Passado o barulho das festas, algo fica suspenso. O novo ano começa, mas nem sempre com a clareza e a energia que se espera. Na clínica, é comum ouvir relatos de estranhamento logo nos primeiros dias: uma sensação de vazio, uma ansiedade sem nome, como se fosse cedo demais para decidir e tarde demais para não saber.

Existe uma ideia bastante difundida de que começar um novo ano significa virar a página de forma definitiva, estabelecer metas claras e assumir uma versão mais organizada de si. Mas quem disse que o começo precisa ser imediato? E se esse vazio inicial não for falta, mas espaço?
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Antes de agir, é preciso sentir. Antes de decidir, é preciso escutar. Quando tentamos preencher rapidamente esse silêncio com listas, promessas e exigências, corremos o risco de repetir padrões antigos, apenas com um discurso renovado. Que tipo de expectativa você coloca sobre si logo no início do ano? Ela é sua ou foi aprendida?

Começar, muitas vezes, é sustentar o não saber. É permitir que os desejos se revelem aos poucos, que as imagens internas se organizem, que aquilo que ficou em aberto encontre um novo lugar. Nem todo início pede movimento imediato. Alguns pedem presença.

Talvez o verdadeiro começo do ano não seja fazer mais, mas escutar melhor. O que permaneceu em você depois que o ano virou? O que pede cuidado antes de pedir ação? O que precisa ser respeitado no seu próprio ritmo?

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