Salvador amanheceu com mais uma edição da tradicional Festa de Iemanjá, que movimenta a cidade durante o verão baiano e terá seu dia oficial nesta segunda-feira (2). As homenagens acontecem principalmente na praia do Rio Vermelho e nas ruas do bairro, reunindo devotos e turistas em celebração à Rainha do Mar.

Os fiéis costumam levar flores, perfumes e outros itens como oferendas, que são depositadas no mar. Nos últimos anos, campanhas ambientais reforçam a importância de evitar materiais poluentes, promovendo um festejo sustentável.
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Com mais de um século de história, a festa completa 104 anos em 2026 e foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Salvador em 2020, pela Fundação Gregório de Mattos (FGM). A celebração presta homenagem a Iemanjá, orixá das águas salgadas, símbolo de proteção, fertilidade e abundância no candomblé e nas religiões de matriz africana.
A programação oficial começou no domingo (1º), com a entrega do presente de Oxum no Dique do Tororó. Este ritual abre os festejos dedicados aos orixás das águas e reforça a conexão entre rios, lagos e o mar, elemento central das tradições afro-brasileiras.
Na segunda-feira (2), o ponto alto da festa aconteceu com a entrega do presente principal a Iemanjá na praia do Rio Vermelho, por volta das 5h da manhã. A alvorada de fogos marca o início do ritual na Praia de Santana, onde estão localizadas a Colônia de Pescadores e a Casa de Iemanjá.
O balaio com oferendas permanece na areia até 16h, quando devotos e visitantes podem continuar depositando seus presentes. Em seguida, ocorre o cortejo marítimo, que leva as oferendas a cerca de três milhas náuticas da costa, entregues ao mar como símbolo de devoção.
A expectativa é de que mais de um milhão de pessoas participem das comemorações ao longo do fim de semana e no dia oficial, sendo que aproximadamente 40% do público são turistas, segundo a Prefeitura de Salvador. Eles vêm de outras cidades da Bahia, de diferentes estados e até do exterior.
Entre domingo e segunda-feira, pescadores organizam a Casa de Iemanjá e o Barracão, orientam o público e garantem a condução segura das oferendas. Todo o cronograma é conduzido pela Colônia de Pescadores Z1, responsável também pelos rituais centrais. O tema escolhido para 2026 é “Yemanjá: a Mãe que Ilumina a todos nós!”, destacando o caráter espiritual e simbólico da festa.

A tradição da Festa de Iemanjá tem raízes no período do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Em Salvador, pescadores do Rio Vermelho começaram a oferecer presentes à divindade em busca de proteção e fartura na pesca, especialmente em épocas de escassez de peixes. Com o tempo, a celebração se consolidou como um evento religioso, cultural e popular, expandindo-se para outras cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro, e se tornando um marco do calendário baiano.
Além dos rituais religiosos, a festa movimenta a cidade com uma intensa programação cultural. Shows, lavagens, encontros musicais e festas privadas tomam conta do Rio Vermelho e de bairros próximos, tornando a data um dos momentos mais vibrantes do verão em Salvador.
Veja mais fotos da Festa de Iemanjá em Salvador:









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