Independência, amor e ordem: veja 7 dicas para encarar os desafios do cinema independente e de guerrilha na Bahia


Foto: Vanessa Aragão / Alfazema Filmes

Neste último mês de agosto, me deparei com uma necessidade grande e um desafio maior ainda: fazer um curta-documentário com a cara e a coragem, ou seja, sozinha, por mim mesma. Cinema e audiovisual é um trabalho, na maioria das vezes, coletivo, e sempre tem algumas mãos e mentes que ajudam.

Roteirizei, fiz as locuções que precisavam, organizei todas as imagens, filmei as que falavam, e vamos lá. O computador não aguentou. Então, fui para o computador da amiga. O amigo que ia salvar o tratamento do som (lembrando que o audiovisual é 50% de imagem e 50% de som) não conseguiu abrir os arquivos. Pane no sistema. A outra amiga fez algumas animações. Uma outra enviou materiais que faltavam. Mas, e o que não deu certo? Euzinha corri atrás pra aprender, de última hora, e fazer.

Depois de tudo quase pronto, o que acontece? Perco todo o projeto de montagem e tenho que recomeçar. E várias coisas que precisava de ajuda, de última hora, não rolou e eu com meu deadline apertado, corri atrás, aprendi, fiz do jeito que deu, mas fiz.

Infelizmente no audiovisual de guerrilha, não temos o equipamento ideal para cada etapa, mas temos casas e mãos que nos abrem para ajuda. E, muito felizmente, a vontade de realizar o que é essencial e precisa ser contado, é maior que todos os empecilhos (e quantos!) que surgem.

Foto: Caio Lírio

É exaustivo, a ansiedade ataca, a multifunção também desgasta. Isso não é pra ser romantizado e nem será. A questão é que, quando a gente faz o que ama, que tem um propósito que vai além de você mesma, você se vira, dá um jeito, luta, cai mil vezes e levanta mais mil.

Esse documentário que fiz e lutei nessa guerrilha, independência, amor e ordem é resultado da minha dissertação do mestrado, que defendi em março de 2022 e tem como título “Entre atabaques e all stars: a performance e sensibilidade de Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz”. Então, quem me conhece sabe a dimensão e importância que isso tem na minha vida.

É mais que pesquisa: é o que de mais forte pulsa dentro; é devoção e homenagem a Letieres, meu mestre e amigo eterno. Dito isso, e analisando o cenário, segue aqui minhas sete dicas depois deste último aprendizado para quem quer fazer uma jornada semelhante:

  • 1 – Faça parcerias de trabalho e amizade com laços verdadeiros e de admiração mútua, pois sempre você vai precisar de mãos e mentes para ajudar;
  • 2 – Escreva um roteiro claro e objetivo para que outras pessoas contribuam da melhor e mais eficaz maneira nele;
  • 3 – Seja muito bem organizada (o) com os materiais, com os vídeos, fotografias e áudios que possui. Isso facilita tudo na edição. 
  • 4 – Faça um cronograma de trabalho para você se organizar com o tempo que tem disponível e trabalhar um pouco a cada dia.
  • 5 – Salve tudo em um HD externo ou na nuvem, sempre. 
  • 6 – Peça para alguém assistir e te dar um feedback de como interpretou e viu as coisas do filme, alguém que você goste das opiniões e confie, claro. 
  • 7 – Você vai saber que seu objetivo foi cumprido quando alguém que assistiu contar as sensações que aquele filme despertou nelas. (Nesse em questão, eu ganhei tudo quando uma amiga querida disse que chorou muito, ou seja, ela sentiu tanto quanto eu.)

Por fim, quem é do cinema e audiovisual já sabe, mas quem não é, valorize cada profissional que desempenha cada função para que aquela obra, aquele filme seja feito. Tudo é essencial para que cada detalhe seja desenhado e transmitido da melhor maneira. E que em breve (e assim será!) tenhamos pessoas e governos que lutem mais pela nossa arte, pela nossa história e pelo cinema e audiovisual com a valorização que a gente merece e precisa para se desenvolver e difundir as histórias desse país. “Um país sem memória é um país sem cultura”, como bem disse Roberta Miranda. Fiquemos atentos e atentas.

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