Saiba por que Anitta exigiu ser coroada por Eloína dos Leopardos e não por Virginia
Cantora é adepta do candomblé, religião de matriz africana
A cantora Anitta, 33 anos, transformou sua coroação como Rainha de Bateria da Grande Rio em um espetáculo à parte na quadra da escola no último domingo (20). A cantora se apresentou sambando para a comunidade, mas quem colocou a coroa em sua cabeça não foi Virginia Fonseca, 27, sua antecessora no posto.

A escolhida para o gesto simbólico foi Eloína dos Leopardos, reconhecida como a primeira Rainha de Bateria da história do Carnaval carioca, título conquistado em 1976, quando desfilou à frente da bateria da Beija-Flor. Anitta pediu que a passagem de coroa com Virginia não acontecesse, e a Grande Rio atendeu ao pedido, o que já havia gerado uma resposta pública da equipe da influenciadora nos dias anteriores à cerimônia oficial.
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A explicação para a escolha está ligada à religião de Anitta. Adepta do candomblé, a cantora segue preceitos relacionados ao seu orí, e por isso não é qualquer pessoa que pode tocar sua cabeça em um momento simbólico como esse. Na tradição iorubá e nas religiões de matriz africana, o orí representa a cabeça, a consciência e o destino de cada pessoa, ocupando um papel central na relação de cada indivíduo com o sagrado.



No candomblé, na umbanda e em outras religiões de matriz africana, permitir que mãos despreparadas toquem o orí pode afetar diretamente o campo de energia vital e o destino de quem é tocado. Isso porque essas mãos podem carregar sentimentos como cansaço, inveja e outros desequilíbrios, rompendo o equilíbrio espiritual da pessoa. Por isso, esse tipo de contato costuma ser reservado a pessoas preparadas dentro da religião, o que explica a escolha de Anitta por Eloína dos Leopardos para o momento da coroação.





Quem é Eloína dos Leopardos, que coroou Anitta como Rainha de Bateria da Grande Rio

Eloína de Souza tem 80 anos e é atriz, coreógrafa, produtora e transformista. Ela marcou história no Carnaval carioca ao se tornar a primeira Rainha de Bateria da história da festa do Rio de Janeiro, no ano de 1976.

Naquele ano, Eloína foi convidada pelo carnavalesco Joãosinho Trinta (1933-2011) para ocupar a posição na Beija-Flor, que não existia no formato atual e é alvo de tantas disputas e holofotes entre as famosas. A escola foi campeã do Carnaval daquele ano.
A artista permaneceu no cargo até 1978 e teria desistido por conta de diversas tentativas de ridicularização contra ela, além do amplo sucesso e concorrência para estar no papel.
Além da atuação na escola de samba, Eloína trabalhou como artista performática de Paris, na França, durante 30 anos entre idas e vindas, onde fez o próprio nome como mulher trans e artista transformista após lidar com repreensão da ditadura militar brasileira.
Ela mesma destaca o próprio legado nas redes sociais, afirmando que "Madonna, Liza Minelli, Galiano e Calvin Klein me adoram". Eloína também construiu carreira no teatro e cinema, com peças apresentadas em países como Portugal, Espanha, Itália e Estados Unidos. Chegou a ficar 14 anos em cartaz com o espetáculo musical "Divinas Divas", entre 2000 e 2014. Atualmente, trabalha como recepcionista no Bar da Dona Onça, em São Paulo.


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