Depois da infância, vem a adolescência. Então, a pergunta muda. O que antes era: "O que você vai ser quando crescer?" transforma-se em: "Você já escolheu o que vai ser?". Essa pergunta costuma surgir no início do ensino médio, mas já não carrega a intenção lúdica da infância, nem o sorriso do adulto que escuta uma resposta criativa. Agora, ela aparece com prazo, às vezes com comparação e, em outras ocasiões, com a ansiedade por uma resposta consciente e definitiva.

"A hora está chegando" ou "está ficando tarde" - esses podem ser os sentimentos de quem pergunta, mas acabam sendo projetados no adolescente que escuta. O sentido de urgência aparece. E, sem método, a escolha sem critério pode dar errado.
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Quando criança, a resposta vinha da imaginação: astronauta, jogador, médica, artista, policial. Na adolescência, a resposta passa a ser exigida como decisão. Só que o tempo interno do amadurecimento raramente acompanha o tempo externo das cobranças: vestibular, ENEM, ranking, comparação com os colegas, filhos dos amigos dos pais e as expectativas dos outros.
Nos atendimentos de Orientação Vocacional, percebo tudo isso, incluindo algumas decisões impulsivas disfarçadas de consciência. É fundamental que os pais entendam que a adolescência é um período de reorganização emocional, cognitiva e identitária. O jovem está tentando compreender seus limites, habilidades, inseguranças e desenvolver autoconhecimento. Pedir que ele escolha uma profissão sem oferecer estrutura é como solicitar que construa uma casa sem planejamento ou conhecimento técnico.
Aqui vão 03 dicas importantes para adultos entenderem seus adolescentes que estão nessa fase de decisão da carreira:
- Quando sentem a pressão da pergunta, adolescentes ativam os medos do que querem evitar: medo de errar, de decepcionar, de perder tempo ou de fazer uma escolha equivocada. E quando o medo entra em cena, o raciocínio sai.
- Troque urgência por processo: decisão sem pesquisa e sem método costuma gerar arrependimento.
- Escolher não é sentença, é construção: quando o jovem entender melhor quem ele é e como funciona, a escolha deixa de ser um peso e passa a ser um caminho possível, consciente e ajustável.
Uma diferença importante entre gerações é que, hoje, existem métodos, ferramentas e processos que ajudam o jovem a ganhar clareza antes de decidir: autoconhecimento, análise de perfil comportamental, levantamento de interesses, pesquisa de cursos, compreensão do mercado, conversas estruturadas e orientação especializada. Tudo isso reduz significativamente o risco de escolher uma carreira no escuro. Afinal, crescer não é escolher rapidamente, mas aprender a tomar decisões com consciência.
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