Jalapão desperta paixões com suas belezas incomparáveis


Foto: Acervo Erick Issa

O Jalapão desperta paixões arrebatadoras. É com essa pequena frase que tento resumir meu sentimento para aqueles que perguntam se vale a pena viajar até o Tocantins, para conhecer um dos parques nacionais mais bem preservados do Brasil. Essa semana, você vai viajar até o Jalapão comigo, mas, cuidado, você corre risco de querer arrumar a mala e pegar o primeiro voo para esse paraíso natural. Depois não diga que não avisei!

Quanto custa viajar ao Jalapão?
Primeiro, você precisa saber que esse paraíso tem suas peculiaridades, como quilômetros de estradas de barro e areia. Asfalto por aqui é quase lenda. Se prepara para sacolejar durante os deslocamentos. É recomendável fechar o pacote com uma agência para evitar os perrengues citados com veículos atolados, pneus lascados e até mesmo perda de localização. Lembrando que não é permitido entrar nas atrações do Parque Estadual sem um guia.

A princípio, você pode achar o valor caro, mas tenha em mente que o pacote inclui hospedagem no Jalapão, transporte, guia, entradas nas atrações e absolutamente todas as refeições (café, almoço, jantar, petiscos e água no carro). A única preocupação por fora do pacote são as passagens aéreas para Palmas, de onde partem as excursões. Os valores variam entre agências, mas eu escolhi a Jalapão Park do Sol pelos preços mais acessíveis. Os grupos são menores (a partir de 2 pessoas) e por serem de Mateiros, eles garantem guias que conhecem o Jalapão e suas histórias como ninguém.

O valor do pacote, cobrado por pessoa, começa em R$ 2000 para o roteiro de 3 dias. Os demais roteiros custam R$ 2.420 (4 dias), R$ 2.640 ou R$ 2.875 (5 dias a depender do roteiro escolhido) e R$ 3.200 (6 dias). As agências costumam pedir 20% antecipado do valor para garantir a reserva. Os outros 80% são pagos no dia do passeio e divididos em até 6x no cartão. Eu indico 4 dias, que foi o que fiz, e contempla basicamente todas as principais atrações do Jalapão. Se viajar com a mesma agência que eu, pode falar que pegou as dicas com issabordo, que, com certeza, você será recebido com ainda mais alegria.

Como chegar?
A melhor forma de chegar ao Jalapão é através de Palmas, capital do Tocantins. Como a região do parque ainda não possui aeroporto, o ideal é pegar um voo até Palmas e, de lá, seguir viagem por terra até o Jalapão. De Salvador, é possível seguir até Palmas com as companhias Gol (voo direto), Latam e Azul, sendo as duas últimas com conexão em Guarulhos, Campinas ou Congonhas.

Algumas agências que fazem o tour pelo Jalapão também contam com saídas a partir de Barreiras, no oeste da Bahia. Neste caso, você poderia ir de ônibus até Barreiras ou fazer um voo no aeroporto com destino a cidade baiana. De qualquer forma, amarre tudo direitinho com a agência antes para combinar se é possível iniciar o passeio de terras baianas. 

Foto: Acervo Erick Issa

Quando ir?
Esse é um destino para ser visitado o ano todo. Embora, oficialmente, exista uma temporada chuvosa, que costuma ser evitada pelos turistas. Confesso que viajei no mês de novembro, quando a possibilidade de chuva ainda é alta, mas peguei bons dias de sol. É importante que saiba que independente da chuva, as temperaturas na região central do Brasil são altas. Em média, o Jalapão ostenta 30 graus. Os dias são bem quentes. A temporada mais seca por aqui vai de maio a setembro, seguida por um período com maior incidência de chuva, entre outubro e abril, com prováveis picos nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro.

Onde se hospedar?
Essa é uma pergunta que pode ser riscada da sua lista. Como assim? Não devo me preocupar com onde me hospedarei? A resposta é não. Como dito anteriormente, essa parte é resolvida pela agência, que vai reservar sua acomodação nas cidades que tiver como base. No meu caso, a hospedagem foi em Ponte Alta do Tocantins e Mateiros.

Isso quer dizer que não posso fazer minha viagem por conta própria? É mais ou menos isso. O Jalapão é uma área onde basicamente não há asfalto. As estradas são de barro, terra e ou areia. Internet nas atrações e no deslocamento entre elas é algo quase que impossível de se encontrar, então, é muito arriscado fazer esse tour por conta própria.

Caso queira viajar por sua conta, precisa saber que deverá alugar um veículo 4×4 em palmas. As diárias não são baratas. Some-se a isso o alto custo de combustível e, provavelmente de manutenção. Não são poucos os casos de veículos atolados e pneus lascados durante o trajeto. Eu mesmo vivenciei isso com um dos pneus do carro que estava, sofrendo danos no último dia de viagem. Além do mais, mesmo que queira ir sozinho, precisará contratar um guia para entrar em diversas atrações. É regra da casa!

Mas para quê se preocupar com tudo isso se você pode contratar quem entende do assunto e ficar tranquilão, curtindo seu passeio com tudo incluso? Fica a dica, mas a escolha é sua!

Onde comer?
Também não se preocupe com isso. Além dos petiscos que costumam ser oferecidos durante os deslocamentos de carro (consulte sua agência sobre isso), café da manhã, almoço e jantar estão inclusos no pacote. O café ocorre na pousada que estiver hospedado, enquanto o almoço e o jantar ficam disponíveis com guia.

Almoçamos em restaurantes deliciosos de comida caseira no caminho para a Lagoa do Japonês. Há duas ou três opções na região. Também fizemos uma parada em restaurante local de comida caseira no intervalo entre um e outro fervedouro. Houve um dia em que o almoço ficou por conta de um restaurante quilombola.

No Jalapão, nada de restaurantes caríssimo e chiques. Tudo aqui tem cara de ambiente familiar com aquele sabor de comida caseira. No jantar, houve opção de pizza, self service, dentre outras coisas. Não esqueça de consultar e combinar tudo isso com o seu guia. Lembro e indico um restaurante muito bom que comi no trajeto até a Lagoa do Japonês, de Dona Minervina. Outro muito saboroso foi o Mandala Dourada, que fica no caminho entre os fervedouros.

Foto: Acervo Erick Issa


O que levar para o Jalapão?
Essa é uma dúvida comum das pessoas que viajam pela primeira vez a esse paraíso tocantinense. Como aqui em nossa coluna você não passa aperto, se liga na lista de coisas que não podem faltar na sua mala para esta viagem:

Roupas leves e coloridas, roupas de banho, calçados leves e chinelo, chapéu, boné e óculos de sol, protetor solar, hidratante e repelente, toalhas de secagem rápida, um casaquinho, roupas para trilhas e papetes ou calçados para molhar.

O que fazer?

  • Lagoa do Japonês

Minha viagem pelo Jalapão começou bem cedinho, saindo de Palmas, com destino à Lagoa do Japonês, dona das águas mais cristalinas da região. Para este passeio, não é necessário se preocupar com ingresso, já que o valor da entrada está incluso no pacote que você fecha com a agência, bem como almoço, transporte e guia. Os únicos valores pagos à parte são opcionais para alugar sapatilhas e usar a tirolesa, que custam R$ 10 e R$ 40, respectivamente. Caso queira visitar esse lugar, pesquise se consta no pacote oferecido, pois a Lagoa do Japonês fica fora do Jalapão, na cidade de Pindorama. No meu roteiro de 4 dias/3 noites, além da lagoa, estavam diversos fervedouros, cachoeiras, Pedra Furada, dunas e demais atrativos. Na Lagoa do Japonês, se prepare para a massagem natural. É que tem uns peixinhos bem pequenos na lagoa que adoram tocar o corpo humano. Eu, inclusive, recebi vários beliscões na região do peito. No mais, aproveite a vista, nade bastante e tire lindas fotos nesse lugar incrível de águas transparentes.

  • Pedra Furada

Após curtir o início da tarde na cristalina Lagoa do Japonês, segui para uma das paradas mais aguardadas, a Pedra Furada, que tem uma visão estonteante e é dona de um Por do Sol de tirar o fôlego. Mais uma vez, não é preciso se preocupar em pagar nada, afinal tudo está incluso no pacote que você fechou com a agência. Aqui, basta assinar uma lista de visitantes e caminhar por 200 metros até uma das vistas mais bonitas que a natureza pode oferecer. Você sabia? A Pedra Furada é uma formação rochosa com mais de 100 milhões de anos!

  • Cânion Sussuapara

O Cânion Sussuapara foi a primeira parada do segundo dia de aventuras pelo Jalapão. Ele fica situado a apenas 12 km de Ponte Alta do Tocantins, local onde dormimos na primeira noite. A trilha para acesso é bem curtinha e segura, com algumas escadas. Nada que leve mais do que 15 minutos. Uma cascata na parte mais pra dentro do cânion vai te proporcionar uma bela vista, além de render boas fotos.

Foto: Acervo Erick Issa

  • Cachoeira da Velha e Prainha do Rio Novo

Tinha uma COBRA no meio do caminho! Lá estava eu, superanimado no Jalapão, andando até a Cachoeira da Velha, quando, sem nem perceber, cruzei com uma cobra. Aquela caninana de DOIS METROS podia ter me pego, mas tive a sorte de ter um guia supercuidadoso, Seu Josimar, que alertou e nos afastou da dita cuja. Depois que a cobra se embrenhou pelo mato, seguimos até a pontinha da Cachoeira da Velha. A vista é linda, mas não dá pra tomar banho por aqui. Para aproveitar essas águas geladas, basta seguir um pouco mais à frente e curtir a Praia do Rio Novo.

Atenção! A caninana não é venenosa, mas é arisca e costuma dar uma carreira em quem passa pelo seu caminho. Para vê-la, basta ir até meu Instagram, o @issabordo, assistir os destaques do Jalapão fixados aqui no perfil.

  • Fervedouros

Uma das principais atrações do Jalapão, os fervedouros são nascentes de rios subterrâneos caracterizados pelo fenômeno da ressurgência. O que isso significa? Que independente do seu peso, a pressão da água que brota do solo não permitirá que você afunde, dando a sensação de flutuação. Em alguns fervedouros, o fenômeno se assemelha a uma cama elástica, um pula pula. Você tenta afundar e volta à superfície. Algumas pessoas acreditam que o nome fervedouro tem a ver com a temperatura da água. Na verdade, a temperatura é normal. O nome fervedouro remete ao que é visível, a água borbulhando como se fosse uma panela fervendo, mas isso é apenas por conta da pressão que faz a água jorrar e não pela sua temperatura.

Antes de visitar um fervedouro, você precisa saber algumas coisas básicas. Normalmente, cada grupo é limitado a seis pessoas, podendo aproveitar a atração por 15 a 20 minutos. Todas essas medidas são tomadas para proteger a natureza e permitir que outras pessoas possam desfrutar do lugar. Também é proibido usar protetores e repelentes para se banhar nas águas de um fervedouro. As agências costumam incluir em seus roteiros os principais fervedouros.São eles: Buritis, Buritizinho, Ceiça, Macaúbas, Bela Vista, Encontro das Águas, Veredas e Alecrim. Estima-se ainda que existam 200 fervedouros a serem descobertos na região do Jalapão.

Outra coisa que você não precisa se preocupar é com o pagamento das taxas para entrar num fervedouro, afinal de contas tudo isso está incluso no pacote que você fechou com à agência. Tive a sorte de ter um guia que se tornou, além e tudo, um grande amigo. Seu Josimar fez o caminho inverso na rota dos fervedouros, evitando as grandes filas e começando pelo último fervedouro da rota, o que nos fez encontrar as atrações vazias, aproveitando bem mais de 15 minutos. No Buritizinho mesmo, passamos 45 minutos e só fomos embora porque precisávamos seguir para os outros fervedouros.

Foto: Acervo Erick Issa

  • Cachoeira do Formiga

Esse verde esmeralda roubou meu coração! Se eu já tinha me apaixonado pelas águas da Lagoa do Japonês, imagine quando me deparei com essa loucura que é a Cachoeira do Formiga. Esse é um dos lugares mais queridos do Jalapão, atraindo diversos visitantes. Embora a queda d’água não seja grande, o charme dessa cachoeira está no fato de ter a oportunidade de curtir uma espécie de piscina que se forma por ali. O melhor de tudo é que a água não é congelante. Há ainda quem se aventure em sentar-se próximo a queda d’água para simular uma hidromassagem natural.

Situada no coração do Jalapão, na cidade de Mateiros, a cachoeira está em área particular, o que implica no pagamento de uma taxa de R$ 20, porém, se você fechou pacote com agência, não precisa se preocupar, pois este valor já está incluso. Seu único compromisso é com a natureza. Aprecie! Desfrute!

  • Serra da Catedral

Esse é o lugar de despedida do Jalapão antes de voltar para Palmas. A parada para fotos com a Serra da Catedral no fundo é aquele momento em que você suspira cheio de saudade do que viveu nos dias em que esteve nesse paraíso. É hora de agradecer a experiência e seguir viagem pela estrada de barro antes de encontrar o asfalto a caminho da capital do Tocantins.

Você precisa saber
Há roteiros no Jalapão de até 6 dias/5 noites. Esses roteiros são mais completos e desbravam praticamente todas as atrações do parque nacional. Optei pelo roteiro de 4 dias/3 noites por ser mais econômico e visitar as atrações mais famosas do lugar. Essa é uma escolha sua! Além dos lugares que visitei, roteiros mais longos incluem paradas em lugares como a Cachoeira do Escorrega Macaco, Cachoeira da Roncadeira e Cachoeira do Evilson.

Esses roteiros também incluem parada para fotos na Serra do Espírito Santo, Comunidade Quilombola Rio Novo, Morro do Saca Trapo, Comunidade Quilombola Mumbuca, Fervedouro Rio do Sono e Fervedouro Por Enquanto. O que não faltam são opções de belos lugares a serem conhecidos. Consulte os roteiros com as respectivas agências.

É importante estar preparado também para ficar sem internet ou sinal de celular  em grande parte do dia. Conexão, seja ela Wi-Fi ou dados móveis só será possível quando você estiver nas cidades. Durante o deslocamento, esqueça a possibilidade de se comunicar. Use o celular apenas para tirar fotos e aproveite a natureza. Sobre a necessidade de levar dinheiro em espécie, não vejo muita necessidade, afinal, tudo já está pago e incluso no pacote. Caso queira algum extra em restaurante ou pousada, a maioria absoluta aceita crédito, débito e PIX. Você pode levar alguns trocados caso queira alugar sapatilhas na Lagoa do Japonês, por exemplo. Eu não tinha dinheiro em espécie e fui socorrido pelo guia.

Foto: Acervo Erick Issa

Devo conhecer Palmas?
Sou adepto da ideia de que se você está em um lugar, por que não aproveitar para conhecê-lo? Se puder reservar uns dois dias para conhecer Palmas, com certeza isso vai agregar valor à sua viagem. Alguns passeios recomendados por aqui envolvem o Pôr do Sol na Praia da Graciosa, que dizem ser um dos mais bonitos do Brasil. Lembrando que Tocantins não tem mar, então a praia em questão fica às margens do Rio Tocantins.

Tenha em mente que Palmas é a capital mais nova do Brasil, construída em 1989 com capacidade para abrigar 1,5 milhão de habitantes, mas, atualmente, conta com pouco mais de 300 mil moradores, o que garante ruas calmas e trânsito sem engarrafamentos.

Não deixe de visitar a Praça dos Girassóis, a maior da América Latina, segunda maior praça pública do mundo. É nela que fica o Centro Geodésico do Brasil, além da sede dos três poderes estaduais. Também é possível visitar o Memorial Coluna Prestes.

Mais uma boa opção é a Ilha da Canela, formada em virtude do alagamento do Rio Tocantins por conta da construção da hidrelétrica Luis Eduardo Magalhães. Trata-se de uma ilha artificial, onde você curte águas rasas, barraquinhas e as famosas redes que rendem boas fotos em diversas praias do litoral brasileiro. E não se assuste com as redes que protegem a ilha. Não tem tubarão aqui. Tem um visitante menor, mas que pode causar estrago. São as piranhas! Essas redes servem para proteger os banhistas dos ataques desses peixes.

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Erick Issa*
Jornalista, baiano de Salvador, coordenador de comunicação social na Secti (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia), e apaixonado por viagens e turismo. Desde janeiro de 2012 viaja o mundo, acumulando histórias e experiências na bagagem. Já são 51 países visitados e 21 estados brasileiros.

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