Artistas e bandas baianas dominam festivais do midstream; veja


BaianaSystem, Luedji Luna e Baco Exu dos Blues estão entre as atrações mais frequentes nos festivais brasileiros (Fotos: Cartaxo | Helen Salomão | Roncca)

Há 3 semanas falei aqui na coluna sobre a forte presença de bandas e artistas da música pop baiana na programação de festivais e casas de shows do midstream pelo Brasil. No último dia 29, o festival ‘No Ar Coquetel Motov (CQTL)’, de Recife, publicou uma pesquisa que analisa a programação de festivais e comprova a percepção que indiquei aqui na Pop Bahia. Pelo levantamento feito em 20 eventos, 26 atrações se repetem em pelo menos 3 line-ups, sendo que 7 delas são baianas. Além da veterana Gal Costa, estão na lista representantes da cena de música pop da Bahia: BaianaSystem, Luedji Luna, Baco Exu do Blues, ÀTTØØXXÁ, Rachel Reis e Majur.

BaianaSystem está entre os mais disputados e figura em 6 festivais. Junto com o rapper mineiro Djonga e a cantora Marina Sena, também de Minas Gerais, a banda de Salvador é a que mais se repete nas programações analisadas. O sucesso é resultado de um show extremamente enérgico e catártico, que convida o público a apresentar uma performance à parte com rodas e manifestações políticas. Quem esteve no Centro de Convenções no último sábado (2) pude testemunhar essa forte participação do público no show, que marcou a retomada do grupo aos palcos da capital baiana.

Já Luedji Luna e Baco Exu do Blues aparecem em 5 line-ups. Como diz o próprio texto do CQTL: “reafirmando o grande momento da música baiana”. A cantora está em turnê com o show do seu álbum mais recente, “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”, que foi indicado ao Grammy Latino em 2021. Também no último sábado (2), a artista apresentou o show no Pelourinho e, certamente, é a melhor performance de Luedji na carreira até aqui. Segura no palco, com uma banda afiada e com um repertório 100% autoral, traz o seu novo álbum na íntegra e termina com super bis [alerta de spoiler agora] de “Banho de Folha”.

Baco Exu do Blues é outro que também está no auge da carreira. Ele lançou recentemente o álbum “Quantas Vezes Você Já Foi Amado?”, que tratei aqui na coluna no início de fevereiro. O público de Salvador vai poder conferir esse show neste sábado (8), na Concha Acústica, mas, pelo que se vê nas redes sociais do rapper, a aceitação tem sido alta. Os vídeos que ele tem postado exploram fortes momentos das canções com o público cantando junto as rimas do álbum.

Na sequência das atrações baianas mais disputadas nos festivais temos ÀTTØØXXÁ e Rachel Reis, a revelação do ano, em 4 eventos. A banda que é uma das pioneiras do pagode eletrônico e do pagotrap, movimento que também já abordei aqui na Pop Bahia, explorou o lançamento de singles durante a pandemia e fez feats com nomes como Léo Santana, Ludmilla e Parangolé. A apresentação do grupo também segue a linha enérgica e catártica, a qual o público de Salvador pôde conferir mais recentemente no último dia 25 de março.

Rachel Reis é a grande surpresa da lista. A cantora de Feira de Santana começou pra valer a carreira em 2020, durante a pandemia, e apenas em dezembro de 2021 passou a fazer shows. Impulsionada pelo sucesso da canção “Maresia”, que já ultrapassou 2 milhões de plays só no Spotify, conseguiu marcar presença em mais festivais do que nomes consagrados do midstream, como o rapper paulista Emicida e a cantora Céu, também de São Paulo, que estão em 3 line-ups. Foi justamente com Céu que Rachel se apresentou na última sexta (1º) no Pelourinho. A cantora de Feira fez o show de abertura da noite que tinha a paulista como atração principal.

Quem fecha a lista das atrações da cena de música pop da baiana ocupando os festivais pelo Brasil é a cantora Majur, que tem presença confirmada em 3 programações. Ela lançou em 2021 o álbum “Ojunifé”, mas ainda não apresentou o show desse trabalho em Salvador. No disco, ela faz um mergulho na sonoridade pop construída a partir da musicalidade dos terreiros de Candomblé. Nas canções, ela fala sobre amor, identidade e se revela em narrativas autobiográficas. A expectativa, pelo que se vê nas redes sociais, é uma apresentação que remete às divas pops, mas a partir de uma estética afrocentrada e repleta de referências às religiosidades afro-brasileiras.

Confira os festivais analisados na pesquisa

  • Breve – 09 de abril, Belo Horizonte (MG)
  • Carambola – 02 e 03 de abril, Maceió (AL)
  • Coala – 17 e 18 de setembro, São Paulo (SP)
  • CoMA – 4 a 7 de agosto, Brasília (DF)
  • Coolritiba – 21 de maio, Curitiba (PR)
  • DoSol – 10 e 23 de abril, Natal (RN)
  • Fervo – 15 e 16 de abril, Recife (PE)
  • Forró da Lua Cheia – 16 a 18 de junho, Altinópolis (SP)
  • Guaiamum Treloso – 09 de abril, Camaragibe (PE)
  • João Rock – 11 de junho, Ribeirão Preto (SP)
  • MADA – 23 e 24 de setembro, Natal (RN)
  • Mita – 14 e 15 de maio, São Paulo (SP); 21 e 22 de maio, Rio de Janeiro (RJ)
  • Nômade – 14 de maio, São Paulo (SP)
  • Queremos – 28 de maio, Rio de Janeiro (RJ)
  • Rock the Mountain – 16, 17, 23 e 24 de abril, Itaipava – Petrópolis (RJ)
  • Sarará – 27 de agosto, Belo Horizonte (MG)
  • Turá – 02 e 03 de julho, São Paulo (SP)
  • Vaca Amarela – 15 e 16 de abril, Goiânia (GO)
  • Verão de BH – 24 e 25 de setembro, Belo Horizonte (MG)
  • Zona Mundi – 24 a 27 de março, Salvador (BA)

Marcelo Argôlo*
Jornalista e pesquisador musical que acompanha o cenário musical baiano desde 2012. Mestre em Comunicação pela UFRB, ele é autor do livro Pop Negro SSA e mantém ainda o Instagram @popnegroba sobre a música pop negra da Bahia.

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