Essa é uma das perguntas mais universais da infância. Eu ouvi, você ouviu e a maioria das crianças ainda ouve. Quase todo mundo já respondeu alguma coisa: astronauta, jogador de futebol, policial, médica, professor ou artista. Mas ela é feita para responder ou corresponder às expectativas de quem? De quem pergunta ou de quem responde?

Pai e mãe, quando ouvem a resposta, nem sempre ficam satisfeitos. Alguns procuram até fazer com que a criança mude de ideia. Acredite! Já ouvi relatos, dessa forma, dos pais dos adolescentes que atendo no processo de Orientação Vocacional. O que percebo, em sua maioria, é que a expectativa parental está na projeção. Mas a pessoa quando criança é só uma criança. E toda resposta vem através do que ela tem como referência: os pais, a escola, a televisão ou a internet. Para uma criança não vai existir a resposta certa ou o discernimento de atender às expectativas do pai ou da mãe. Normalmente vem a sinceridade, para desespero de alguns. (risos).
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É uma pergunta saudável? Sim. Desde que feita sem pressão. Deve ser tratada como algo leve. A criança responde a partir da imaginação, das referências ou do encantamento. É onde a criatividade está mais presente: sem filtros, sem planilhas ou autocobrança por retorno financeiro e estabilidade.
No processo de Orientação Vocacional, quando eu faço a pergunta para o adolescente “quando você era criança, o que dizia que queria ser quando crescesse?”, as respostas vêm carregadas de memória e podem ser muito reveladoras para uma decisão. E quando se olha com mais cuidado, muitas escolhas profissionais fazem mais sentido do que parecem à primeira vista. O que muda não é o desejo em si, mas como encontrar espaço para se expressar na realidade.
Sem o cuidado devido com essa pergunta, o tempo passa sem amadurecer o sujeito, porque na infância essa pergunta é praticamente fantasia, na adolescência vira urgência e, sem maturidade, na vida adulta a escolha pode virar frustração.
Preste atenção nessas 3 dicas para lidar com seus filhos(as), sobrinhos(as), netos(as) e afilhados(as):
- Por trás de toda a resposta de uma criança existe um interesse que pode não ser exatamente o exercício daquela profissão.
- Você já passou por isso e sabe como é lidar com cobrança. Durante a infância não dá para pressionar por uma resposta pronta. Essa ainda é uma fase exploratória onde surgem referências de todos os lados.
- Nunca descarte a resposta de uma criança, descubra como traduzir o que está por trás dela.
Sim, escolher uma carreira é coisa séria. Você até pode ter se frustrado com a sua escolha, mas isso não significa que o outro também irá se frustrar. É preciso técnica, método e estrutura para tomar essa decisão. E, hoje, existem ferramentas e serviços que direcionam melhor para quem já está na fase da adolescência. Fase essa que vem com a pergunta um pouco diferente: “você já escolheu o que vai ser?”. Aparece bem ali já no início do ensino médio. Mas esse é um tema para a próxima coluna.
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