Esses dias descobri um fenômeno chamado Liking Gap, ele descreve a distância entre o quanto as pessoas gostam de você e o quanto você acredita que é gostado. Na maioria das vezes, essa distância não surge porque falta afeto, mas porque ele não é percebido. E, muitas vezes, não é percebido por que quase não é dito, não é verbalizado.

Isso acontece em diferentes tipos de relação. Relações amorosas, amizades, vínculos familiares, relações entre pais e filhas, mães e filhos, irmãos, colegas de trabalho. O afeto até existe, mas circula pouco em forma de palavra. As pessoas sentem, pensam coisas boas, se importam, mas não dizem. E quando o afeto não é nomeado, ele facilmente se perde.
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Com o avanço da tecnologia, essa verbalização ficou ainda mais escassa, a comunicação se tornou rápida, funcional, atravessada por telas, reações automáticas e mensagens curtas. Curtir substituiu dizer, visualizar virou presença. E, pouco a pouco, fomos desaprendendo a expressar afeto de forma direta.

O problema é que isso não começa na vida adulta. Muitas pessoas crescem sem ouvir com frequência que são importantes, desejadas, amadas ou valorizadas. A criança aprende cedo a interpretar o silêncio como ausência, e essa leitura acompanha a vida inteira. O que não foi dito na infância vira insegurança na adolescência e dúvida constante nas relações adultas e a bola de neve só cresce.
Quando o afeto não é verbalizado, a mente tenta preencher as lacunas, a ausência de palavras vira sinal de rejeição, a falta de convite vira prova de desinteresse. E a pessoa começa a se mover no mundo acreditando que ocupa pouco espaço nos vínculos que constrói.

Você já parou para pensar em quantas relações foram esfriando não por falta de carinho, mas por falta de expressão? O que você conclui sobre si quando o afeto não chega em forma de palavra? Quantas vezes você se afastou por acreditar que não era tão importante assim?
Talvez janeiro seja um bom momento para observar isso com mais atenção, para quem você sente carinho, mas quase nunca diz? Em quais relações o silêncio tem falado mais alto do que o afeto? O que te impede de colocar em palavras algo simples, sem grandes explicações?

Vá por mim, expressar afeto não é exagero, nem fragilidade. Muitas vezes, é apenas tornar visível algo que já existe. E quando o afeto ganha palavra, ele organiza os vínculos, diminui fantasias e cria chão emocional, talvez não falte gostar, talvez só falte dizer.
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