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Léa Garcia pretendia lançar livro em Salvador

Atriz faleceu nesta terça-feira (15). Ela sofreu um infarto agudo no miocardio

Ópraí Wanda Chase • 15/08/2023 às 21:36 - há XX semanas

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					Léa Garcia pretendia lançar livro em Salvador
Foto: Arquivo pessoal

Não deu tempo. A atriz Léa Garcia tinha planos de lançar o livro “Entre Mira, Serafina, Rosa e Tia Negrita: a trajetória e o protagonismo de Lea Garcia”, do biógrafo Júlio Claudio da Silva. Animada, ela me ligou para conversarmos sobre as possibilidades: “Wanda, José Claudio - autor do livro - me falou que Salvador é a praça, é a cidade certa pra lançar meu livro”. Não deu tempo. Uma pena.

Léa era apaixonada por Salvador, tinha a alma e o coração baianos. Aqui se sentia em casa. Entrevistei a atriz no Goethe-Institut , num fim de tarde. Terminada a entrevista, me convidou para tomar um chá que virou uma Coca-Cola com acarajé, no Restaurante Ó pai Ó, no Terreiro de Jesus.

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O dono, o ator Érico Braz, estava no Rio - de Janeiro -, gravando nos estúdios Globo. Lea não se cansava de olhar para as pessoas, de falar sobre a saudade da Bahia. Demos boas risadas. Não demorou muito e Vovô apareceu. Aí nossa conversa foi longe. Lembramos de Abdias Nascimento, com quem ela foi casada e teve um filho, mas isso é uma outra história.


				
					Léa Garcia pretendia lançar livro em Salvador
Foto: Arquivo pessoal

A atriz veio a Salvador receber homenagem na 6ª Mostra Lugar de Mulher é no Cinema. A entrevista foi publicada aqui no iBahia, na minha coluna Óprai Wanda Chase no dia 20/07/2023.

Dona Léa foi um marco, abriu portas para muitos dos nossos, uma estrela de primeira grandeza. Brilhou nos palcos, nas telas da televisão e no cinema. Uma mulher inteligente, consciente de seu papel, que dedicou sua vida a arte. Nós ouvimos três artistas baianos sobre quem foi Léa.

O roteirista Elísio Lopes disse: “Léa, junto com Chica, Zezé, Ruth, é uma dama das artes dramáticas. Abriram caminhos que hoje estamos compromissados em ampliar. Isso é ancestralidade”.

Lázaro Ramos falou: “sempre sonhei em contracenar com dona Lea, sempre celebrei muito ela na vida. Nunca tinha tido oportunidade de encontrá-la em cena. Quando a gente estava fazendo Mister Brown e apareceu a mãe, eu pedi pelo amor de Deus que fosse ela. Foi um pedido especial para poder realizar esse sonho que eu tinha. Desde que eu estava em Salvador, ela era uma das atrizes que eu queria contracenar e foi muito lindo, muito especial, e o mais lindo é que a gente se aproveitou muito durante as filmagens, a gente ficava perto, conversando, contando história, rindo. A gente se prometeu repetir isso e infelizmente não aconteceu, mas as memórias que eu tenho são de uma importância que eu tenho na minha carreira como ator".


				
					Léa Garcia pretendia lançar livro em Salvador
Foto: Arquivo pessoal

Conversei também com o ator Fabricio Boliveira. Emocionado, ele declarou: “acordamos com a partida de Lea Garcia, atriz com 70 anos de carreira , em meio a um festival . Hoje ela seria /será homenageada pelo Festival de Gramado. Festival onde ganhou Kikitos e hoje na maior honraria de ser uma das grandes baluartes, ancestral negra de arte do cinema do Brasil. Eu estou emocionado e intrigado de não ter conseguido olhar em seus olhos quando a vi à distância cercada por muitos e muitos emocionados por estar diante de uma realeza. Eu só a aplaudi enquanto tentava chegar perto. Por duas vezes, nessa mesma noite, ela, a grande Lea, foi envolta de muitas pessoas desejosas de seu sorriso e de sua escuta sobre sua importância naquelas vidas. Mais uma vez só aplaudi de longe e pensei na eternidade que o cinema e os agradecimentos tem. Os filmes passam gerações e afetos permanecem nas histórias reais, maquiadas de saga de personagem. Lea, você escolheu, você viveu, você nos tocou, você nos espelhou. Acordamos essa manhã com todo um país te homenageando no seu dia. É a luz certa da beleza da vida vivida”.

Dona Lea deixa uma história muito bem escrita. A ela nosso agradecimento por ter nos levado a vários lugares, nos feito refletir sobre situações até hoje vividas, como bem disse o ator Fabrício Oliveira.


				
					Léa Garcia pretendia lançar livro em Salvador
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Imagem ilustrativa da coluna ÓPRAÍ WANDA CHASE
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