Nem só de glitter e música se faz um bom Carnaval. Em Salvador, a campanha “A Rua é Delas” - Movimento de Combate à Violência contra as Mulheres colocou nas ruas, entre os dias 12 e 18 de fevereiro, mais de 80 mil materiais informativos e realizou 320 atendimentos, com 39 acionamentos do Botão Lilás.

A estratégia de enfrentamento à violência contra as mulheres foi organizada pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), com ações dentro e fora do circuito.
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Dois Centros de Atenção às Mulheres atuaram diretamente nos circuitos oficiais da festa, realizando abordagens educativas, orientação e acolhimento especializado. As equipes atenderam 68 mulheres dentro dos circuitos, garantindo escuta qualificada e encaminhamentos à rede de proteção quando necessário. Fora do circuito, a Casa da Mulher Brasileira, que funciona 24 horas, realizou 256 atendimentos, fortalecendo o suporte psicossocial, jurídico e social às mulheres em situação de violência.

Para a secretária da SPMJ, Fernanda Lordêlo, a atuação durante o Carnaval reforça o compromisso estrutural da gestão com a política de enfrentamento à violência. "A campanha ‘A Rua é Delas’ reafirma que o Carnaval também é espaço de respeito e de garantia de direitos. Ampliamos a presença das nossas equipes, fortalecemos a articulação com as forças de segurança e garantimos canais acessíveis de denúncia. Nosso compromisso é assegurar que as mulheres possam ocupar a cidade com liberdade, segurança e dignidade”, afirmou.

A edição de 2026 da campanha teve um forte caráter educativo e preventivo. Entre os mais de 80 mil materiais informativos distribuídos, destacam-se ventarolas com o “violentômetro”, o guia “Carnaval com Segurança”, cartazes sobre o curso do Protocolo Não é Não e orientações sobre direitos e canais de denúncia. Todos os materiais continham informações sobre o WhatsApp de denúncia da Prefeitura – Botão Lilás (71 98791-3420), ferramenta de acionamento rápido e discreto.
Um dos destaques da atuação foi o funcionamento do CICC Lilás, que integrou a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Guarda Civil Municipal. Essa união permitiu o monitoramento em tempo real das ocorrências e o acionamento imediato de guarnições por meio do Botão Lilás.
A diretora de Políticas para Mulheres da SPMJ, Fernanda Cerqueira, ressaltou que os dados de 2026 demonstram o papel estratégico da prevenção e como a informação ajuda a salvar vidas. “Quando a mulher sabe onde buscar ajuda e encontra uma rede preparada para acolher, conseguimos agir com mais rapidez e eficácia. O Carnaval potencializa a política municipal de erradicação à violência contra as mulheres, que é trabalhada o ano todo em Salvador”, concluiu.
A campanha integra o Programa Alerta Salvador e reafirma uma política pública contínua. Além das ações sazonais, a SPMJ mantém centros permanentes na Praça do Campo Grande, na Rua Sabino Silva e a Casa da Mulher Brasileira, na Avenida Tancredo Neves.
Monitoramento e dados
Durante o período carnavalesco, foram registradas ocorrências nos circuitos oficiais, incluindo 12 casos de violência física, 1 de violência sexual e 1 tentativa de feminicídio. Fora do circuito, houve 1 registro de violência física e 1 de violência psicológica.
Dados da Polícia Civil (DPMCV/SSP-BA) apontaram registros de ameaça (8), importunação sexual (9), vias de fato (7), lesão corporal (15), injúria (1) e estupro (1). Na Casa da Mulher Brasileira, os atendimentos envolveram casos de violência física (53), moral (81), psicológica (90), patrimonial (22) e sexual (12), além de 113 casos com motivação não informada.
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