O cantor e sanfoneiro Flávio José, 74 anos, um dos maiores nomes do forró tradicional e xote no Brasil, expressou sua profunda indignação com a recomendação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que afeta o valor de seu cachê nas festas juninas do estado. Em uma mensagem direta para o perfil "São João em Bonfim" (@saojoaoembonfim), o artista desabafou da situação nesta quarta-feira (3).
Na conversa, obtida com exclusividade pelo Ibahia, o artista não poupou críticas à medida: "Vergonhoso mandar diminuir meu cachê em pouco mais de 45k. Nunca me senti tão INJUSTIÇADO E DESRESPEITADO na minha vida. [...] Se essa decisão do MP for mantida, já determinei que todos os shows desse ano na Bahia sejam cancelados e com certeza nunca mais cantarei no São João da Bahia. QUEM NÃO SE RESPEITA JAMAIS SERÁ RESPEITADO".
Leia também:
Veja:
A equipe do cantor confirmou ao portal que a recomendação do MP-BA prevê uma redução de cerca de R$ 45 mil no cachê, valor que não foi aceito pelo artista, que defende o pagamento integral de seu valor atual de mercado, que é de R$ 350 mil.
Impacto nas festas juninas
O conflito não afeta apenas a cidade de Senhor do Bonfim, mas coloca em risco um total de 15 apresentações que Flávio José já havia agendado em solo baiano para este São João.
O cantor lamentou a situação em uma manifestação pública na manhã desta quarta. Em publicação do perfil no Instagram "São João em Bonfim", que divulgou o teto de cachês de artistas para a festa junina na cidade baiana em R$ 700 mil, Flávio José fez um desabafo a respeito da diminuição do cachê e chegou a citar o cancelamento dos shows no estado.
"E este ano a Bahia ficará sem minha presença, às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê ! Enquanto outros artistas que nada têm a ver com forró ganham rios de dinheiro. É de um desrespeito sem tamanho. Por esse motivo, não irei à Bahia este ano. Lamentável, deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda a minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve", escreveu o perfil do cantor.
Questionado pela página sobre a decisão também afetar a apresentação da cidade de Senhor do Bonfim, Flávio José confirmou que afetará 15 cidades na Bahia que haviam contratado a apresentação dele para as festas juninas.
Contexto do impasse
O órgão informou no último dia 30 que celebrou acordos para a redução de cachês de diversos artistas, visando uma economia de R$ 8,8 milhões aos cofres públicos. No entanto, Flávio José não figura entre os nomes que aceitaram a redução, como Solange Almeida, Adelmário Coelho e Igor Kannário.
Uma reunião entre a equipe do sanfoneiro e o Ministério Público está agendada para a próxima segunda-feira (8), onde será tomada a decisão final sobre a manutenção ou não do cachê e a permanência dos shows na Bahia.
Em nota ao Ibahia, o Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) detalhou os parâmetros estabelecidos para o pagamento de artistas. Leia nota completa:
"O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) informa que tem encaminhado recomendações aos Municípios para que eles adequem as contratações de atrações artísticas aos parâmetros estabelecidos pela Instituição e Tribunais de Contas (TCM e TCE) e tomem como referência a média dos valores pagos aos artistas em 2025, atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O objetivo é evitar aumentos excessivos de cachês custeados com recursos públicos.
Nas últimas quatro edições dos festejos juninos na Bahia, observou-se uma significativa escalada nos valores das contratações artísticas, com a média dos contratos passando de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil.
Até o momento, foram enviadas recomendações a mais de 100 municípios, incluindo aqueles que anunciaram contratações do artista Flávio José, pelo valor de R$ 350 mil, um aumento de R$ 100 mil em relação ao ano passado. As recomendações buscam a adequação do contrato às orientações técnicas dos órgãos de controle, construídas a pedido dos próprios gestores municipais, via União dos Municípios da Bahia (UPB).
Vale destacar que o MPBA e os Tribunais de Contas também estabeleceram critérios técnicos que consideram a notoriedade e a projeção dos artistas, reconhecendo que atrações de maior relevância no mercado podem justificar valores contratuais superiores aos parâmetros médios.
Esses critérios fundamentam compromissos de redução de valores que estão sendo firmados com os representantes dos artistas que buscam voluntariamente o MPBA.
Até o momento, em apenas uma semana, foram realizados acordos que geraram economia de R$ 8,8 milhões aos cofres públicos. A Instituição está à disposição para dialogar com os empresários de Flávio José e demais artistas interessados."
Assista ao 'De Hoje a Oito', podcast de entretenimento do Ibahia:
Participe do canal
no Whatsapp e receba notícias em primeira mão!