustentar nossas convicções sem perder a capacidade de escutar.

A eleição vai passar, o resultado será anunciado, os discursos vão mudar, as redes sociais encontrarão outro assunto e a vida cotidiana continuará exigindo de nós aquilo que nenhuma urna consegue resolver sozinha: a capacidade de conviver, cuidar, discordar e construir.
Por isso, nesta reta final, escolha com consciência, informe-se, participe, defenda aquilo em que acredita, mas não entregue sua vida inteira à disputa.
O Setembro Amarelo termina, mas o cuidado continua. A campanha termina, mas a convivência continua. Depois da urna, ainda teremos uns aos outros.

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